Tuesday, 30 March 2021

«Para onde Eu vou, não podes tu seguir-Me por agora; seguir-Me-ás depois».



Terça-feira da Semana Santa 

«Para onde Eu vou, não podes tu seguir-Me por agora; seguir-Me-ás depois». Jesus conhece Pedro melhor do que ele mesmo. Jesus sabe que Pedro vai fraquejar, mas vislumbra nele o que a força da ressurreição irá concretizar. Pedro vai cair, mas o perdão de Deus o renovará para viver na mesma lógica do Filho de Deus, superando o medo da provação. 

Diante das nossas quedas somos convidados a confiar no Senhor. Ele vê sempre a nossa vida no horizonte da eternidade. 

Monday, 29 March 2021

«Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra»



Segunda-feira da Semana Santa

«Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra». Esta frase do profeta Isaías, relativa ao servo sofredor, a Igreja leu-a sempre na figura de Jesus. Ele é aquele que vem em nome de Deus para estabelecer a justiça, ou seja a verdade nas relações. Assim, Jesus, pela força do Espírito Santo em nós, aponta a verdade da relação do homem consigo mesmo, com Deus, com os irmãos e com a terra que habitamos. Em todas estas relações somos chamados a cuidar, a reconhecer o dom de Deus; a justiça é sempre perturbada quando nos tornamos dominadores e opressores em qualquer um destes aspectos. 

Saturday, 27 March 2021

«Na verdade, este homem era Filho de Deus».



DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR


L 1 Is 50, 4-7; Sal 21 (22), 8-9. 17-18a. 19-20. 23-24
L 2 Filip 2, 6-11
Ev Mc 14, 1 – 15, 47 ou Mc 15, 1-39 

Estamos a iniciar uma semana santa, na qual se adensa o Mistério do amor do nosso Deus. Longe de ser uma semana que olhe a cruz como um acontecimento triste e acidental, proclamamos com S. Paulo «Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo». 

As leituras de hoje permitem-nos mostrar que a cruz está no caminho de Cristo com toda a tensão existente de luta interior, mas na certeza de uma entrega sem violências, que carrega, como recorda Isaías, todos os nossos pecados, para nos fazer passar com Ele para uma nova forma de vida. Uma forma de vida em que aceitamos que Deus caminhe connosco na nossa fragilidade. 

Pelo caminho de Cristo até à cruz passam uma série de pessoas: a mulher que trazia o perfume, os discípulos, Judas Iscariotes, os príncipes dos sacerdotes, o homem da casa, a multidão com varapaus, o jovem só com o lençol, os guardas do templo, a criada do sumo sacerdote, Pilatos, a multidão, os soldados romanos, Simão de Cirene, os salteadores crucificados, o Centurião romano, as mulheres de Jerusalém, José de Arimateia, Maria Madalena e Maria, mãe de José. 

A cruz do Senhor descobre diante de todos as intenções de coração, revelando as que são ilusórias bondades, como as de Pedro, e as de fé, como a do centurião romano. Pedro nega Jesus, e com as suas três negações, nega o Mestre, nega os companheiros e nega a sua identidade. Ponto de verdade para o próprio, que reconciliado com todos posteriormente, será referência para a fé dos irmãos; o centurião, por outro lado, ao ver Cristo na cruz, e ao vê-lo entregar o Espírito daquela maneira, confessa que Jesus é o Filho de Deus, e convida-nos a fazer a mesma profissão de fé.

A cruz para os cristãos é sempre sinal da fé, marca a nossa vida, descobre as nossas fundações, para nos fixar e levantar para o alto com o Senhor. Diante da cruz o nosso mundo ferido pode sempre encontrar esperança, pode sempre reconhecer que a nossa fragilidade é chamada a passar com Cristo em espaço de abertura ao amor. 

Friday, 26 March 2021

«E muitos ali acreditaram em Jesus».



Sexta-feira da V Semana da Quaresma

«E muitos ali acreditaram em Jesus». São muitos. E acreditam em Jesus, ou seja, reconhecem nele o Filho de Deus, o caminho que nos leva ao Pai. E até por meio das palavras que João Baptista tinha testemunhado, acreditam nele. 

