Saturday, 17 December 2022

Os sonhos de Deus a par com os nossos

 

By © Marie-Lan Nguyen / Wikimedia Commons, CC BY 2.5, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=21570852

DOMINGO IV DO ADVENTO


L1: Is 7, 10-14; Sal 23 (24), 1-2. 3-4ab. 5-6
L2: Rom 1, 1-7
Ev: Mt 1, 18-24

O tempo avança e eis que chegamos ao limiar do tempo da expectativa. Aproxima-se a celebração do nascimento de Cristo, acontecimento passado, mas como em tudo na vida da Igreja, chamado a acontecer no nosso hoje, na nossa circunstância. 

A liturgia deste domingo é preenchida de um sonho. O sonho do profeta que pede a acção de Deus, mediante a virgem que concebe, o sonho de José, que é chamado a viver a justiça, pela confiança depositada em Deus. 

No centro destes sonhos está o menino, que nascerá para ser Deus-connosco, capaz de reconciliar Israel e de sarar o coração humano e o tecido social mediante o perdão dos pecados. 

A Deus que é fiel na sua promessa de salvação, fica semelhante pedido a José, aquele que é chamado a governar a casa de Deus. A ir e fazer como Deus ordena. Admirável confiança a de Deus em nós: a de confiar o seu filho a um homem para nos fazer voltar à nossa casa. 

É esta experiência que Paulo faz: a de voltar a casa, a de ser reconciliado consigo e com Deus e chamado para ir, para cuidar do povo e anunciar com a vida o amor de Deus. É este amor que agora se volta a aproximar de nós. Será que sabemos ouvir este sonho?

Friday, 9 December 2022

De cumpridor a discípulo!




DOMINGO III DO ADVENTO


L1: Is 35, 1-6a. 10; Sal 145 (146), 7. 8-9a. 9bc-10
L2: Tg 5, 7-10
Ev: Mt 11, 2-11 


O terceiro Domingo do Advento, também chamado da alegria, é vivido neste ano A em torno da esperança que precede a vinda do Messias. Isaías descreve-nos este Messias como inaugurador de esperança em virtude da cura que volta a colocar em relação, em alegria, louvor, canto e beleza. Assim, este Messias não se apresenta como ameaçador, mas libertador e amigo da humanidade. 

É em virtude da estupefação com esta forma de Messias, que João envia os seus discípulos a inquirir Jesus. Face ao rigorismo de João Baptista, Jesus apresenta-se como portador de uma bondade, que o evangelho descreve com os seguintes verbos: ver, andar, curar, ouvir, ressuscitar e anunciar. É uma descrição em aumento que traduz desde a abertura mais pessoal até à missão, depois da ressurreição. 

Esta atitude de João é porém para nós importante: perguntar para compreender e poder ouvir de Palavra da salvação, próprio de quem se vê como discípulo. E assim acontece a entrada de João Baptista no Reino dos Céus. 

De facto entrar no Reino dos Céus significa viver com a radicalidade de João, «o maior dos Filhos de Mulher». Todavia, o caminho do Reino dos Céus não significa viver nas condições extremas de vida de João, mas sobretudo reconhecer-se como dependente do próprio Deus, na atitude de criança que reconhece que precisa de Deus. Assim, mais do que ter disciplina, importa ser disciplinado de coração ao jeito de Jesus. 

Ao vivermos como filho de Deus, a nossa meta leva-nos a enfrentar as contrariedades na esperança da manifestação de Deus, com a mesma confiança do semeador que lança a semente na esperança desta frutificar e alimentar a humanidade, como recorda São Tiago. A esperança da vinda de Cristo torna-nos capazes de lançar caminhos novos, com realismo, para deixar germinar a os frutos da presença do Senhor. 



Saturday, 3 December 2022

Na senda de João Baptista




DOMINGO II DO ADVENTO


L1: Is 11, 1-10; Sal 71 (72), 2. 7-8. 12-13. 17
L2: Rom 15, 4-9
Ev: Mt 3, 1-12 

A liturgia deste Domingo coloca-nos de modo especial diante dos pregões de João Baptista. O evangelho segundo S. Mateus coloca João Baptista como a voz que ressoa o profeta Isaías, a convidar para a preparar os caminhos do Senhor, a endireitar as suas veredas. João Baptista é claro na sua exortação para a conversão de vida, para que todos se possam arrepender e esperar o Reino de Deus, que chegará com a presença de Jesus. João Baptista transmite imagem de um Messias forte e poderoso, que vem para afastar todos aqueles que não vivem de acordo com a vontade de Deus e a convida-los para acções dignas. 

Jesus assume-se de facto com a mesma radicalidade de João, ainda que concretize matizes diferentes. Partilha como ele o desprendimento e vive centrado na vontade de Deus. Todavia, em vez de se assumir como o Messias da força, apresenta-se identificado com os pecadores e os últimos da sociedade, indo resgatar os mais afastados para os voltar a integrar no seu povo. Não deixa de ser pertinente como a liturgia vai retomar o profeta Isaías, no qual este vislumbra o caminho da humanidade como uma sociedade sem violência e cheia de paz, que é conduzida na simplicidade de um menino. 

A conversão de vida que Jesus anuncia é por isso algo muito distinto de apenas uma mudança de mentalidade. A conversão de Jesus não consiste apenas numa rejeição do mal e adesão a um bem, mas consiste sobretudo num voltar-se para Jesus Cristo, para viver tomando consciência da sua presença que inaugura o Reino de Deus. De facto, não somos meros habitantes, mas pelo baptismo somos feitos filhos de Deus. 

Como tal, a retomando a Carta de Paulo aos Romanos, a nossa conversão não se dá a um bem abstrato, mas, pela força que nasce das escrituras, para um voltar-se para a face de Deus que nos olha e na qual encontramos a esperança e a misericórdia. 

Saturday, 19 November 2022

O desejo da entrega de Cristo por nós



DOMINGO XXXIV DO TEMPO COMUM

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

L1: 2 Sam 5, 1-3; Sal 121 (122), 1-2. 3-4a. 4b-5
L2: Col 1, 12-20
Ev: Lc 23, 35-43 


Este Domingo final do ano litúrgico volta o olhar para a Solenidade de Cristo-Rei, comemoração promulgada pelo Papa Pio XI, em 1925, para convidar a um renovado testemunho cristão num mundo em turbulência e desnorte, e que acabaria por levar a uma segunda Guerra Mundial. 

A soberania de Jesus é muito distinta da soberania dos totalitarismos de então vigentes, o que acaba por gerar uma nova forma de discipulado e de vida. 

Duas notas são fundamentais na vivência da soberania no mundo bíblico, e que podemos ler na primeira leitura. Esta apresenta-nos a coroação do rei David, onde podemos reconhecer em primeiro lugar o reconhecimento de David da proximidade ao seu Povo "nós somos dos teus ossos e da tua carne"; em segundo está o reconhecimento que o poder que este tem é recebido de Deus, o que o torna administrador e não dono. Assim, o soberano, o líder, recebe uma missão de Deus, a qual lhe pede fidelidade e comunhão para louvar a Deus e servir o Povo. 

