Saturday, 17 December 2022

Os sonhos de Deus a par com os nossos

 

By © Marie-Lan Nguyen / Wikimedia Commons, CC BY 2.5, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=21570852

DOMINGO IV DO ADVENTO


L1: Is 7, 10-14; Sal 23 (24), 1-2. 3-4ab. 5-6
L2: Rom 1, 1-7
Ev: Mt 1, 18-24

O tempo avança e eis que chegamos ao limiar do tempo da expectativa. Aproxima-se a celebração do nascimento de Cristo, acontecimento passado, mas como em tudo na vida da Igreja, chamado a acontecer no nosso hoje, na nossa circunstância. 

A liturgia deste domingo é preenchida de um sonho. O sonho do profeta que pede a acção de Deus, mediante a virgem que concebe, o sonho de José, que é chamado a viver a justiça, pela confiança depositada em Deus. 

No centro destes sonhos está o menino, que nascerá para ser Deus-connosco, capaz de reconciliar Israel e de sarar o coração humano e o tecido social mediante o perdão dos pecados. 

A Deus que é fiel na sua promessa de salvação, fica semelhante pedido a José, aquele que é chamado a governar a casa de Deus. A ir e fazer como Deus ordena. Admirável confiança a de Deus em nós: a de confiar o seu filho a um homem para nos fazer voltar à nossa casa. 

É esta experiência que Paulo faz: a de voltar a casa, a de ser reconciliado consigo e com Deus e chamado para ir, para cuidar do povo e anunciar com a vida o amor de Deus. É este amor que agora se volta a aproximar de nós. Será que sabemos ouvir este sonho?

Friday, 9 December 2022

De cumpridor a discípulo!




DOMINGO III DO ADVENTO


L1: Is 35, 1-6a. 10; Sal 145 (146), 7. 8-9a. 9bc-10
L2: Tg 5, 7-10
Ev: Mt 11, 2-11 


O terceiro Domingo do Advento, também chamado da alegria, é vivido neste ano A em torno da esperança que precede a vinda do Messias. Isaías descreve-nos este Messias como inaugurador de esperança em virtude da cura que volta a colocar em relação, em alegria, louvor, canto e beleza. Assim, este Messias não se apresenta como ameaçador, mas libertador e amigo da humanidade. 

É em virtude da estupefação com esta forma de Messias, que João envia os seus discípulos a inquirir Jesus. Face ao rigorismo de João Baptista, Jesus apresenta-se como portador de uma bondade, que o evangelho descreve com os seguintes verbos: ver, andar, curar, ouvir, ressuscitar e anunciar. É uma descrição em aumento que traduz desde a abertura mais pessoal até à missão, depois da ressurreição. 

Esta atitude de João é porém para nós importante: perguntar para compreender e poder ouvir de Palavra da salvação, próprio de quem se vê como discípulo. E assim acontece a entrada de João Baptista no Reino dos Céus. 

De facto entrar no Reino dos Céus significa viver com a radicalidade de João, «o maior dos Filhos de Mulher». Todavia, o caminho do Reino dos Céus não significa viver nas condições extremas de vida de João, mas sobretudo reconhecer-se como dependente do próprio Deus, na atitude de criança que reconhece que precisa de Deus. Assim, mais do que ter disciplina, importa ser disciplinado de coração ao jeito de Jesus. 

Ao vivermos como filho de Deus, a nossa meta leva-nos a enfrentar as contrariedades na esperança da manifestação de Deus, com a mesma confiança do semeador que lança a semente na esperança desta frutificar e alimentar a humanidade, como recorda São Tiago. A esperança da vinda de Cristo torna-nos capazes de lançar caminhos novos, com realismo, para deixar germinar a os frutos da presença do Senhor. 



Saturday, 3 December 2022

Na senda de João Baptista




DOMINGO II DO ADVENTO


L1: Is 11, 1-10; Sal 71 (72), 2. 7-8. 12-13. 17
L2: Rom 15, 4-9
Ev: Mt 3, 1-12 

A liturgia deste Domingo coloca-nos de modo especial diante dos pregões de João Baptista. O evangelho segundo S. Mateus coloca João Baptista como a voz que ressoa o profeta Isaías, a convidar para a preparar os caminhos do Senhor, a endireitar as suas veredas. João Baptista é claro na sua exortação para a conversão de vida, para que todos se possam arrepender e esperar o Reino de Deus, que chegará com a presença de Jesus. João Baptista transmite imagem de um Messias forte e poderoso, que vem para afastar todos aqueles que não vivem de acordo com a vontade de Deus e a convida-los para acções dignas. 

Jesus assume-se de facto com a mesma radicalidade de João, ainda que concretize matizes diferentes. Partilha como ele o desprendimento e vive centrado na vontade de Deus. Todavia, em vez de se assumir como o Messias da força, apresenta-se identificado com os pecadores e os últimos da sociedade, indo resgatar os mais afastados para os voltar a integrar no seu povo. Não deixa de ser pertinente como a liturgia vai retomar o profeta Isaías, no qual este vislumbra o caminho da humanidade como uma sociedade sem violência e cheia de paz, que é conduzida na simplicidade de um menino. 

A conversão de vida que Jesus anuncia é por isso algo muito distinto de apenas uma mudança de mentalidade. A conversão de Jesus não consiste apenas numa rejeição do mal e adesão a um bem, mas consiste sobretudo num voltar-se para Jesus Cristo, para viver tomando consciência da sua presença que inaugura o Reino de Deus. De facto, não somos meros habitantes, mas pelo baptismo somos feitos filhos de Deus. 

Como tal, a retomando a Carta de Paulo aos Romanos, a nossa conversão não se dá a um bem abstrato, mas, pela força que nasce das escrituras, para um voltar-se para a face de Deus que nos olha e na qual encontramos a esperança e a misericórdia.