Acreditar em Jesus é todo o centro do Evangelho segundo S. João. Significa reconhecer em Jesus o caminho para a vida. Sem acreditar, sem esta disponibilidade, sem esta abertura, é impossível abraçar a vida que o Senhor nos quer comunicar. É por isso, que o Senhor nos chama a olhar para os seus sinais, como revelação da sua identidade, os quais recriam a vida. Que também nós saibamos reconhecer os sinais na nossa vida, de Jesus Cristo salvador. 


Thursday, 25 March 2021

«Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra»



Quinta-feira da V Semana da Quaresma
Solenidade da Anunciação do Senhor

«Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra» Celebramos neste dia a descida de Deus à nossa humanidade, por meio da Virgem Maria. Deus rompe a separação entre criador e criatura e aceita envolver-se na nossa condição. Este dia é sempre sinal do amor maior de Deus, que toma a iniciativa de se dar e entregar para chegar à nossa vida. Esta consciência suscita a pergunta de como nos deixamos tocar pelo amor de Deus e aponta-nos que não há aspecto da nossa existência que possa ser deixado de fora numa resposta de fé. 

Por outro lado, este dia aponta-nos parte do sentido de cada "Avé-Maria". O texto de Evangelho mostra que em cada oração em que repetimos as palavras do Anjo, queremos fazer germinar Jesus Cristo em nós, à semelhança do que sucedeu no ventre de Maria. Cada oração é um pedido nosso para que Cristo nos transfigure e nos deixe mais próximos dele, à semelhança do que sucedeu com a Virgem, sua Mãe. 

Wednesday, 24 March 2021

«Se o Filho vos libertar, sereis realmente homens livres.»



Quarta-feira da V semana da Quaresma

«Se o Filho vos libertar, sereis realmente homens livres.» O diálogo de Jesus continua com os judeus, desta vez com aqueles "que acreditaram nele". Longe de apenas um acreditar intimista, Jesus apresenta-se como o redentor, ou seja, o libertador. Todavia, Jesus vem libertar não das cadeias físicas, mas da mentalidade de escravidão do pecado, que torna o homem escravo de si mesmo, das suas inclinações, desejos e mundo solitário. É no amor de Jesus, entregue até ao limite, e por isso incondicional, que cada um encontra a libertação da tentação que tende a fechar cada um. Que o amor incondicional de Jesus não fique condicionado pela nossa incredulidade!

Tuesday, 23 March 2021

«por Mim nada faço, mas falo como o Pai Me ensinou»

 Image by falco from Pixabay 

Terça-feira da V Semana da Quaresma

«por Mim nada faço, mas falo como o Pai Me ensinou». Neste diálogo com os seus interlocutores, Jesus apresenta-se como o homem cuja identidade está na comunhão com o Pai. Jesus não se auto-afirma, afirma antes aquele que ama. Quando o amor toca a nossa vida e a alimenta, experimenta-o como a força que liberta todo o ser na partilha do que se é. Assim é com Jesus: Ele é o homem inteiro e completo, porque vive tudo na relação com o Pai. Também nós possamos aprender com Jesus tudo o que o Pai nos ensina.  

Monday, 22 March 2021

Sem pedestais

Image by Barbara Bonanno from Pixabay 


Segunda-feira da V Semana da Quaresma

«Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Esta frase de Jesus, diante daqueles que lhe queriam preparar uma cilada, evidencia a mentalidade hipócrita dos acusadores, partindo das suas próprias consciências. Porém Jesus coloca a posição dos acusadores, chamando-os a reconhecer o seu pecado e a se perceberem frágeis como aquela mulher. 

O caminho da humildade a que todos somos chamados ajuda-nos a sermos mais irmãos uns dos outros. 