Cristo é o Rei que se revela, mas apresenta a sua soberania intimamente ligada à cruz. Toda a sua vida converge para a entrega na cruz, onde o Senhor se apresenta como Rei que não se salva a si mesmo, mas os outros. No meio de todas as lutas, de toda a injustiça, Cristo assume toda essa realidade. Afastando-se da tentação "do salva-te a ti mesmo", Cristo salva-nos a todos, ao se entregar por nós. É esta a realidade que o "bom ladrão" reconhece e se deixa converter pela bondade e perdão de Deus que brota da cruz. É esta a bondade que tem a força de mudar os corações. 

Esta imagética da cruz como local de exponente do amor de Cristo foi revertido para alguma imagética como Cristo sorridente, que podemos encontrar no Antigo Convento de Cristo, em Aveiro (actual Museu Municipal), quer em Xavier, Espanha ou em Lérins, França, cuja imagem é aqui apresentada. 

Esta imagem, que traduz da parte do artista uma experiência radical do amor de Deus, convida-nos a uma acção de graças como nos recordava a leitura da carta aos Colossensses. É em Cristo que encontramos a vida, que somos perdoados. Por isso, somos chamados a viver por Ele e para Ele. Por Ele, ao deixarmo-nos transformar na força da misericórdia; para Ele, procurando conduzir e torna-lo presente com a nossa acção. É este o caminho em que a eucaristia dominical permanece viva em cada dia. É assim que Cristo pode reinar nas nossas vidas e sociedade. 

Friday, 11 November 2022

Deus que nos chama em cada dia




DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM



L1: Mal 3, 19-20a; Sal 97 (98), 5-6. 7-8. 9
L2: 2 Tes 3, 7-12
Ev: Lc 21, 5-19

Na nossa tradição Cristã, o dia do Senhor é o Domingo, o qual, para nós cristãos, é o dia que assinala a ressurreição de Cristo. O Domingo é o dia  central de todo o ano litúrgico, onde semana após semana, somos chamados a nos alimentarmos de Cristo ressuscitado presente na Eucaristia. 

A liturgia deste Domingo inicia com a profecia de Malaquias, que nos apresenta o dia do Senhor com o acento de uma manifestação forte do nosso Deus. Para nós cristãos este Sol de Justiça é Cristo, que vem revelar o coração de todos. Todavia, não podemos, no contexto da revelação Cristã, de salientar a última vinda de Cristo, onde nos encontraremos face a face com Deus. No fim da vida vida terrena, seremos julgados no e pelo amor, pela forma como deixamos que a nossa existência fosse ou não cada vez mais transparência de Deus. Assim, a esperança futura norteia a nossa existência e acção desde já!

Esta consciência é especialmente sublinhada na segunda leitura, onde São Paulo encontra alguns entre a comunidade cristã de Tessalónica, que dada a suposta eminência da vinda de Cristo se alheiam de um trabalho comprometido, ocupando-se em futilidades. Importante lição de Paulo, que nos recorda que a atividade humana se dirige em função dos outros, o que reveste o trabalho humano de singular dignidade. 

O Evangelho retoma a consciência da vinda de Cristo, mas alerta para os cristãos não se deixarem encher de medo pelas contrariedades. Antes de tudo existe a vida de todos os dias, onde somos chamados a dar testemunho de Cristo para além de todos os terramotos, guerras e perseguições nos toquem. No meio das lutas o que permanece é o bem e o amor de Deus, que nos fazem caminhar. 

No nosso tempo - como em todos os tempos - coexistem duas atitudes diametralmente opostas: ou a procura pela revelação de eventos extremos ou a ideia de um relativismo, em que tudo vale. O nosso testemunho, sustentado pela graça de Deus, é o caminho onde antes de mais enfrentamos os males e nos é dada a oportunidade como dom de testemunharmos o amor de Deus. Saibamos responder com largueza de coração a Deus que nos chama em cada dia. 

Friday, 28 October 2022

Desce do Sicómoro!



DOMINGO XXXI DO TEMPO COMUM


L1: Sab 11, 22 – 12, 2; Sal 144 (145), 1-2. 8-9. 10-11. 13cd-14
L2: 2 Tes 1, 11 – 2, 2
Ev: Lc 19, 1-10 

"E por nós homens, e para nossa salvação..." Deus, em Cristo Jesus, revela a sua misericórdia, derramando sobre nós a força do seu perdão. Esta consciência que já vemos presente no Antigo Testamento, é descrita neste trecho do livro da Sabedoria de forma exemplar que Deus se compadece, sustenta a vida e nos quer afastados do mal. 

O Evangelho deste Domingo evidencia a realidade da misericórdia de Deus, onde Deus procura o homem, nesta narrativa da vida de Zaqueu. Toda  esta dinâmica de encontro faz-nos compreender o desejo profundo de um homem com ânsia de ver quem era Jesus, ou seja, conhecer a sua identidade e forma de estar. A sua baixa estatura, real ou simbólica, leva-o a subir a um sicómoro, árvore de folhagem densa, onde poderia observar e ver sem ser visto. 

A lógica de Jesus é distinta. Ele responde à ânsia de Zaqueu e não só se deixa observar, como o olha, procurando e convidando-o a descer do lugar escondido para se fazer íntimo da vida deste homem. Sinal de um amor que responde a um desejo de coração inexprimível. É neste reconhecimento que Zaqueu descobre a sua dignidade e sustenta a sua conversão, reparando o mal cometido e decidindo-se a se orientar por uma via nova. 

Não deixa de ser pertinente como esta atitude de Jesus causa estupefação na multidão, que apenas vê o que se passa de fora, ao que é factual, sem entrar na dinâmica do coração de Deus. 

Este apelo de Jesus continua hoje a acontecer e facilmente no meio de uma multidão de próximos, mas não íntimos de Jesus, homens e mulheres se pode tornar obstáculo para aqueles que se querem aproximar. Assim é fundamental a experiência que Jesus proporcionou a Zaqueu, a de ser olhado e procurado por Cristo, em resposta ao desejo de Deus que habita cada homem. 


Friday, 21 October 2022

A oração do humilde atravessa as nuvens




DOMINGO XXX DO TEMPO COMUM


L1: Sir 35, 15b-17. 20-22a (gr. 12-14.16-18);
Sal 33 (34), 2-3. 17-18. 19 e 23
L2: 2 Tim 4, 6-8. 16-18
Ev: Lc 18, 9-14 

A liturgia da palavra deste domingo continua a levar-nos pela reflexão da fé e da oração. Já o livro da sabedoria fala-nos da experiência da oração, como algo que sobre até às nuvens. O livro distingue como a oração de louvor sobe até às nuvens e a oração do humilde atravessa as nuvens. Estas são sinal tantas vezes sinal da cobertura na qual Deus se faz presente, como realidade que O oculta e revela. 

Todavia a humildade do orante não coincide com uma oração desesperada ou desanimada, mas pelo contrário, é a oração que confia que Deus escuta e que por isso não desanima de fazer chegar a sua prece. Tal como a humildade diz da capacidade de fazer gerar vida pela abertura, verdade e sinceridade de coração, a oração deve ser feita na consciência que Deus nos conhece e escuta. Tal coloca-nos na verdade da nossa situação connosco, com os outros e com Deus. Confia que Deus escuta e não desanima perante as adversidades. 

