Thursday, 28 January 2021

Jesus tem tudo a ver connosco!

Image by Pavel Bolotovskii from Pixabay 



DOMINGO IV DO TEMPO COMUM


L 1 Deut 18, 15-20; Sal 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9
L 2 1 Cor 7, 32-35
Ev Mc 1, 21-28

 A liturgia deste Domingo manifesta-nos a promessa pela boca de Moisés - Messias - de um novo profeta como ele. Este profeta seria portanto um profeta que iria iniciar uma nova aliança. No contexto do livro do Deuteronómio, a centralidade é clara à volta de um lugar de culto, do templo de Jerusalém. Neste livro se volta a sublinhar o lugar da aliança que Deus celebrou com o povo Hebreu. No contexto que o ouvimos, este lugar agora é Jesus, o novo templo de Deus, em quem vemos o rosto do Pai. 

Jesus vem anunciar as palavras do Pai e fazer de nós templos da sua morada. E assim pelo baptismo, a nossa vida fica chamada a ser reflexo do seu amor. Para isto acontecer é necessário deixar que a Palavra de Deus entre em nós e crie raízes e possa rebentar até frutificar na transformação dos critérios que nos guiam. 

Não fazemos apenas porém na lógica de uma moral imposta; a moral, sem ser secundária, é segunda, diz a Comissão Teológica Internacional. Primeiro está sempre o chamamento de que Deus nos ama e faz sentir o seu amor pelas Palavras que chegam do seu coração paterno, pela boca do Seu Filho Jesus. 

Assim vemos a missão de Jesus que vai a Cafarnaum, lugar de importância elevada no tempo de Jesus. E diante da história do Povo de Deus, o grito do endemoninhado é tão mentiroso. Jesus tem tudo a ver com cada um, pois Ele vem para ser a Palavra do amor do Pai. Ele desce à nossa condição para nos fazer subir com Ele, caminhando na esperança do Encontro final com o Pai e na entrega de vida em cada dia. 

Na autoridade de Jesus, vemos a sua revelação de Salvador para nós. Ele manifesta o seu poder sobre o mal para nos fazer entrar no Reino de Seu Pai. Que a sua Palavra vá entrando em nós e possa expulsar de nós o mal, de modo a reconhecer quanto o amor de Deus nos quer. 


Saturday, 23 January 2021

Palavra da Salvação!

Cruz com o mar da Galileia ao fundo - Image by KaPilz from Pixabay 



DOMINGO III DO TEMPO COMUM
Domingo da Palavra de Deus


L 1 Jonas 3, 1-5. 10; Sal 24 (25), 4bc-5ab. 6-7bc. 8-9
L 2 1 Cor 7, 29-31
Ev Mc 1, 14-20 

Este Domingo convida-nos a olhar para a Palavra de Deus, a qual é criadora de vida. De facto, a Palavra de Deus é a única que "diz e faz" e pela qual tudo existe. Como tal, a Palavra de Deus é identificada como o próprio Cristo que é o grande Verbo que Deus dá a humanidade. Jesus é a Palavra que nos dá o caminho da vida. 

Vemos a Palavra de Deus em acção nestas leituras por meio de Jonas, que embora contrariado, vai anunciar à cidade vizinha de Nínive, ou seja, fora do Povo Judeu, a conversão. Conversão que não significa fazer a vontade de um Deus tirânico, mas de voltar a colocar no centro a bondade criadora, que todo o homem conhece desde dentro de si. É esta bondade original que abre os ouvidos e põe os Ninivitas em estado de transformação radical, para os fazer viver na radicalidade e simplicidade de vida. 

A conversão permite descobrir como é frágil a nossa vida e como são frágeis os caminhos do bem. Estes caminhos, embora frágeis, são caminhos de sustentam a vida e quando assentes na humildade confiante permitem estruturar a vida no amor. De facto, se, como Diz S. Paulo, tudo na nossa vida é passageiro, o amor que nos espera no encontro com Deus é eterno. A consciência de que tudo é passageiro não nos demite na nossa entrega aqui; pelo contrário, faz-nos querer antecipar a o Reino de Deus já aqui, faz-nos abrir as portas para deixarmos o Senhor Jesus passar junto de nós e nos chamar para estar com Ele. 