Saturday, 20 March 2021

«Também vos deixastes seduzir?» (Jo 7,47)





Sábado da IV Semana da Quaresma

«Também vos deixastes seduzir?» (Jo 7,47) Esta pergunta que os fariseus colocam aos guardas do templo, que não forma capazes de trazer, traduz vários sentidos. Por um lado, confessa a força que as Palavras de Jesus tinham ao ponto de interpelar profundamente a vida destes homens, vislumbrando o amor do Pai; por outro, a resistência que faz suscitar naqueles "que já têm perfeita noção da realidade", incapazes de ouvir a mesma Palavra. 

De que lado estamos nós?

Friday, 19 March 2021

A glória de Cristo é a nossa resposta fiel

Cristo pintado por S. João da Cruz



DOMINGO V DA QUARESMA


L 1 Jer 31, 31-34; Sal 50 (51), 3-4. 12-13. 14-15
L 2 Hebr 5, 7-9
Ev Jo 12, 20-33 

Estamos em caminhada para a Páscoa, com mais um passo neste Domingo. 

Somos enquadrados neste domingo pela profecia de Jeremias, que é um anúncio de uma nova aliança que Deus havia de fazer com o seu Povo. Nas anteriores, Deus fez aliança mediante vários sinais exteriores - o arco-íris com Noé, os animais divididos ao meio com Abraão, as tábuas da lei com Moisés. Agora a aliança será feita no coração do homem, ou seja a partir da sua inteligência, local onde se encerra o sentido mais profundo das decisões de cada um. 

Deus quer fazer aliança com cada homem, desde o mais profundo das moções interiores, não apenas para um cumprimento exterior da lei, mas sobretudo, para uma comunhão de vida real para com Deus. Ou seja, Deus fará aliança a partir da identidade de cada um, na qual se haveria de revelar como Pai. 

É em Jesus que esta aliança acontece. Os gregos que surgem para ver Jesus, vêm à procura de conhecer a identidade do Mestre. Sempre de salientar o percurso destes que passam por Filipe, por André para chegar a Jesus, sinal que indica a mediação que a Igreja tem missão de ser para os homens de hoje. 

Jesus revela-se a estes homens, não pela descrição da sua personalidade, mas mediante a relação com Deus e a sua missão. Assim vemos como Jesus se apresenta, apontando para momento em que a Hora chegará, que na cruz revelará a Sua glória, como o sinal exterior que abrirá a nova aliança pelo seu sangue derramado. É a vida de Jesus que agora serve de sinal e chave para abrir os corações empedernidos, a qual há-de de atrair todos a si. Esta Hora é por isso cheia de desejo de acontecer, como sinal do amor de Deus, ainda que lutando com a divisão interior do possível medo do sofrimento ou até mesmo da indiferença dos homens. 

Em qualquer caso, Jesus apresenta-se como aquele que vem inaugurar a nova aliança, a qual constitui e revela aos homens a sua vocação: a de se poderem tornar filhos de Deus, ou seja, homens e mulheres em cuja existência reconhecem o amor do Pai, nele confiam apesar de todas as limitações e, mesmo no meio de muitas dificuldades, procuram discernir a vontade de Deus para a sua vida e daqueles que o rodeiam.  

S. João da Cruz, na sua experiência mística, viu a cruz de Cristo, não a partir da imagem de frente, mas segundo a perspetiva do Pai, na qual o Filho está entre o Céu e a terra como Verdadeiro mediador e sacerdote. Por esta cruz, todos nós podemos estar em comunhão com Deus.  

Como S. José, acredita.


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Sexta-feira da IV Semana da Quaresma

Solenidade de S. José

«Quando despertou do sono, José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor.» Mt 1, 24. Neste dia de S. José, vemos a vida deste homem e agradecemos o dom da sua vida no cuidado do Senhor. José é o homem de fé, que escuta a Palavra, e pela promessa nela contida de bem para a humanidade, entrega a sua vida a Deus. Homem de silêncio - jamais lhe conheceremos uma palavra - trabalha e cuida. 

Neste dia somos convidados a deixar que seja a fé a guiar a nossa vida, ou seja, a que a Palavra e vontade de Deus se tornem para nós o chão que percorremos em cada dia. 