Jesus acentua esta realidade mediante as duas figuras extremas do fariseu e do publicano. O fariseu, estrito cumpridor de todos os preceitos, fica na parte de fora da oração e do seu coração, fechado e realizado na boa imagem que tem de si pelo cumprimento de tudo o que está mandado; o publicano, pela sua própria vida, sabe bem que é frágil, de que a sua vida não está toda cumprida e que por isso sabe que precisa de Deus diante do mistério da sua vida. Este eco da oração do publicano ficou na Tradição da Igreja conhecida como oração do coração, frase repetida até à exaustão e que a história de vida mostra que mudou o coração de tantos. 

No fundo de isto está a imagem de Deus que cada um tem: ou a de um Deus juiz que premeia as conquistas morais do eu ou um Deus juiz que justifica a vida de cada um pelo perdão dado sem medida. A verdadeira imagem de Deus é Jesus Cristo, que nos mostra que mais do que conquistas morais para ser superior, o verdadeiro caminho de vida está na capacidade de receber e dar o perdão. Ficar preso em pequenas conquistas de perfeição é caminho de isolamento, onde se reduz um Deus de amor a um deus de algibeira. 

Friday, 14 October 2022

como diante do avesso de um tecido




DOMINGO XXIX DO TEMPO COMUM


L1: Ex 17, 8-13; Sal 120 (121), 1-2. 3-4. 5-6. 7-8
L2: 2 Tim 3, 14 – 4, 2
Ev: Lc 18, 1-8 

A liturgia da Palavra deste Domingo coloca-nos diante da oração. A primeira leitura, do livro de Êxodo, narra o combate de Israel com os Amalecitas, uma tribo rival descendente de Esaú. O combate que aqui se trava é um combate pela sobrevivência dos Israelitas. No foco do combate está Josué, pois Moisés recolhe-se à montanha, lugar de encontro com Deus e coloca a sua vida e do seu povo nas mãos de Deus. Está-se aqui como diante do avesso de um tecido, onde por trás da vida visível, se joga a estabilidade de cada um. 

Moisés coloca a sua vida nas mãos de Deus, mas a imagem fortíssima do cansaço, do peso das dificuldades, tentam-no para deixar cair os braços. Não deixa de ser impressionante como são Aarão e Hur que lhe sustentam os braços. De facto, a nossa vida de oração não está apenas dependente do eu, mas precisa de ser acontecer também em comunidade. 

O evangelho continua esta dinâmica da persistência na oração. Esta mulher frágil, viúva, clama a quem sabe que lhe pode ajudar. Na ironia da motivação, o juiz iníquo atende a mulher para se livrar dela; de facto, é essencial à oração a consciência da assimetria entre Deus e a criatura, por reconhecermos que é de Deus que toda a vida provém. 

Mas a grande base onde toda a experiência orante cristã assenta, qual rocha onde Moisés se senta, está na fidelidade de Deus, que na experiência bíblica é outro nome para dizer que Deus é a Verdade. Deus é fiel, e na oração erguida por amor dos outros e da justiça, Deus não deixará de manifestar a sua presença na condução da história. 

Como tal, mais que a mera recitação de palavras que tentam convencer Deus, a oração emerge da confiança filial daquele que confia no amor do Pai, que não deixará de dar o seu Espírito, como sinal perene da vida que nos é dada pelo baptismo. 

Friday, 7 October 2022

O louvor que se ergue da fé





DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM


L1: 2 Reis 5, 14-17; Sal 97 (98), 1. 2-3ab. 3cd-4
L2: 2 Tim 2, 8-13
Ev: Lc 17, 11-19 

"Os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus" anuncia o salmo que ouvimos neste Domingo, expressão de louvor que se ergue da boca ao reconhecer as maravilhas que Deus realiza, e que reconhece que a sua acção não se deixa limitar por fronteiras. Assim, todos estamos ligados numa só humanidade. 

Na raiz deste louvor está a fé, que nos possibilita, com a visão que esta inaugura, reconhecer o amor de Deus e empreender caminhos novos. É este o caso do Sírio Naamã que se encontrando doente, parte ao encontro do profeta Eliseu e que diante do convite que este lhe faz de se banhar no Jordão, acaba por assentir após grande hesitação. É a fé, a confiança depositada, que torna possível este passo decisivo para a sua cura e que depois este quer agradecer mediante um sacrifício de louvor. Não é por acaso que os Padres da Igreja aqui leram frequentemente uma tipologia do baptismo, que faz entrar numa vida nova, mas que deve ser cuidada para poder crescer.

A fé nasce desta assimetria do amor de Deus, que sempre tem primazia temporal. Assim, o vemos na acção de Jesus que envia para o templo estes dez leprosos, os quais são excluídos da sociedade, caminho que estes aceitam fazer. Repare-se que é apenas durante o caminho que estes são curados e não logo no início, sinal claro de um percurso feito em desrespeito das normas vigentes, que os mandava estar excluídos. Assim a fé alicerça o início da resposta, de se colocarem em caminho apenas pela confiança na acção da Palavra de Deus, para aí encontrarem a salvação; a resposta surge apenas durante o caminho e não logo no início, como tantas vezes somos tentados. A fé tem a capacidade de fazer pessoas novas, que por amor, aceitam percorrer caminhos novos, tantas vezes em rutpura com os hábitos ou caminhos velhos. 

Mas a fé, que leva à caridade, tem necessidade de ser cantada e celebrada, como são as realidades que na nossa vida lhe dão sentido. Para isso é preciso um coração simples e de criança que saiba cantar sem receios a alegria de se reconhecer amado. 

Saturday, 1 October 2022

A fé, sustento da vida fiel




DOMINGO XXVII DO TEMPO COMUM


L1: Hab 1, 2-3; 2, 2-4; Sal 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9
L2: 2 Tim 1, 6-8. 13-14
Ev: Lc 17, 5-10 

A liturgia da palavra deste domingo coloca diante de nós a oportunidade de reflectir sobre a fé. Desde logo compreendemos como a fé se distingue de uma crença vaga numa entidade superior. As leituras colocam como a fé é dinamismo que necessariamente envolve a vida. Não há fé apenas de fim de semana. A primeira leitura narra como o profeta Habacuc, no contexto do exílio da babilónia, diante do sofrimento e da injustiça é convidado a profetizar que a fé é sustento para nos mantermos fieis no meio das tribulações e que se nos deixamos arrastar, caímos. E por isso a fé guarda a capacidade de esperar que o bem aconteça e concorre para isso. 

Semelhante apelo é feito por Paulo a Timóteo, para que este não se deixe levar pelo desânimo, mas que permaneça fiel, não de forma passiva, mas dando testemunho de Jesus, palavra que tem a sua etimologia na palavra martírio. 

