DOMINGO XXII DO TEMPO COMUM
L 1 Deut 4, 1-2. 6-8; Sal 14 (15), 2-3a. 3cd-4ab. 4c-5
L2 Tg 1, 17-18. 21b-22. 27
Ev Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23
Somos neste Domingo convidados a olhar com Jesus para o nosso coração. Hoje ouvimos os fariseus a contrapor Jesus o facto de alguns dos seus discípulos comerem com as mãos impuras, isto é sem as lavarem e por isso sem cumprirem a tradição dos demais.
Jesus remete os seus intervenientes para outra lógica: mais do que as mãos, é preciso olhar para o coração; mais do que os preceitos humanos de educação, é preciso para o que se de facto marca a orientação da nossa vida. Com efeito, na sagrada escritura, coração é local de inteligência, onde se decide o sentido da vida, que apenas Deus conhece e santuário da consciência onde Deus fala em intimidade com cada um (Vaticano II, Gaudium et spes, 16).
O magistério da Igreja ensina que a moralidade dos nossos comportamentos depende primeiramente sempre do que objectivamente é realizado; todavia, a forma como o fazemos e a intenção com que o fazemos determinam inseparavelmente a moralidade e dizem do que queremos atingir; é sobretudo esta última que marca a verdade das relações que contruímos.
É esta luz que Jesus vem trazer sobre a moralidade das nossas acções, e que nos chama a toda a radicalidade. Não podemos ficar como funcionários que cumprem apenas umas coisas bonitas, exteriores, mais ou menos piedosas da fé; é o que coração que tem de ser transformado por Deus, pois é nele que reside a nossa verdade; assim ouvíamos o Senhor a elencar a lista de coisas que o tornam impuro. Por isso os mandamentos de Deus não podem apenas ser lidos do lado de fora da nossa vida; esta palavra tem de entrar em nós, em todos os aspectos da nossa vida e nos iluminar. Somos chamados a viver como filhos, onde a lógica é a da comunhão, não a do cumprimento de regras.
Assim, é do que sai de nosso coração para os outros que se compreende o que nos pode ou não deixar impuros. E sabemos que só do coração do Deus podemos ser purificados. Assim o testemunhamos em cada Eucaristia, em que comungamos o Pão de Deus, em que o Senhor nos pode purificar. E é do coração transformado que transborda a justiça, a paz, a castidade, o perdão, a generosidade, a alegria, a humildade e a sabedoria.


