Saturday, 27 November 2021

Cuidado com o coração pesado

DOMINGO I DO ADVENTO


L 1 Jer 33, 14, 16; Sal 24 (25), 4bc-5ab. 8-9. 10 e 14
L2 1 Tes 3, 12 – 4, 2
Ev Lc 21, 25-28. 34-36 




Iniciamos o tempo de Advento, o qual nos convida a viver na expectativa da vinda do Senhor. A primeira leitura refere-nos claramente «dias virão». Não sabemos quando, mas acreditamos na promessa do Senhor que há-de vir para instaurar a justiça. É importante perceber que o descendente de David trará o direito, a justiça, a segurança, mas isto só se concretizará pois o Senhor é que será a justiça. Assim a justiça para todos não é imposta por opressão, mas por dom e misericórdia. 

Advento é tempo por isso que nos convida a levantar o olhar, a não nos fixarmos no que é passageiro, mas descobrir desde já o que aqui na terra é marca do eterno, do que não passa. Ou melhor, fazer passar na nossa vida o que ainda não é de Deus para melhor o podermos aguardar. É assim que São Paulo exortava os Tessalonicenses, a crescer e abundar na santidade, a deixar o coração, a nossa inteligência a viver numa transparência de Deus irrepreensível. 

O centro parece estar em descobrir já aqui os motivos para a esperança. No meio das pressas e dos tumultos de sempre do nosso mundo, é a esperança que nos é dada o que nos permite arriscar sinais de beleza e bondade no nosso mundo. A vinda de Deus na nossa vida traz a nossa libertação, daquilo que nos escraviza e oprime de viver na lógica da bondade. 

O perigo é deixar-se ficar com um coração pesado, que literalmente significa puxar para baixo, para retirar à nossa vida o olhar da fé das alturas. É o que acontece quando nos tendemos a esquecer da bem-aventurança a que somos chamados. Por isso, deixemos o nosso coração caminhar na liberdade e na esperança maior de Deus. Quem não espera a acção de Deus, fica sem horizonte. 

Friday, 19 November 2021

Jesus: Um Rei diferente




DOMINGO XXXIV DO TEMPO COMUM

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

L 1 Dan 7, 13-14; Sal 92 (93), 1ab. 1c-2. 5
L2 Ap 1, 5-8
Ev Jo 18, 33b-37

 Celebramos neste Domingo o final do tempo comum, com a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Esta última semana articula-se à volta da última vinda de Cristo, algo que já nos faz dialogar com o Advento e a preparação para o Natal. A solenidade que celebramos foi instituída por Pio XI, no contexto da militância católica, como forma de presença de cuidar da presença cristã na vida pública, segunda o método do «ver, julgar e agir». 

A primeira leitura do livro do profeta Daniel dá-nos um horizonte à última vinda de Cristo, que recebe o «poder, honra e realeza», a quem todas as nações servirão. É sempre de notar que a vinda de Cristo é sinal de paz, concórdia e ordem para todos, acontecendo sem recurso a qualquer violência. 

Nem doutra maneira poderia ser, como nos coloca o livro do apocalipse, que apresenta Jesus Cristo como aquele que nos ama, nos liberta do pecado e nos faz sacerdotes, ou seja nos torna capazes de oferecer a Deus a nossa vida. É só em Jesus Cristo que tal pode acontecer, ele que é o Sacerdote por excelência, ao entregar a sua vida para nos justificar e tornar justos para Deus. 

Ele é a verdade que se afirma sem violências e cheio de fraqueza de um mundo que não é este, mas que já existe no Pai. Ele é o Rei que faz gerar paz e justiça a todos aqueles que o servem, porque Ele nos serve primeiro. É ele que nos dá o dom do Espírito Santo, que hoje nos continua a constituir como membros do Seu Corpo, pela adopção que em nós exerce.