Saturday, 14 January 2023

Que Messias conhecemos?




DOMINGO II DO TEMPO COMUM


L 1 Is 49, 3. 5-6; Sl 39 (40), 2 e 4ab. 7-8a. 8b-9. 10-11ab
L 2 1Cor 1, 1-3
Ev Jo 1, 29-34 


A liturgia da palavra deste Domingo coloca-nos a reflectir sobre a identidade do Messias, o que nos implica a compreender a natureza da relação que cultivamos com Jesus Cristo. 

Isaías apresenta o Messias como um servo, que é chamado para ser testemunha de Deus. Todavia, este não é um servo apenas que falará de algo, mas cujo testemunho implica viver como luz das nações, ou seja, alguém que se apresenta como renovador e que destapará uma nova luz oculta para quem não o conhece. Assim, o Messias vem com a missão de salvar, de levar a que as multidões e todas as nações, possam nele encontrar uma nova forma de viver. 

É esta a imagem do Messias que Jesus Cristo traz e que a Igreja anuncia desde o seu início. Reparemos que não se trata de proselitismo, mas de uma nova forma de vida, algo que está presente desde os alvores da Igreja, como evidencia a Primeira Carta aos Coríntios, dirigida àqueles que foram santificados em Jesus Cristo, àqueles gentios - não-hebreus- que se viram transformados por conhecerem a pessoa de Jesus Cristo. 

O Evangelho, segundo S. João, relata-nos a apresentação de Jesus por João Baptista. Não deixa de ser pertinente que João diga que não conhece Jesus Cristo, ele que era seu primo. Trata-se por isso não de apenas saber o nome de Jesus, mas sobretudo de um conhecimento que só pelo Espírito Santo nos pode ser dado, com a liberdade de Deus e a abertura do nosso coração. 

Este conhecimento faz-nos reconhecer Jesus como Talyá, uma palavra aramaica que significa ao mesmo tempo, servo, cordeiro, filho e pão. Jesus serve cada homem e mulher na entrega da sua vida, ao assumir  a nossa fragilidade como o Cordeiro que tira o pecado do mundo, que vive como Filho na comunhão do Pai e nos ensina a ser filhos de Deus, e que se faz pão para nosso alimento. 

O nosso seguimento de Cristo não pode ser apenas uma imitação de vida. É um acontecimento novo, no qual somos introduzidos pelo amor, derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo, e que nos transforma para vivermos com os mesmos sentimentos de Cristo Jesus. Este amor torna-nos únicos e irmãos uns dos outros. 


 

Friday, 6 January 2023

Com todos ficamos mais completos!




DOMINGO EPIFANIA DO SENHOR – SOLENIDADE


L 1 Is 60, 1-6; Sal 71 (72), 2. 7-8. 10-11. 12-13
L 2 Ef 3, 2-3a. 5-6
Ev Mt 2, 1-12 

A celebração da Epifania no tempo do Natal coloca diante de nós um dado fundamental da Encarnação de Cristo. Ele assume a nossa humanidade, e não apenas uma etnia ou dada cultura. A boa-nova de Cristo é para todos, é um dom de vida nova, que é nos dado para renovar o nosso ser. 

A primeira leitura de Isaías descobre isto precisamente, pois diante da luz nova do Messias, Jerusalém descobre-se mais rica, pois para ela afluiriam todos os Povos. É de uma extrema revolução esta profecia de Isaías, segundo a qual todos haveriam de formar uma só família humana. Note-se bem, não se trata apenas - e já não seria pouco - de tratar os de fora com dignidade e respeito, mas os de fora passarem a ser nossos irmãos, caminhando-se por isso para uma fraternidade humana real, em virtude do amor de Deus. 

Os magos, de que hoje ouvimos, são sinal desta humanidade global que converge para adorar o Menino Jesus. São eles que se dispuseram a deixar as suas casas, os seus confortos, para estarem atentos a uma estrela que nasce do Oriente e se indica o caminho para Belém. Esta estrela, já anunciada em profecia por Balaão, vem do Oriente, do lugar onde sempre o Sol nasce e pára sobre a nova Luz da humanidade, o presépio, espaço onde todos cabem - sagrada família, pastores e magos. 

Reparemos que os Magos, embora não tendo os conhecimentos teóricos da história de Israel, estão atentos à estrela e a seguem. Bem diferente se passa com os sacerdotes de Israel, que sabem a teologia toda, mas estão cegos aos sinais, que só os de longe vêem. Este é um drama não só de ontem, mas também de hoje. Fechados em certezas absolutas, corremos o risco de deixar de olhar para o Oriente e para o céu, para nos fixar em rotinas mortas ou seguranças estéreis. 

São estes homens mais desprendidos que entregam o presente mais precioso que têm para dar: adoram o Menino, ou sejam, fazem emergir na sua vida e na sua boca todo o amor e ardor de coração a Deus. Os restantes presentes são sinais que dialogam com a vida de Cristo: ouro, ou seja realeza, incenso, ou seja divindade e mirra, prenúncio da morte. 

Da experiência profunda da adoração descobre-se outro caminho, por se estar sintonizado com a voz de Deus que se ouve profundamente.