Thursday, 18 March 2021

Quando se põe em causa a bondade de Deus...

 


Quinta-feira da IV Semana da Quaresma

«Como podeis acreditar, vós que recebeis glória uns dos outros e não procurais a glória que vem só de Deus?» (Jo 5, 44). A liturgia deste dia coloca-nos diante da ira de Deus contra o seu Povo e a intercessão de Moisés e a incompreensão e rejeição que Jesus sofre por parte dos seus contemporâneos. Na raiz destas duas realidades está a dúvida sobre a real bondade e presença de Deus, de maneira que se tem de procurar subterfúgios que possam proteger a vida. 

A confiança na misericórdia de Deus traduz-se não só pelo perdão, mas é amor sempre presente, mesmo nos momentos mais difíceis na nossa existência. Não deixemos a dúvida de Deus ganhar raízes no nosso coração; estes se se tornam grandes demais provocam grandes danos.  

Wednesday, 17 March 2021

«Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec». (Heb 7,17).

 



Quarta-feira da IV semana da quaresma

«Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec». (Heb 7,17). As leituras deste dia colocam-nos diante de Jesus, como o novo sacerdote. Ele não vem apenas para cumprir a lei, nem sequer se apresenta como sacerdote do templo antigo. Jesus coloca a sua vida como resposta ao amor do Pai para poder realizar a salvação de todos. 

A Tradição da Igreja vê Jesus por isso como sacerdote, não por praticar actos rituais, mas por ser Ele mesmo o mediador entre os homens e Deus. O seu sacerdócio está em nos comunicar a vida do Pai, e nos colocar a nós no seio de Deus Trindade. Não deixemos nada impedir o nosso caminho com Ele e deixemos para trás tudo o que nos impede de viver neste amor. 

Tuesday, 16 March 2021

«Disse-lhe Jesus: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda» (Jo 5, 8)

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Terça-feira da IV Semana da Quaresma

A liturgia de hoje faz-nos olhar para o homem que se encontrava deitado junto da piscina há 38 anos. Esta leitura do evangelho, colocada com o pano de fundo da profecia de Ezequiel da torrente vital de água que brota do templo, aponta-nos que o nosso Deus é um Deus de vivos, que a sua acção e presença rejuvenescem aqueles que se aproximam dele. 

Todavia no Evangelho, Jesus cura um homem que é incapaz de fazer o pedido expresso de ser curado; talvez se tivesse resignado à condição de ficar para sempre prostrado. Sem esta expressão o homem fica sem conhecer Jesus e sem estabelecer afecto por Ele. 

Também na nossa vida, diante dos benefícios que recebemos de Deus podemos correr o risco de ficar sem agradecer, sem afecto com a fonte da vida. Não nos esqueçamos que a nossa vida é sempre dom e que por isso a gratidão faz parte da nossa condição. 

Monday, 15 March 2021

« E acreditou, ele e todos os de sua casa. » (Jo 4, 53)

Segunda-feira da IV Semana da Quaresma

« E acreditou, ele e todos os de sua casa. » (Jo 4, 53) Esta é manifestação do coração do funcionário real que vai ter com Jesus a Cafarnaum e pede que cure o seu filho. E percebe  que na hora em que Jesus pronuncia as palavras de cura, o seu filho fica curado. 

Acreditar em Cristo é acreditar na sua Palavra, a qual vem de Deus e por isso é criadora. . Por isso, não fiquemos à espera de prodígios, mas de escutar a Palavra. Só ela pode fazer as maravilhas que esperamos. 

Saturday, 13 March 2021

«A Cruz permanece intacta enquanto o Mundo dá sua órbita»

 



DOMINGO IV DA QUARESMA


L 1 2 Cr 36, 14-16. 19-23; Sal 136 (137), 1-2. 3. 4-5. 6
L 2 Ef 2, 4-10
Ev Jo 3, 14-21


Na linguagem antiga da Igreja, a cruz era vista como a árvore da vida. A simbologia da árvore da vida remonta ao segundo relato da criação, sendo uma das árvores de que o primeiro Homem estava impedido por Deus de comer dessa árvore, juntamente com a árvore do bem e do mal. A expulsão do jardim do Éden acontece para evitar que o homem pudesse comer dessa árvore e vivesse para sempre (cf. Gen 3, 22). É esta árvore da vida que surge no livro do apocalipse (Ap 22, 14), como prémio a todos aqueles que vivem fielmente. 

