DOMINGO XXVI DO TEMPO COMUM
L 1 Ez 18, 25-28; Sal 24 (25), 4-5. 6-7. 8-9
L 2 Filip 2, 1-11 ou Filip 2, 1-5
Ev Mt 21, 28-32
À vida que recebemos como dom, somos chamados a responder com a vida. Nunca poderá ser menos do que isso, mesmo no meio das maiores dificuldades e contrariedades. Não deixa de ser admirável como é possível encontrar gente felicíssima onde tudo falta, menos a sua entrega.
É aqui que, penso eu, nos encontra a liturgia da palavra deste domingo.
O caminho que o profeta Ezequiel aponta põe a nu o que de facto é a via do pecado: tudo aquilo que leva à perda da dignidade e conduz à morte. Mas em Deus - e para quem vive em comunhão com Ele - ninguém é indiferente. E isso leva-nos à missão de cuidar uns dos outros, pois somos chamados a caminhar em conjunto. É por isso que a correção fraterna, quando feita com cuidado e caridade é tão importante na nossa vida.
Mas as leituras deste Domingo colocam o acento na conversão pessoal, ou seja, na procura sempre maior de um bem, rejeitando o que é mal. E no entanto, como isto é difícil e só possível com o amor de Deus. Tão difícil é que tantas vezes achamos que os outros - e até nós também - já não é possível acontecer uma mudança de vida. O argumento de que sempre foi assim, ou melhor, de que sempre fui assim, contribui para o desânimo e tristeza de quem acaba por viver a sua vida longe de Deus. O Papa Francisco lembra que quando não há arrependimento do pecado começa a gerar-se a corrupção da pessoa(Jorge Bergolio, A arte da acusação de si mesmo). A força da mudança vem de dentro, do Deus que nos habita e nos capacita a acreditar sempre na possibilidade do bem, de viver em comunhão com Deus.
Esta realidade é ilustrada na bela parábola que o Evangelho narra. Ambos os irmãos são chamados pelo Pai, como filhos a trabalhar na vinha, local onde se cuida das fontes da festa e da alegria pelo vinho que se produz . E Deus envia-nos a trabalhar pela alegria, e esta precisa da nossa entrega.
Ao chamamento feito, os irmãos têm atitudes opostas. Um diz que não, arrepende-se e via; o outro diz que sim, mas não vai. Mas o Filho de Deus, Jesus Cristo, diz que sim e cumpre a vontade do Pai. O Evangelho ensina-nos que a vida não se pode ficar em palavras vazias, mas em acções que busquem responder ao chamamento de Deus. Todavia cumprir a vontade de Deus não significa fazer uns favores ao altíssimo... Cumprir a vontade de Deus é procurar manter abertos os canais da relação com o amor de Deus. É isto que acontece em Jesus, Ele vem para cumprir a vontade do Pai. De facto, é esta a vocação de Jesus.
Só quando procuramos responder à voz de Deus que chama, mesmo no meio das nossas contradições, é que a vida cristã pode de facto acontecer, sempre por graça da misericórdia divina. Quando a nossa acção é feita sem este chamamento, mas por rivalidades ou outras coisas afins, como refere São Paulo, gera-se divisão e discórdia. O modelo da resposta é para nós claro: é a vida do Senhor, entregue até ao fim, que nos salvou pelo seu amor. E como foi totalmente entregue, é totalmente fecunda na geração de vida nova. E é isto que celebramos na eucaristia.



