DOMINGO XVIII DO TEMPO COMUM
L 1 Ex 16, 2-4. 12-15; Sal 77 (78), 3 e 4bc. 23-24, 25 e 54
L2 Ef 4, 17. 20-24
Ev Jo 6, 24-35
As leituras deste domingo continuam a narrativa do Evangelho segundo São João do discurso do pão da vida. No centro deste Mistério está Jesus Cristo, o verdadeiro pão do céu que se faz nosso alimento.
A primeira leitura relata uma das provações e dificuldades do Povo Hebreu após ter sido libertado do cativeiro do Egipto. Nesta caminhada o Povo sente a fome e Deus providencia o pão do Céu, que o sustenta na caminhada até à terra prometida. Como é bela a alegoria que daqui brota ao ver a Eucaristia como o Pão que nos alimenta até à terra prometida.
O Evangelho coloca a multidão à procura de Jesus, depois de ter comido dos pães multiplicados. Mas Cristo é duro com eles, por estes o procurarem apenas pelo alimento "que açambarcaram" sem consciência da origem deste. Assim os exorta a entrar no horizonte da fé, a ver mais além que as aparências mostram e a entrar na linguagem dos sinais que falam da partilha, da oração, da vida entregue e fecunda. Mas a multidão resiste a reconhecer Cristo como o enviado do Pai, querendo ficar presa na memória do maná e sem ver o novo pão do céu.
Estas leituras são para nós hoje um chamamento a vivermos a Eucaristia como o alimento que o Pai nos dá. No nosso mundo apressado, das contas rápidas, facilmente podemos ficar cegos a este grande sinal que Deus nos dá para o ver apenas como mais um acto religioso. A Eucaristia é o nosso alimento, embora tão aparentemente simples. O ateu Celso, romano no século II, afirmava que os cristãos estavam doidos por pensarem que Deus se poderia fazer presente numa espécie de pão.
A fé na eucaristia é central para nós cristãos. Cada celebração é o voltar a tornar presente a morte e ressurreição de Jesus Cristo; por isso não se trata de umas leituras da Palavra mais uma consagração, como por vezes se entende. Entendamos bem: o Corpo diz respeito à Vida de Cristo que se torna presente no Pão; o Vinho é símbolo do sangue de Cristo, derramado de forma violenta. Quando comungamos deste pão, alimentamos a nossa vida, porque por este pão somos transformados pela graça em imagens mais próximas do filho de Deus. É o próprio Senhor Jesus que nos alimenta na nossa fome de amor, de verdade e de justiça, porque nos faz entrar na sua intimidade.
A Eucaristia é insubstituível. Em cada celebração somos chamados a uma participação activa, que não significa fazer muitas coisas, mas muito mais querer entregar a sua vida com Cristo. Se nas várias formas de piedade, alimentamos a nossa vida espiritual, na Eucaristia é Deus quem tem absoluta primazia de acção, pois é actualização do mistério da Cruz. Aqui somos convidados à adoração, que mais do que admiração, e é por excelência acto de amor e aceitação confiante.