Na história humana, como relata a primeira leitura, o afastamento da aliança de Deus levou ao exílio do Povo de Deus para a Babilónia; mas o mesmo texto do livro das Crónicas coloca que Deus é misericordioso, e por meio do Rei Ciro, coloca os meios para o regresso do Povo. O Povo, esquecido de dar o centro a Deus, e levado apenas pelas suas inclinações e satisfações, caminha para a ruína. Mas Deus não abandona o Seu Povo. Em toda a condição humana acabrunhada, permanece a dignidade humana, sempre necessitada de amor e capaz da salvação de Deus. 

É neste contexto, que vemos a acção de Jesus na cruz. Na cruz, Cristo não é apenas assassinado. Não. Na cruz, Cristo assume todos os esquemas e falsidades humanas, tal como a serpente de bronze assumia todas as injurias feitas contra Deus. Deus tem sempre misericórdia para com todos aqueles que a querem receber. É essa mesma misericórdia que está na base da fé e da virtude,  na medida em que ambas fazem parte da resposta de amor a Deus que chama. 

A cruz é para nós cristãos, símbolo da paz, da esperança e da alegria. A cruz é certeza de um Deus que se entrega pelo amor da humanidade. Assim a colocam alguns medievais, onde o Cristo aparece a sorrir (https://willwilltravel.files.wordpress.com/2012/06/christ-souriant.jpg). 

Na caminhada até à Páscoa, neste domingo começamos a vislumbrar a Páscoa, onde antes de toda a consideração moral, está o amor maior de Cristo, a sua entrega, de onde nasce a promessa de atrair todos a si. Dizem os cartuxos «A Cruz permanece intacta enquanto o Mundo dá sua órbita» (Stat crux dum volvitur orbis). Que a cruz na nossa vida esteja encostada com a Cristo; por ela, encontraremos a ressurreição. 

A virtude é obra da misericórdia

 

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Sábado da III semana da Quaresma

«Todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (Lc 18, 14). Entre a procura da verdade na nossa vida, a misericórdia permanece sempre como o chão onde todo o caminho de vida verdadeira de facto acontece. A virtude ou é obra que se alicerça na misericórdia ou torna-se apenas vaidade; assim o fazia o fariseu ao enumerar as conquistazinhas que tinha, mas desprezava o seu semelhante. Para todos, o caminho a que somos chamados é o de entregar a nossa vida, sem nos determos a enumerar orgulhosamente as virtudes alcançadas. Essas já pertencem ao dia de ontem. 

Friday, 12 March 2021

Reconhecer a Deus

 

Photo by Charl Durand from Pexels


Sexta-feira da III semana da Quaresma

«São rectos os caminhos do Senhor: por eles caminham os justos e neles tropeçam os pecadores.» (Os 14, 10). A liturgia deste dia vem chamar-nos à conversão de vida. Conversão, do grego metanoia, significa mudar ou ir para lá da nossa actual mentalidade, para algo novo. É iniciar um novo caminho e querer descobrir uma novidade maior, algo que cada um só inicia quando tem uma forte motivação. 

Na nossa vida, somos chamados a esta renovação, como força que nasce do amor de Deus. Este, quando se torna reconhecido como o primeiro da nossa vida, suscita um alento e entrega de vida, que se expande a para aqueles com quem se partilha a vida. Amar a Deus e ao próximo é a base de uma vida vivida à semelhança de Deus. 


