DOMINGO IV DA PÁSCOA
L 1 At 2, 14a. 36-41; Sl 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6
L 2 1Pd 2, 20b-25
Ev Jo 10, 1-10
Este Domingo do tempo pascal é celebrado na Igreja como dia de oração pelas vocações. É também conhecido como o Domingo do Bom e Belo Pastor.
Na raiz de cada um existe uma vocação, um apelo infinito do Deus de amor para levar cada um a vida de realização. Cada vida vivida é motivo da celebração de glória de Deus, mesmo aquelas que aparentemente são mais insignificantes.
A vocação é sempre uma resposta a uma chamamento de Deus. A liturgia apresenta-nos Pedro a chamar à conversão, ao apresentar a morte de Cristo como ocasião da manifestação do amor de Deus por nós. Notemos que a conversão é só possível após a dor de coração [katanýssō], que dispõe para uma mudança de vida e adesão a Cristo. De facto, o acolhimento do Evangelho necessita de uma abertura de coração, algo que a Tradição da Igreja designa por contrição, ou seja o arrependimento por ter ferido o amor. É nesta abertura que acontece a entrega do Espírito Santo, grande promessa de Deus à humanidade para vivermos como filhos.
A vida que tem Cristo como pastor experimenta, ainda que em total fragilidade física e moral, a oportunidade de viver em comunhão com Cristo, acreditando pela fé que o sofrimento que nos toca está intimamente unido ao de Cristo, quando procura levar o bem e ser agente de transformação no mundo. Este é um sofrimento, muitas vezes levado ao limite, mas vivido em função de um bem maior, com os olhos no céu, mas com os pés bem assentes na terra.
Este caminho é o da vida em abundância, de um dom que excede as nossas expectativas. Cristo apresenta-se como a porta, imagem central neste evangelho, e repetida por duas vezes. Ele é o caminho que coloca ordem na vida, de modo a que a nossa vida seja verdadeiramente um dom para todos.
É aqui que se enraíza a vocação para um estado de vida: o desejo de querer viver pelo amor, dando vida e a vida, assim como se fixando num horizonte que quer sempre ir mais longe, num ritmo que tem por meta o Reino dos Céus. É sempre de desconfiar de propostas de vida que levam a vida a estagnar numa esterilidade; Cristo chama-nos sempre para vivermos como ele viveu, em comunhão com o Pai e em serviço aos irmãos.



