Friday, 27 September 2024

Para acolher a verdade de porta aberta





DOMINGO XXVI DO TEMPO COMUM


L 1 Nm 11, 25-29; Sl 18 (19), 8. 10. 12-13. 14
L 2 Tg 5, 1-6
Ev Mc 9, 38-43. 45. 47-48


As leituras deste Domingo mostram-nos como a verdade que Deus nos revela se expande, não conhece fronteiras e é capaz de iluminar todos os corações. Por vezes, esta verdade deixa-nos desconfortáveis e chama-nos a viver de outra maneira.

A primeira leitura descreve como Deus atende ao pedido de Moisés, quando este se vê incapaz de responder às necessidades do Povo e clama a Deus por ajuda. Deus ouve-o e reparte o Seu Espírito de profecia aos setenta anciãos do Povo que estão reunidos com ele, e a mais dois que não estavam presentes, mas que permaneceram fora. Notemos que o Espírito de Deus, o Espírito de profecia, dota aqueles que estão com o Povo da capacidade de anunciar, cuidar e orientar os mais frágeis. Trata-se de uma transformação importante: são setenta e dois, número que representa a totalidade das gentes.

A missão de sermos luz uns para os outros implica uma relação mútua, na partilha da vida e na disposição de abrir a porta a todos os que proclamam a verdade e nos desafiam. O Espírito de Deus não se restringe a paredes fechadas, mas impele-nos a ser cuidadores dos que nos rodeiam, com as nossas palavras e ações.

O Evangelho apresenta-nos como Jesus ajuda os discípulos a superarem a tentação de se centrarem em si mesmos e se verem como um grupo fechado. Eles, que anteriormente não tinham conseguido expulsar um demónio mudo, agora pretendem impedir alguém que, em nome de Jesus, expulsasse um demónio. O curioso é que os impedem porque essa pessoa "não nos segue" e não por "não seguir Jesus", que é o elemento central deste Evangelho.

Neste contexto, quem promove caminhos de verdade e união está sempre com Jesus, reconhecendo-O na Sua autoridade de verdade e vida. O contrário é precisamente o escândalo, expressão que, em grego, designa o bloqueio de uma roda, impedindo-a de funcionar. O risco do escândalo dirige-se, em primeiro lugar, para os mais frágeis, aqueles que devemos cuidar, os mais simples que necessitam de apoio. Mas cada um deve também ter o cuidado de não se bloquear com as suas ações, caminhos e desejos, procurando viver em comunhão com Deus, deixando que o Seu amor ganhe raízes em nós e nos abra à novidade permanente do Espírito.

Como comunidade cristã, o apelo é o mesmo: sair de uma consciência de grupo fechado e procurar caminhos de abertura que facilitem o encontro com Deus para a humanidade. Nem sempre é fácil sintonizar esforços e capacidades, mas o Espírito de Deus mostra-nos e torna-nos capazes de viver a vocação de sermos sal da terra e luz do mundo.