No Evangelho a tónica é aprofundada. Ao pedido dos discípulos para lhes ser aumentada a fé, diante da necessidade de dar o perdão de forma livre e constante, Jesus replica com a imagem da fé como grão de mostarda. Não está somente em causa o tamanho da semente, mas sobretudo a sua característica de muito crescer, de modo a se tornar espaço para os outros, onde os pássaros cantam. Assim a fé molda a vida para manter e guardar a atitude fundamental de permanecer ao serviço, não de forma ocasional, mas de forma permanente. É a fé que leva a guardemos no tempo a consciência do dom que recebemos, que somos e que damos.  

No nosso tempo, em que tudo parece ser tão efémero, a fé é realidade importante a testemunhar. É pela fé, que consciência do amor recebido de Deus, que surge o compromisso de testemunhar, mesmo no meio de dificuldades que só assim a vida encontra sentido. 

Friday, 23 September 2022

O nosso tempo é hoje


[https://tenor.com/view/hoje-today-gif-22838962]



DOMINGO XXVI DO TEMPO COMUM


L1: Am 6, 1a. 4-7; Sal 145 (146), 7. 8. 9. 10
L2: 1 Tim 6, 11-16
Ev: Lc 16, 19-31 

O nosso tempo é o hoje, ocasião em que cada um decide e actua sobre a sua vida. E é em cada hoje que cada um se constrói. É para o Hoje de cada dia que a palavra deste domingo nos convida a converter o olhar. 

Este hoje que a palavra nos coloca faz-nos recordar que o verdadeiro sentido da nossa vida está na capacidade de relação e sermos atentos aos que nos rodeiam. A primeira leitura, da profecia de Amós, coloca como os poderosos, que não só sendo indiferentes aos pobres, também os exploram em benefício próprio, acabando por conduzir toda uma sociedade à corrupção. Os nossos bens, materiais ou espirituais, só encontram o seu verdadeiro sentido quando colocados ao serviço de todos e para o bem de todos. Na raiz desta consciência deve estar o amor de Deus que nos faz administradores e não proprietários absolutos, como nos recorda a Doutrina Social da Igreja. 

Esta mesma lógica é continuada no Evangelho. Jesus denuncia este homem rico, que se banqueteava diariamente, expressão cheia de ironia em comparação com o pobre Lázaro à sua porta que vivia sem o mais necessário dos bens. A este rico, de coração de ferro e fechado a setes chaves no seu "eu", era impossível deixar-se tocar pelo sofrimento alheio, distanciando-se assim da sua essência de humanidade, ou seja, de reconhecer a exposição que o rosto do outro é para mim e me afecta. 

Este coração assim moldado do rico, tão cheio de si, cava um abismo entre ele e a restante humanidade, realidade que ele experimenta na vida futura. Note-se bem que o tormento do rico não é castigo, mas consequência da sua vida e decisões. Aliás, assim o compreendemos quando vimos como o rico continua a querer dispor de Lázaro para seu moço de recados. 

A figura de Abraão nesta parábola é extremamente relevante. Mostra-nos que desde a primeira aliança que a fé se expressa no cuidado dos mais frágeis e que é em cada hoje que somos chamados a escutar os outros, os profetas, enfim a Deus. Não deixemos que o nosso coração se torna de pedra nem de ferro, mas de carne, a qual foi assumida e salva por Jesus Cristo.  

Saturday, 17 September 2022

Dinheiro e espiritualidade: união pelo bem de todos






DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM


L1: Am 8, 4-7; Sal 112 (113), 1-2. 4-6. 7-8
L2: 1 Tim 2, 1-8
Ev: Lc 16, 1-13 ou Lc 16, 10-13

A liturgia deste Domingo coloca-nos a meditar no uso que fazemos do dinheiro e a íntima ligação que existe com a vida espiritual, como elemento que define a nossa postura e sentido de vida. 

O primeiro texto, do profeta Amós, escrito no século VIII a.C., descreve um ambiente de corrupção moral e de grande assimetria social. Esta era uma sociedade em que ao lado de grandes e luxuosas casas existiam casas muito pobres como atestam as escavações de Tell-el-Farah, referentes a este período. Nesta sociedade predomina o amor por um lucro desenfreado e pela acumulação de dinheiro, oprimindo o pobre e sem cuidar dele. Na raiz deste mal existia uma atitude de indiferença com Deus, retratada na superficialidade da vivência do sábado, dia santo, desejando que este passasse depressa para retomar o afã de enriquecer, sinal de que os poderosos do Povo de Israel desligavam a fé professada da vida vivida todos os dias. 

É este mesmo espírito que Jesus denuncia no evangelho, alertando os seus discípulos que não se pode adorar a Deus e adorar o dinheiro, não se pode viver na lógica do amor e estar centrado em si. Assim, o mal nasce do coração do homem, sede e lugar onde este se encontra com Deus e onde decide a sua vida, onde começa cada um a viver a justiça e a fidelidade de todos os dias. 

Mas Jesus aprofunda a reflexão, contando a história do administrador desonesto. Este é elogiado, não por administrar mal, mas agindo com celeridade e renunciando ao próprio lucro, cria amizade com os devedores. Mas este elogio questiona-nos: somos nós também solícitos para o verdadeiro bem?

Estas leituras não podem deixar de nos interrogar em dois aspectos fundamentais da vida: como usamos o dinheiro e como cuidamos dos mais pobres? Estamos convencidos que aquele que caminho ao meu lado é também meu irmão? 

Na raiz desta grande solidariedade e fraternidade está a espiritualidade, que tem por missão congregar-nos em comunhão com Deus e com os irmãos. Assim o sublinhava São Paulo, que nos chamava a rezar uns pelos outros e pelos nossos governantes, para que todos possam viver no maior bem possível.   

Saturday, 3 September 2022

No caminho, senta-te como Jesus




DOMINGO XXIII DO TEMPO COMUM


L1: Sab 9, 13-19 (gr. 13-18b); Sal 89 (90), 3-4. 5-6. 12-13. 14 e 17
L2: Flm 9b-10. 12-17
Ev: Lc 14, 25-33 

Foi no caminho para Jerusalém que os discípulos de Jesus ouviram as palavras que nos são dadas ouvir neste domingo, no caminho da nossa vida. São palavras que nos chamam a decidir e a escolher o caminho de Jesus, vivido de acordo com o Seu Espírito e não outro qualquer. 

É assim que a primeira leitura nos fala de uma sabedoria. Não de qualquer uma, mas da sabedoria de Deus. De facto, se já a sabedoria das coisas do mundo é difícil de alcançar, só por dom de Deus, que se revela a si mesmo por amor, nos pode ser dado conhece-lo. Esta sabedoria torna-se, para quem a procura, dinamismo fundamental não só para a relação com Deus, mas para uma feliz relação para com tudo: os outros, o uso das coisas, levando a uma vida virtuosa. 

É esta sabedoria de trato simples que nutre o discurso que ouvimos a São Paulo. Num bilhete dirigido a Filemon, Paulo usa de toda a delicadeza do seu coração para suscitar no seu amigo a compaixão e misericórdia para com um escravo que lhe havia fugido e que, sem imposição de palavras, o convida a reconhecer em Onésimo um irmão na fé. Mais de uma estratégia retórica, está um coração transbordante de amor que nasce de uma forte experiência do amor de Deus. 