Assim o vemos em Jesus: Ele vem chamar à conversão, pois o Reino de Deus está próximo. De facto, é Jesus que vem inaugurar no coração de cada um a nova aliança no seu Sangue da confiança do amor de Deus. Confiança, que hoje é tão necessária nos tempos de provação e sofrimento que vivemos. Ao apelo de Jesus, os discípulos entregam-se resolutamente, deixando as suas certezas para viver de uma relação aberta a toda a humanidade.

Hoje é a Igreja, cujas portas de madeira estarão fechadas por agora, que tem a missão de continuar a ser anunciadora do bem que Deus quer trazer à humanidade, a levar a Palavra que revela o tesouro que Deus deposita dentro de cada um. 

Saturday, 16 January 2021

Um dia de cada vez na Casa do Mestre

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DOMINGO II DO TEMPO COMUM


L 1 1 Sam 3, 3b-10. 19; Sal 39 (40), 2 e 4ab. 7-8a. 8b-9. 10-11
L 2 1 Cor 6, 13c-15a. 17-20
Ev Jo 1, 35-42 

A vocação, longe de ser uma realidade para uns escolhidos, diz respeito a todos nós. Assim o ouvimos  em relação a Samuel, chamamento repetido por três vezes ao profeta, que ainda não estava iniciado no encontro com Deus. É o próprio sacerdote com quem ele vive que dá ao jovem as palavras da resposta a Deus. Realidade importante esta: a de ensinar a rezar, a falar com Deus, realidade que precisa de ajuda e que responde ao profundo anseio humano de encontro com Deus. 

Do mesmo modo, o Evangelho coloca João Baptista a apontar Jesus como o Cordeiro de Deus, dado que leva os seus discípulos a seguirem o novo Mestre. À procura dos discípulos, Jesus convida a entrar na sua casa e a ficar um dia de cada vez na sua presença. Lugar de intimidade e partilha de vida, lugar crescimento e amizade. É neste ambiente que os discípulos descobrem a sua verdade e identidade e correm a buscar outros para conhecerem o mestre. É que que Simão recebe o seu novo nome, como Pedra, lugar de refúgio. 

Começa-se logo a ver que Jesus dá pelo nome de cada um a missão a que o designa. Pedro será o símbolo da Igreja, lugar de reunião e refúgio para as multidões que desejam aprender a voz de Deus, a integrar-se num novo corpo e sociedade, a reproduzir a casa do Mestre. 

É desta nova casa que se aprende também uma nova vida, que foge da imoralidade de objetificar os outros, aprende que o corpo é lugar de relação e templo onde a pessoa se encontra com Deus. 

A liturgia deste domingo faz-nos recordar o lugar da vocação na nossa vida. Somos chamados a viver abertos à relação com o Pai na casa de Jesus que nos ensina a partilhar o pão de cada dia. Desta lógica só pode resultar um coração aberto e compassivo aos irmãos, que se dispõe a testemunhar a vida que leva dentro. 

Friday, 8 January 2021

filhos no Filho de Deus




DOMINGO do Batismo do Senhor


L 1 Is 42, 1-4. 6-7; Sal 28 (29), 1-2. 3ac-4. 3b e 9b-10
L 2 At 10, 34-38
Ev Mc 1, 7-11

Assinalamos o baptismo do Senhor como o terceiro momento da Epifania, ou seja, da revelação de Jesus como Filho de Deus que vem para nos salvar. O primeiro diz respeito à manifestação feita aos Magos, o segundo no templo, na consagração do primogénito ao Senhor, e o terceiro no momento do Baptismo em que o Pai revela Jesus como Filho de Deus.

Este momento está precedido da acção de João, a quem acorrem as pessoas para serem baptizadas com vista a serem perdoados os pecados. Mas João sabe que é apenas aquele que prepara o caminho, que não é digno de "desatar as correias das suas sandálias". Aqui podemos ver a imagem da humildade, mas também, de acordo com a história bíblica, descobrir que o acto de desatar as sandálias tem conotação esponsal. Assim, o esposo da humanidade e da Igreja é Jesus e não João (cf. A. Couto, Quando Ele nos abre as escrituras. Ano B, p.157-158). 