Thursday, 11 March 2021

Não te deixes ficar com o coração duro

 

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Quinta-feira da III Semana da Quaresma

«Mas eles não Me ouviram nem Me prestaram atenção: endureceram a sua cerviz, fizeram pior que seus pais. » (Jer 7, 26). O lamento de Deus a Jeremias é continuado no Evangelho de hoje, quando, mesmo diante do exorcismo de Jesus, a incredulidade dos seus permanece. É o coração, quando não se deixa mover pela bondade, mas permanece por si na aridez do deserto. Não é por acaso que o evangelho refere que o demónio era mudo; é que diante desta forma de vida, a pessoa deixa de se poder comunicar. A humildade e o mansidão fazem abrir a vida ao dom do Espírito Santo.

Wednesday, 10 March 2021

Uma lei de vida




Quarta-feira da III Semana da Quaresma

«Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra.» (Mt 5, 17). Neste dia, as leituras apontam-nos o valor da lei, que brota da experiência da libertação. Guardar a lei é fazer a experiência de caminhar para a vida. Esta lei torna-nos atentos aos outros e a Deus; Jesus vem aperfeiçoa-la, mostrando que a sua aplicação começa no mais íntimo do homem. 


Tuesday, 9 March 2021

o mandamento da misericórdia

Terça-feira da III semana da quaresma

Neste dia, a Palavra do Senhor convida-nos a viver do perdão,  o qual se torna a medida de vida. Reconhecer-se perdoado é condição para perdoar, é olhar as fragilidades dos outros com o mesmo de Deus. A pergunta que fica é: como me deixo mover pela compaixão? 

Monday, 8 March 2021

Não deixes a alma amarfanhada

Image by Gerd Altmann from Pixabay 

Segunda-feira da III Semana da Quaresma

«Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra.» (Lc 4, 24). O apelo de Jesus é forte àqueles que tinham o coração embotado pelas leis religiosas, mas esqueciam-se reconhecer a novidade de Jesus. Deixar embotar a alma pelo dia-a-dia é caminho que nos deixa cegos à revelação que Deus realiza e amarfanha a vocação de cada um. 



Friday, 5 March 2021

Uma casa nova!

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DOMINGO III DA QUARESMA

L 1 Ex 20, 1-17 ou Ex 20, 1-3. 7-8. 12-17; Sal 18 (19), 8. 9. 10. 11
L 2 1 Cor 1, 22-25
Ev Jo 2, 13-25 

As leituras deste Domingo colocam-nos numa lógica de renovação e de liberdade. Assim o vemos na primeira leitura, em que Deus chama Moisés, indicando-lhe o caminho da liberdade por meio dos seus mandamentos, para poderem viver como livres da terra do Egipto. No final destes preceitos está o descanso em Deus, o sábado, como o Dia do Senhor, tempo para ser consagrado a Deus, origem de todas as coisas. Este preceito, indicava, que o Dia do Senhor era o dia do culto, de poder louvar a Deus na liberdade, algo chamado a todos os povos. 

O templo de Jerusalém era espaço de oração para todos os povos, local de encontro com o Pai. Até tinha o pátio do gentios, local onde os não judeus podiam rezar e que provavelmente estes comerciantes ocupavam. Neste evangelho que ouvimos vemos Jesus a expulsar todos aqueles que vendiam o necessário para o culto. Certamente, Jesus já o teria visto muitas vezes, mas só desta vez resolve intervir. 

A purificação que Jesus realiza é a inauguração de um novo templo, que é o Seu corpo. É o Corpo de Jesus, que será agora imolado na cruz e por isso todos aqueles comerciantes já não mais eram necessários. Para nós cristãos, o Corpo de Jesus é a Igreja, a nova casa onde nos encontramos com Deus, onde todos, como o apontava o livro do êxodo, são chamados a viver como Filhos de Deus. 

Podemos ver aqui a vocação da humanidade: Deus prepara um lugar para todos, onde a lógica não é de compra e venda, mas de pai com filho: é a lógica da casa. A vida cristã, antes de procurar cumprir preceitos do Antigo Testamento, vive na consciência de que Deus é amor, e que a nossa vida só ganha sentido quando encontra e testemunha esse amor, até ao fim. O local desse encontro é sempre por Jesus Cristo.