No Evangelho Jesus fala-nos de uma sabedoria que nasce do seu seguimento. São Bento termina a sua regra a apelar a que nada se anteponha ao amor de Cristo. É neste sentido que interpretamos este preferir de todas as outras relações, pois só em Deus estas são verdadeiramente possíveis e libertadoras. Jesus não nos chama a não amar, mas a entregar a nossa vida de uma maneira total e definitiva, tal como ele o fez por nós na cruz. Assim, não encontramos aqui qualquer desculpa para ser indiferente para com os outros a partir de argumentos religiosos, mas de uma radicalidade maior, levar a amar o outro mais ao jeito de Deus. Não raras vezes o nosso amor, pobre e frágil, deixa-se condicionar pelo reconhecimento e agradecimento do outro. 

Na raiz desta forma de amar não está o moralismo solitário, mas antes o cuidado da relação fundamental com Deus: sentar-se e meditar, atitude do Filho de Deus na relação com o Pai, à qual também nós somos chamados. 

Friday, 12 August 2022

Um combate por amor




DOMINGO XX DO TEMPO COMUM


L1: Jer 38, 4-6. 8-10; Sal 39 (40), 2-3. 4. 18
L2: Hebr 12, 1-4
Ev: Lc 12, 49-53 

A liturgia da Palavra deste domingo coloca diante de nós a dinâmica de que o testemunho e anúncio da Verdade implica muitas vezes um confronto. Assim foi com Jesus que por amor à verdade, denunciou injustiças; assim aconteceu com os primeiros tempos do cristianismo, pródigo em mártires; assim o vemos na vida de tantos santos e o continuamos a ver hoje a acontecer, que associado a um testemunho radical do evangelho se afiguram igualmente forças de resistência. 

A leitura do livro de Jeremias coloca o profeta às portas da morte por ordem do rei que se recusa a aceitar o seu anúncio para uma conversão e mudança de vida. O rei Sedecias ao escolher seguir os mandatos do reis mais poderosos do que os de Deus, conta com a denúncia do profeta. Infelizmente Sedecias acabaria por ver o Povo a ir para o exílio e os seus filhos mortos. 

O Evangelho apresenta-nos Jesus a descrever a sua missão não como uma conciliação de interesses antagónicos, mas com uma força que leva a distinguir o mal do bem, dinamismo que acabaria por levar a rupturas familiares. Note-se todavia que a missão de Jesus não é contra ninguém, nem este apela a eleger inimigos; antes, o seu anúncio dirige-se contra os dinamismos opressores que privam a pessoa humana do conhecimento de Deus e da sua dignidade humana. Assim, existe um combate, mas sendo sempre pela verdade, com a referência do amor de Cristo que entrega a sua vida. 

Este combate, o combate da fé como dizia São Paulo, começa dentro de cada um, na procura de uma fidelidade para viver um amor maior, que se esforça por não cair em dinamismos de indiferença, ódio, afastamento de Deus ou ressentimento. É a procura diária, por resposta a um amor experimentado, para caminhar na graça. 

Por outro lado, e para evitar um individualismo perfeccionista, é também um olhar atento à realidade que nos envolve, aos dinamismos de opressão e abusos de poder sobre os mais frágeis em nome de lucros ou interesses; nestes abusos contamos os económicos, mas também os afectivos, manipuladores e até ao mau uso dos bens da terra, com impacte ecológico. 

Esta dinâmica de divisão é aquela que está inserida na Palavra de Deus que vai até à medula do nosso ser distinguir as motivações de coração e acções para nos purificar para vivermos um amor maior. 

Saturday, 6 August 2022

Fé, esperança e caridade




DOMINGO XIX DO TEMPO COMUM


L1: Sab 18, 6-9; Sal 32 (33), 1 e 12. 18-19. 20 e 22
L2: Hebr 11, 1-2. 8-19 ou Hebr 11, 1-2. 8-12
Ev: Lc 12, 32-48 ou Lc 12, 35-40

A liturgia deste Domingo apresenta-nos a comunhão com Deus como a nossa meta de vida. Todavia esta não é, antes de mais, a meta que conquistamos, mas o reconhecimento de que é Deus quem vem ao nosso encontro. 

A fé vive da promessa de um mais além, de um dom de Deus que nos atrai para si, para vivermos em comunhão com Ele. É esta promessa que faz Abraão sair da sua terra e ir para outra distinta e longínqua. É a fé por isso que norteia e dá o rumo fundamental da vida, que em vista da promessa, leva a agir no aqui e agora da nossa vida. E se isto é tão verdade para aqueles que acreditam em algo, para nós cristãos, a nossa acção é feita com os olhos colocados em Cristo. 

No alimento da fé de cada dia, que como relação fundamental deve ser alimentada, importa estar atento aos sinais com que Deus nos toca. Estes sinais que não excluem a prova de vida, os quais são momentos de crescimento e entrega, pois só o que compromete a nossa vida é verdadeiramente acreditado por nós. 

O evangelho continua esta dinâmica. Jesus dirige-se aos discípulos como um pequenino rebanho, aos quais provavelmente nos encontramos. É este pequenino rebanho, tão essencial à humanidade, que tem de começar a dar testemunho e a ser como o fermento na massa, que por se acreditar amado por Deus é chamado a amar assimetricamente os irmãos. A fé, que faz levantar os olhos com esperança, actua pela caridade. 

Mas antes de tudo, está a fé que nos faz acreditar que cada gesto de caridade é visto por Deus e nos faz participantes do seu tesouro de bondade, o qual começamos já aqui a vivenciar.  

 

Friday, 15 July 2022

Maria escolheu




DOMINGO XVI DO TEMPO COMUM


L1: Gen 18, 1-10a; Sal 14 (15), 2-3a. 3cd-4ab. 4c-5
L2: Col 1, 24-28
Ev: Lc 10, 38-42 

A liturgia do próximo Domingo coloca diante de nós a hospitalidade. Esta era uma virtude tida por excelente entre os povos semitas, que assim acolhiam os que atravessavam os espaços mais agrestes. De salientar que a verdade no sentido hebraico, dita emunah, se traduz como fidelidade e cuidado dos mais frágeis. 

É esta hospitalidade que vemos acontecer em Abraão, que vê três figuras a passar e se força em as receber. É evidente que esta hospitalidade é sinal da fidelidade de Abraão que naquele momento de acolhimento lhe é anunciado o cumprimento da promessa que Deus lhe havia feito desde o seu chamamento. É notável que seja no acolhimento e hospitalidade que lhe seja revelado que Deus é emunah, ou seja é fiel. 

O Evangelho retoma esta lógica de hospitalidade, em que Cristo se assume como hóspede na casa de Marta. Marta recebe-o, mas atarefava-se e dispersava-se sem tempo para estar com o hóspede e repreendendo quem estava a escutá-lo; chega mesmo a dar ordens a Jesus, algo que seria bastante estranho. Todavia Jesus coloca em evidência uma dinâmica fundamental que Maria havia feito e Marta não. Maria escolheu e optou; Marta deixou-se consumir em muitas coisas. 

É evidente que Jesus é a Palavra do Pai e por isso Maria escolheu o mais essencial, a revelação de Deus para a vida de cada um. 

