DOMINGO XVIII DO TEMPO COMUM
L 1 Is 55, 1-3; Sal 144 (145), 8-9. 15-16. 17-18
L 2 Rom 8, 35. 37-39
Ev Mt 14, 13-21
Ressoar do mar é um espaço de partilha sobre textos bíblicos, nestes grandes mares que atravessamos, que é o nosso tempo e nosso mundo. Aos mares é uma ressonância do "faz-te ao largo (Lc 5, 4)", ao mar alto, ao local onde a profundidade se conjuga com o risco e o verdadeiro sabor da vida.
L 1 Is 55, 1-3; Sal 144 (145), 8-9. 15-16. 17-18
L 2 Rom 8, 35. 37-39
Ev Mt 14, 13-21
L 1 1 Reis 3, 5. 7-12; Sal 118 (119), 57 e 72. 76-77. 127-128. 129-130
L 2 Rom 8, 28-30
Ev Mt 13, 44-52 ou Mt 13, 44-46
As leituras deste domingo colocam-nos diante do discernimento de vida. A primeira leitura relata o episódio em que o jovem rei Salomão humildemente reconhece a sua limitação perante a grande missão que tem a cargo. Consciente da sua missão e responsabilidade, Salomão pede inteligência para poder distinguir o bem do mal e assim cuidar do Povo que não é dele, mas de Deus. É Deus quem nomeia a sabedoria como o dom que o jovem Rei pede e o capacita para a missão que este vai abraçar.
Sabedoria para escolher e administrar a vida parecem ser o centro do evangelho deste Domingo. Se Salomão não pede ouro, nem outras coisas que lhe poderiam trazer fama (apenas a ele e o compensassem na sua insegurança), o Evangelho alarga o horizonte para o verdadeiro tesouro da vida ou da pérola preciosa que justifica vender tudo para os poder adquirir. Caminho de renúncia e de libertação por um bem maior intuído e ainda não possuído, onde escolher implica renunciar ao que já se pensa dominar para tomar caminho novo. A terceira analogia alarga todavia esta compreensão: este dinamismo de vida não é apenas para alguns. Todos fazemos parte da história, todos fazemos parte do Reino de Deus, criados à imagem divina e chamados a uma esperança sempre maior.
Certamente que não se trata de arranjar escusas para proselitismos de querer forçar conversões, nem a parábola creio que aí quer chegar. Trata-se de uma questão de justiça, ou seja, de procurar viver de acordo com o maior Bem em que se acredita, o que vai sempre implicar renunciar a si mesmo, para experimentar o Mistério da Vida. É por isso que precisamos de sabedoria: Para poder ser justos e escolher da melhor forma.
Para um cristão, todavia, a sabedoria tem um nome e é uma pessoa: Jesus Cristo. É o Filho de Deus, que procura viver na comunhão com o maior Bem, o amor pelo Pai e amor do Pai pela humanidade. É por Ele, Cristo, que fomos predestinados, chamados, justificados e glorificados. Nele recebemos o tesouro do amor que vale a vida; é este o maior bem dos cristãos; é esta a justiça a que somos chamados e que como Salomão pedimos sabedoria para nunca abandonar e fazer crescer na vida.
L 1 Sab 12, 13. 16-19; Sal 85 (86), 5-6. 9-10. 15-16a
L 2 Rom 8, 26-27
Ev Mt 13, 24-43 ou Mt 13, 24-30
L 1 Is 55, 10-11; Sal 64 (65), 10abcd. 10e-11. 12-13. 14
L 2 Rom 8, 18-23
Ev Mt 13, 1-23 ou Mt 13, 1-9

L 1 Zac 9, 9-10; Sal 144 (145), 1-2. 8-9. 10-11. 13cd-14
L 2 Rom 8, 9. 11-13
Ev Mt 11, 25-30
Ao se olhar a história da humanidade é possível constatar que o exercício do poder e do domínio sobre outros são realidades persistentes ao longo da história. Todavia não é algo que pertença apenas à história humana, mas assistimos a isso em outras formas de vida - por exemplo, na colónias de abelhas ou alcateias. Como tal a questão não pode ser apenas colocada no sentido de abolir estes dinamismos, sob pena de se estar a combater, como D. Quixote, moinhos de vento, mas de perceber o valor presente, e sobretudo perceber como isso interpela a nossa vida de fé.
As leituras que nos são colocadas aqui fazem uma apologia à alegria, à humildade, à paz. Pode parecer ridículo, mas querem transmitir um estilo de vida (e um amor) que nos colocam de pés bem assentes na terra, longe da ingenuidade aparente.
Uma das grandes características que atravessam o texto é a certeza de que a vida humana é atravessada, não pela lógica estreita da auto-suficiência, mas da capacidade de alegria por um salvador, que contrariando a lógica dos grandes exércitos, nos revela a essência de vida na procura da humildade. Recordemos que a profecia de Zacarias é escrita em contraposição à demonstração de poder de Alexandre Magno ao atravessar a costa palestiniana no sec IV a. C.
Humildade, que deriva da palavra latina humus - terra, solo -, não significa auto-desprezo por si, mas é, na tradição da espiritualidade cristã, sinónimo de verdade, reconhecimento dos próprios limites, para aí poder acontecer o crescimento. A humildade é extremamente fecunda, descentra-nos do eu "omnipotente", para ser capaz de gerar capacidade de relação, gratidão e louvor. A humildade gera sabedoria e faz-nos reconhecer como limitados, mas abertos ao futuro. Quem tudo sabe, já nada aprende nem vê. É também nesta linha que vemos a mansidão que Jesus nos revela que a virtude está mais na capacidade não de lutar contra alguém, mas de lutar pelo bem e procurar a paz, condição de possibilidade para existência humana.
É esta a omnipotência que descobrimos Jesus, Filho de Deus como humilde e cheio de mansidão (Mt 11, 29), capaz de transbordar de alegria (exomologeó - intimamente convencido e abertamente professado) pelo bem que vê a acontecer nos outros e a convidar-nos para com ele entrar nesta forma de vida.
Nesta lógica, o poder já não pode ser visto como opressão, mas antes serviço pelo bem-comum, capaz de com autoridade fazer crescer a vida nos outros.