Jesus entra na nossa humanidade e podemos até dizer que se coloca na fila dos pecadores à espera de ser baptizado. No seu Baptismo está o sinal de santificação das águas nas quais havíamos nós de ser baptizados. Ele aceita mergulhar até ao limite da nossa fragilidade para se constituir como mediador entre nós e o Pai. Por Jesus, somos feitos Filhos adoptivos de Deus, na entrega total que faz de si ao Pai. 

O profeta Isaías carateriza de forma muito bela a missão do Messias. Este não vem para acabar de sancionar, mas é chamado para levar a justiça - palavra repetida por quatro ocasiões na leitura que ouvimos - às nações. Não a justiça do castigo, mas do resgate e do ensinamento para construir com uma luz nova. 

O Baptismo do Senhor é ocasião para nos ajudar a discernir como vivemos a nossa condição de filhos adoptivos de Deus e que significado tem a paternidade de Deus na nossa vida. É viver na presença do Mistério de Amor, alicerçados em Jesus Cristo, para deixar brilhar em nós a força do Espírito Santo. É deixar e procurar viver na presença de Deus, que nunca deixa de nos amar e continuar procurar a nossa libertação. Deixemos a luz de Deus revelar-se em nós para a humanidade. 

Saturday, 2 January 2021

«Ser, amar e adorar» Teilhard de Chardin

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DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR


L 1 Is 60, 1-6; Sal 71 (72), 2. 7-8. 10-11. 12-13
L 2 Ef 3, 2-3a. 5-6
Ev Mt 2, 1-12 

Neste caminho da celebração do tempo de Natal, contemplamos a revelação que Deus faz de si aos homens em jesus Cristo. Em Jesus, Deus assume a nossa humanidade e revela o seu amor, até ao limite no mistério da cruz. Nesta etapa somos convidados a olhar para os magos que seguem a estrela que aponta o mistério da luz que o Senhor traz e que vem cumprir a profecia da salvação universal de Deus no livro dos Números 

Esta estrela é seguida por Magos, ou seja pela figuras que não pertencem ao Povo Judeu e que partem ao encontro daquele que é a razão de tudo ser. Começamos a ver aqui a cumprir-se o universalismo do profeta Isaías, que profetiza que viriam de todas as terras colocar-se debaixo da luz que brilha de Jerusalém. Assim são estas figuras, magos que simbolizam toda a humanidade e onde está cada um de nós a quem chegou a voz do Evangelho que nos dá e torna presente na nossa vida o salvador. 

No meio das suas buscas, vêm adorar o Salvador, sem fazer mais perguntas. Só lhes basta saber onde ele está. A nossa vida precisa de saber viver na adoração; a nossa adoração a Deus não é como a prestada aos ídolos nem tão pouco um clamor de palavras repetidas. A adoração significa deixar transbordar do coração a amor que nele vive em acção de graças pelo dom recebido e partilhado e que se não é expressado corre o risco de morrer. É expressão de quem reconhece de que há alguém maior do que nós, cuja presença e ensinamento orienta a nossa vida. Como tal, a adoração é espaço para o crescimento da fé. 

Teilhard de Chardin, no seu livro sobre a vida feliz, coloca que o caminho para a felicidade necessita de três passos: «ser, amar e adorar». 1. Ser, ou seja reconhecer a si mesmo, na sua própria dignidade, no amor recebido, nos desejos que se sentem, no dom que se é; 2. Amar, ou seja, entregar-se com o que se é ao outro, pelo bem do outro; 3. Adorar, reconhecendo que a nossa vida vive de Deus, que é maior do que nós, que nos guia e a quem prestamos a obediência filial para descobrir o amor. 

Quem assim vive descobre como os magos que os caminhos de regresso à vida de cada dia são diferentes daqueles de que partimos e que o nosso coração se dilata para abraçar a humanidade.