É isto que Paulo proclama: Cristo é aquele que nos hospeda na casa de Deus e é apenas quando escolhem que seja Ele a preencher os nossos ouvidos que a vida se revela. É assim que a nossa vida continua a missão de Cristo. 



Saturday, 9 July 2022

"vai e faz o mesmo"




DOMINGO XV DO TEMPO COMUM


L1: Deut 30, 10-14;
Sal 68 (69), 14 e 17. 30-31. 33-34. 36ab-37 ou Sal 18 B (19), 8.9.10. 11
L2: Col 1, 15-20
Ev: Lc 10, 25-37 


Este Domingo coloca-nos diante de um episódio evangélico sobejamente, o Bom e Belo Samaritano. 

Este texto de Lucas, preenchido da cabeça aos pés pela misericórdia de Deus, que se abaixa para ver a humanidade, lembra-nos que a centralidade da vivência do cristianismo está no amor vivido de forma assimétrica pelo outro. 

É neste sentido que se enquadra a primeira leitura do livro de Deuteronómio, que apela a escutar a Deus, cumprir e converter-se para os mandamentos de Deus e não para ficar encerrado em si. Mudar de mentalidade para colocar como critérios de discernimento a atenção ao outro é atitude que se expressa em proximidade e que leva a superar o mal da indiferença, tão difundido do nosso tempo, ou de uma procura de uma perfeição egoísta. 

Este texto de Lucas evidencia esta passagem do saber ao fazer. A parábola do Bom Samaritano expressa a descida de um homem de Jerusalém para Jericó, imagem que pode ser entendido como capaz de descrever alguém que se afasta de Deus, e que se torna alvo para ser abusado. É neste caminho que aqueles que passam por ele o sacerdote e o levita, que também desciam de Jerusalém e que por isso evitam tocar aquele moribundo para não ficarem em estado de impureza ritual e assim não serem privados de sustento (cf. Nm 19, 11-13). 

Porém, a lógica do Samaritano é distinta. Ele deixa-se encher de compaixão, literalmente deixa-se mover interiormente esplanchnisthē, para superar as suas próprias questões e cuidar. Aqui está uma das notas mais sublimes da nossa humanidade - o outro está exposto a mim e faz parte da minha vocação como pessoa humana reconhece-lo. 

A tradição da Igreja leu neste Bom Samaritano a figura de Cristo, que da sua plenitude, se ofereceu até ao fim pela humanidade. É este mesmo Cristo que agora nos diz neste evangelho: "vai e faz o mesmo" 


Saturday, 2 July 2022

Rumo à eterna Jerusalém




DOMINGO XIV DO TEMPO COMUM

L1: Is 66, 10-14c; Sal 65 (66), 1-3a. 4-5. 6-7a. 16 e 20
L2: Gal 6, 14-18
Ev: Lc 10, 1-12. 17-20 ou Lc 10, 1-9

A liturgia deste Domingo coloca diante de nós a expectativa da alegria. Alegria que não é fruto de uma compra, mas do encontro da paz com Deus. A primeira leitura, do profeta Isaías, proclama a alegria de Jerusalém, que como uma mãe acolhe os seus filhos, não apenas como crianças mas homens graúdos, a voltarem à pátria e a serem tratados novamente como filhos, a serem novamente consolados. Não se trata evidentemente de um regresso a uma infantilidade, mas à chegada de um meta que o coração humano anseia e deseja, ainda que muitas vezes lhe faltem as palavras para o expressar e dizer. 

Este quadro de chegada a Jerusalém é o contexto em que nos é dado ouvir o Evangelho. Nesta grande seara, onde é preciso semear e colher, vemos como Jesus envia 72 discípulos, número coincidente das nações conhecidas da terra. É sinal de que a esta Jerusalém é Nova e destina-se a toda a humanidade e deixa de significar apenas uma Jerusalém terrestre, mas é sobretudo uma pátria espiritual, onde a paz e a alegria podem acontecer pelo anúncio e acolhimento da pessoa de Jesus Cristo. É Ele o autor da missão que os discípulos proclamam. 

Este Evangelho coloca-nos, também sobre o prisma de Paulo, que a missão de anunciar Jesus Cristo é essencial na vida cristã e não é facultativa. De facto, o Reino de Deus está perto e todos o podem alcançar, embora seja sempre essencial o papel dos anunciadores, cuja vozes façam ressoar a verdadeira palavra. Para todos a meta é a mesma. É o encontro com Cristo libertador e acolhedor na casa do Pai, onde encontraremos a consolação eterna. 


Saturday, 18 June 2022

Cada um é filho único no único Filho de Deus




DOMINGO XII DO TEMPO COMUM


L1: Zac 12, 10-11; 13,1; Sal 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 8-9
L2: Gal 3, 26-29
Ev: Lc 9, 18-24 

As leituras deste Domingo apresentam-nos uma imagem do Messias, a qual deve ser sempre renovada na nossa consciência. A identidade do Messias que Jesus revela é enquadrada pelo profeta Zacarias. Este profeta, cerca de 200 ou 300 anos antes de Cristo descreve, no seu tempo, a morte de um inocente, vítima de uma injustiça que causa grande perturbação na sociedade. Esta morte é porém lida pelo profeta como ocasião de renascimento do povo, o qual pode encontrar neste drama uma força para se purificar. 

O tema do servo sofredor é tomado ao longo da Escritura sempre como uma leitura de que na entrega de um justo é possível encontrar a salvação, cuja vida se torna modelo e fonte de bem para os que o rodeiam. 

De modo especial esta tipologia acontece em Jesus Cristo. Neste relato do evangelho, Jesus, é no dizer das multidões anónimas segundo os discípulos, um precursor de algo. A resposta de Pedro à interpelação do Mestre - "E vós, quem dizeis que Eu Sou?" - é respondida de forma exacta, mas muito distante do Messias preanunciado por Zacarias ou Isaías, mas segundo a imagem do Messias conquistador como David. 

Jesus ensina os seus discípulos que a sua vida é para ser entregue por todos, não para favorecer uma elite, mas todos são chamados a uma igualdade existencial em Jesus Cristo, algo que a Igreja anunciará e fará acontecer mediante o Baptismo. 

Esta igualdade de Filhos de Deus não significa igualitarismo. Cada um é filho único no único Filho de Deus. Mas Jesus apresenta as condições para viver com Ele e n'Ele: 

1. Renunciar a si mesmo, sabendo dizer "não" ao foco em si mesmo, para viver como Cristo, para os outros; 

2. Tomar a cruz todos os dias, ou seja, reproduzir na vida a entrega de Jesus por amor; assim, não significa por isso buscar o sofrimento em si, mas assumi-lo por causa do amor de Deus e dos outros. O inciso lucano, de todos os dias, marca esta entrega como perene; 

3. seguir o Senhor, procurando transformar a sua mentalidade e abraçar a Palavra de Deus, sem se querer distanciar de Jesus. 

Este caminho a que Jesus nos convida é uma via-sacra, ou seja, um caminho sagrado, a fazer acontecer na vida de todos o sinal da cruz, marcado por um amor acolhido de Deus e levado até ao fim na nossa vida, assumindo as nossas fragilidades e limitações. 

