DOMINGO VII DA PÁSCOA
ASCENSÃO DO SENHOR – SOLENIDADE
L 1: At 1, 1-11; Sl 46 (47), 2-3. 6-7. 8-9
L 2: Ef 1, 17-23
Ev: Mt 28, 16-20
"Olhos no céu, pés na terra" é a expressão que nos pode ajudar a viver a liturgia deste dia da Ascensão do Senhor. Celebramos o dia da Ascensão do Senhor não apenas como um movimento físico, mas com o significado profundo que carrega: Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, entra no seio de Deus, de onde tinha saído, regressando com a nossa humanidade. Por Ele, único mediador da humanidade, é dada a cada um de nós a possibilidade de vivermos com Deus.
Por isso, é grande a esperança a que fomos chamados, como anuncia São Paulo na Carta aos Efésios: a comunhão com o mistério de amor revelado em Deus. Acima de todas as tribulações e dificuldades está a vida eterna com Deus.
Mas esta realidade não nos tira os pés da terra. Vemos isso no mandato do Senhor ao enviar os discípulos a evangelizar, com a força do Espírito Santo, como testemunhas por toda a terra. É importante o uso do termo "testemunhas", palavra que envolve a vida do próprio e que, no grego (língua em que o NT foi escrito), se aproxima da palavra "martírio". Evangelizar nunca é cumprir uma tarefa, mas envolve transmitir vida. É com a graça do Espírito Santo, mas também com a nossa vida, que a Palavra de Deus é anunciada. E isto exige, por isso, também criatividade.
A Igreja celebra este domingo o Dia Mundial das Comunicações Sociais, como meio no qual a voz do Evangelho, da construção da paz e da harmonia deve estar presente. Podemos sempre perguntar que uso fazemos destes meios, quer os mais tradicionais, quer os mais recentes, como as redes sociais e agora até a inteligência artificial. No documento que o Papa Francisco nos dirige este ano, este reconhece o valor que a IA pode dar no auxílio da humanidade, mas também o risco de anular a criatividade humana e o pensamento crítico. E recorda-nos que a questão de fundo não é tanto o que a IA pode fazer, mas o que nós podemos fazer com esta tecnologia, sabendo que existe o risco de cedermos à preguiça do pensamento e à pressa dos resultados.
Que, com pés no chão e olhos no céu, não deixemos de sonhar como a criatividade e a capacidade humana podem ser preservadas e cuidadas para o anúncio da vida verdadeira que Deus nos dá.