Wednesday, 15 June 2022

Pão da vida para o mundo



SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO
SOLENIDADE

L1: Gen 14, 18-20; Sal 109, 1. 2. 3. 4
L2: 1 Cor 11, 23-26
Ev: Lc 9, 11b-17


Tudo quanto recebemos é dom de Deus, fonte de vida.  A Eucaristia é o maior dom de Deus, pois nela o pão e o vinho tornam-se sinais reais e vivos da presença de Cristo que se entrega para nossa salvação. 

As leituras que tomamos nesta solenidade apresentam-nos três relatos em que Deus concede à humanidade o pão nosso de cada dia. Assim o ouvimos no sacerdote Melquisedec, quando entrega pão e vinho e abençoa Abraão; São Paulo quando narra a instituição da Eucaristia, no relato mais antigo conhecido da Eucaristia; e no Evangelho quando Jesus abençoa os dons, os multiplica e divide pela multidão. 

A narração paulina permite-nos entrar na consciência de que o pão e vinho não são meros alimentos, mas na consciência da Igreja, tornam-se desde o início sinal de Jesus Cristo, Seu Corpo e seu Sangue, sinais da sua vida e da sua morte. Nesta consciência está o dom de amor de Jesus Cristo que se entrega por nós. A teologia permitiu aprofundar este aspecto e assim sabemos que estes pão e vinho não são meros símbolos, mas sob o pão e o vinho está a presença real e viva de Jesus, em profunda ligação com o mistério Pascal, da sua entrega por nós.

O relato Evangélico é particularmente significativo ao opor a mentalidade dos discípulos com a de Jesus. Diante de uma multidão que necessitava de alimento - talvez com ironia para com os discípulos, o evangelista relata como Jesus, Palavra de Deus, anuncia e cura -  os discípulos pedem a Jesus que mande embora a multidão, para arranjarem alimento. O apelo de Jesus aos discípulos é apelo hoje à Igreja: "dai-lhes vós de comer". E por isso a Igreja celebra a Eucaristia e a entrega às multidões. 

Mas a Igreja, no mesmo espírito da expressão anterior, é convocada, precisamente em virtude da Eucaristia a reconhecer a missão de cuidado para com as multidões. Somos chamados a cuidar das fomes da humanidade e a anunciar o Pão da Vida que Jesus é. Em virtude desta solenidade, e esse o motivo da procissão do Corpo de Deus, as cidades da Europa reconheciam-se na Idade Média como pertença de Deus, em que a Eucaristia era elemento central na vida. 

Hoje não estamos nesse tempo medieval. Mas a nossa missão, neste mundo secularizado, é continuar a anunciar ao coração da humanidade a entrega de Jesus, no seu Mistério pascal, e presente na Eucaristia. 

Saturday, 11 June 2022

O amor, traço divino na humanidade




SANTÍSSIMA TRINDADE – SOLENIDADE


L1: Prov 8, 22-31; Sal 8, 4-5. 6-7. 8-9
L2: Rom 5, 1-5
Ev: Jo 16, 12-15 

A Igreja celebra neste Domingo a festa da Santíssima Trindade. Trata-se para nós cristãos de um mistério central da nossa fé, que nos revela que o nosso Deus é uma comunhão de pessoas em amor. E se Deus é comunhão de amor entre pessoas iguais, então a sua criação apresenta as mesmas características. 

Assim o ouvimos narrar na primeiro leitura, da qual é possível fazer uma tipologia da Trindade a partir desta leitura. De facto, a sabedoria que está na base de toda a criação, surge até nós como um ordenação do criado, com um plano de amor que visa estar com a humanidade. Esta consciência perpassa todo o Antigo Testamento, do qual ouvimos até no salmo como Deus faz do homem "quase um ser divino". 

O cristianismo, após o Mistério Pascal Jesus e descida do Espírito Santo, discerniu ao longo de séculos que o nosso Deus é mesmo comunhão de amor que ultrapassa o nosso entendimento. Mas a consciência de amor habita o profundo da nossa fé, em que ousamos dizer que o Espírito Santo foi derramado no nosso coração, e que Ele mesmo nos fortalece nas tribulações que atravessamos. 

O evangelho retoma esta consciência de uma comunhão com o Pai e o Filho no Espírito Santo. É este último que no nosso coração nos faz compreender a verdade que só pela nossa inteligência não conseguimos ler nem recordar. É ele que agora anima a vida da Igreja. 

Esta festa da Santíssima Trindade, que nos mostra um Deus de Amor, permite-nos pelo menos ler duas consequências. 

A primeira e mais fundamental é que toda a criação é boa e realiza-se no amor. Assim, o pecado, o mal, a inveja e a guerra não fazem parte do plano de Deus e desfiguram a boa obra que Ele fez; isto permite afirmar sem medo que apesar de se passar tantas vezes por um vale de lágrimas, a realidade que vivemos é no seu fundo boa. 

O segundo aspecto da fé na Trindade diz respeito ao cuidado com a nossa criação. Se o nosso Deus é comunhão e amor, constituiu a humanidade como guardiã da sua criação, cuidado que se expressa com a natureza e animais, mas sobretudo com os mais frágeis. Por isso, descartar e ser indiferente à vida mais frágil é também um atentado contra uma ecologia que, como afirma Francisco, se quer integral. 

Saturday, 4 June 2022

Reunidos por um só Espírito

 


DOMINGO DE PENTECOSTES


L 1 At 2, 1-11; Sal 103 (104), 1ab e 24ac. 29bc-30. 31 e 34
L2 1 Cor 12, 3b-7. 12-13 
Ev Jo 20, 19-23

Celebramos a Solenidade de Pentecostes, totalizando os 50 dias da celebração da Páscoa. Este dia é o dia em que ocorre o cumprimento da promessa de Jesus, do envio do Paráclito, do Defensor, daquele que haveria de fazer recordar tudo aquilo que ele nos tinha dito. 

A primeira leitura do Livro dos Actos dos Apóstolos colocam o acontecimento desta festa na data da Festa das Semana ou das Colheitas, festa judaica caracterizada por uma grande alegria, que reunia em Jerusalém judeus de todos os extratos sociais. Estes celebravam nesta festa os 50 dias da chegada ao Monte Sinai, onde Deus deu ao Povo a Lei, estabelecendo assim a Antiga Aliança, como caminho de liberdade e de discernimento do que é Bem do que é Mal. 

É neste contexto que Lucas coloca a festa do Pentecostes, em que os apóstolos recebem a grande promessa de Jesus, o Espírito que os capacita para anunciar a Boa-Nova em todas as línguas, num ambiente de grande alegria e capaz de vencer as barreiras culturais. De muitas línguas forma-se apenas um só Povo, uma grande família que conhece a Deus.

O grande dom do Espírito Santo é animar e reunir-nos a todos como membros de um só corpo, já não pela observância de uma lei, mas partindo do mais profundo do coração humano. É próprio do Espírito de Deus suscitar o perdão dos pecados e trazer a paz, como anuncia Jesus aos Apóstolos. Tudo o que de facto impede a comunhão humana é fruto do pecado e isto é sobretudo o que o caracteriza. 

O amor de Deus, derramado nos corações pelo Seu Espírito, manifesta-se nos seus sete dons, que nos ajudam a orientar a nossa vida para Deus:

  • Sabedoria - Trata-se de conseguir discernir o que é bem do que é mal, qual o caminho da justiça de acordo com o plano de Deus, com a Verdade que Ele nos revela.
  • Entendimento - Mostra-nos o caminho para compreender interiormente as verdades que Deus nos revela. 
  • Ciência - É o dom que nos torna capazes de conhecer o chamamento que Deus nos faz e como lhe procuramos responder.  
  • Conselho - Este dom aperfeiçoa a prudência, de como agir de acordo com a vontade de Deus diante das situações. 
  • Fortaleza - É o dom que nos capacita para viver fielmente diante das dificuldades. 
  • Piedade - É o dom do Espírito Santo que nos orienta para lhe prestar o devido culto a Deus. 
  • Temor de Deus - Este dom reflecte o desejo de querer viver fielmente a Deus, de em tudo procurar a sua vontade, e permite que todos os outros subsistam, pois já diz o salmista "o temor do Senhor é o princípio da Sabedoria". 
Pela vinda do Espírito Santo somos chamamos a ser Igreja, a qual fala a única linguagem do amor de Deus, que reconhece nele a alegria da nossa vida. Que Este renove de facto a face da Terra!

Saturday, 28 May 2022

Olhos no céus e pés na terra


ASCENSÃO DO SENHOR – SOLENIDADE


L1: At 1, 1-11; Sal 46 (47), 2-3. 6-7. 8-9
L2: Ef 1, 17-23 ou Hebr 9, 24-28; 10, 19-23
Ev: Lc 24, 46-53 

A liturgia deste Domingo coloca diante de nós uma dupla narração lucana, em que lemos o texto do evangelho e o texto dos Actos do mesmo autor. A escrita deste relato não é, nem pretende ser neutra, mas levar ao reconhecimento de Jesus como Messias Misericordioso de Deus. 

Vemos neste relato do Evangelho uma narrativa que volta a associar a paixão e a ressurreição de Cristo, mas que agora lhe acrescenta a necessidade do anúncio do arrependimento e o perdão dos pecados, como elemento novo. Traduz para nós um aspecto essencial da libertação que Jesus opera, a de libertar das correntes que impedem de amar. 

Esta missão coloca-se-nos com dois olhares nesta liturgia. No Evangelho vemos uma Igreja que acolhe a benção e louva o Senhor na expectativa da vinda do Espírito, enquanto retorna a Jerusalém. No livro dos Actos, são mesmo os homens vestidos de branco que enviam os apóstolos, de volta a Jerusalém, para acolherem o Espírito Santo. Mas quer um texto quer outro anunciam a missão como universal, de um Deus que não se restringe a um Povo, mas impele, com a força do Espírito Santo, a nossa vida a comunicar aos outros a mais importante notícia. 

A Ascensão, em que celebramos o modo como a nossa humanidade entra no Mistério de Deus, é sinal para nós da nossa meta: a plena comunhão com Deus. Esta Esperança de Amor norteia a nossa vida para um testemunho que chama a nos desinstalarmos para sair de encontro de todos os que precisam de conhecer o anúncio do perdão e da liberdade de Cristo. 


Saturday, 21 May 2022

A paz que só Deus dá




DOMINGO VI DA PÁSCOA


L1: At 15, 1-2. 22-29; Sal 66 (67), 2-3. 5. 6 e 8
L2: Ap 21, 10-14. 22-23 ou Ap 22, 12-14. 16-17. 20
Ev: Jo 14, 23-29 ou Jo 17, 20-26 

A liturgia deste Domingo, no VI Domingo da Páscoa, traz até nós alguns dinamismos da vida da Igreja e sobretudo da presença dos cristãos no mundo. 

A primeira leitura coloca diante de nós um dos primeiros problemas com a comunidade cristã se deparou: a necessidade de manter a prática da antiga aliança da circuncisão. Este problema resolvido sem pressas humanas, é levado à reflexão dos apóstolos, e mediante a comunhão entre todos e com a luz do Espírito Santo, se indica que na nova aliança de Cristo, a antiga prática já não se aplica tal como era; o próprio Paulo exortará mais tarde que a circuncisão agora é a do nosso coração. 

Mas é também significativo nesta leitura como existe a consciência entre todas as Igrejas da fraternidade. É assim que os apóstolos tratam os cristãos de Antioquia, como irmãos. Esta consciência nasce do dom de Cristo na força do Espírito Santo pelo mesmo baptismo. Os cristãos - e todos os que vivem de acordo com a recta consciência - pertencem por isso à mesma cidade, como nos lembra o livro do Apocalipse, onde Deus é a luz e o Cordeiro é a sua lâmpada, ou seja, o meio pelo qual a luz nos chega. 

Esta luz é o amor de Deus, que habita nos nossos corações, pelo Espírito Santo. É Ele que reza em nós e nos traz a paz e a alegria. A paz e a alegria do Espírito são diferentes das do mundo; estas não passam nem alienam de nós nem dos outros, porque estão cheias de amor de Deus. Estas também não têm apenas origem em nós; são-nos dadas e fazem-nos verdadeiros filhos de Deus, frágeis, mas muito amados. 

Friday, 13 May 2022

Como eu vos amei




DOMINGO V DA PÁSCOA


L1: At 14, 21b-27; Sal 144 (145), 8-9. 10-11. 12-13ab
L2: Ap 21, 1-5a
Ev: Jo 13, 31-33a. 34-35


"Só o amor é digno de fé" escrevia um teólogo. Penso que este consciência está intimamente ligada com as leituras que a liturgia coloca diante de nós neste Domingo. De facto, só o amor recebido de Deus e assumido na vida dos apóstolos Paulo e Barnabé permitem compreender a sua entrega de vida, no meio das dificuldades para anunciar a Palavra de Deus e gastarem a sua vida no ensino a todos aqueles que esperam ouvir falar de Deus. É este amor que convoca a comunidade com quem eles partilham a sua notícia, as suas acções e alegrias. 

Este amor orienta a vida dos crentes para uma meta nova a nova Jerusalém, onde não se trata de subir ao céu, qual torre de Babel, mas antes é Deus que faz a sua morada definitiva com os homens e os livra da opressão. Esta esperança de transformação de vida é a de que o amor e a vida são mais fortes que a morte. 

No núcleo do Evangelho bate um coração novo: o coração novo, que proclama um mandamento novo: "amai-vos como eu vos amei"; assim o nosso amor é medido não a partir de nós, mas da entrega de Cristo que se dá totalmente pelos outros. É este amor que desinstala e faz mover os corações empedernidos; este amor sem limites como o Cristo, que coloca o amor como o elemento central da identidade cristã. Assim, no centro da acção cristã não apenas uma busca de perfeccionismo, ou muito menos a busca pelo bem-estar; está o amor, onde se joga a salvação, não só a minha, mas a dos outros. 

Mas talvez a mais importante e relevante experiência está mesmo na fé de acreditar que o Senhor está vivo e o seu amor por nós é uma realidade que não podemos esconder; se assim for, a nossa boca poderá como o salmista proclamar para sempre o nome do Senhor.