ASCENSÃO DO SENHOR – SOLENIDADE
L1: At 1, 1-11; Sal 46 (47), 2-3. 6-7. 8-9
L2: Ef 1, 17-23 ou Hebr 9, 24-28; 10, 19-23
Ev: Lc 24, 46-53
Celebramos o Domingo da Ascensão do Senhor, acontecimento teológico que marca a entrada da nossa humanidade em Deus. O Verbo de Deus fez-Se homem, habitou entre nós, entregou-Se por nós na cruz, ressuscitou e elevou-Se, levando a nossa humanidade até ao seio da Trindade, de onde, com o Pai, envia o Seu Espírito. É, por isso, uma data singular na celebração do Mistério da Salvação.
Esta liturgia convida-nos a contemplar toda a acção de Deus. O texto dos Atos dos Apóstolos diz-nos que, neste tempo que antecede a Ascensão, o Senhor continuava a instruir os discípulos sobre o Reino de Deus. Este Reino manifesta-se no meio de nós, na nossa vida. A Ascensão faz-nos olhar para o Céu, sim, mas também envia os discípulos como testemunhas por toda a terra. Esta é a novidade radical do cristianismo: todos são chamados ao encontro com Jesus Cristo, que perdoa e quer que todos participem da vida divina.
Este texto coloca-nos, assim, diante de um dinamismo que, embora possa parecer estranho aos dias de hoje, é vivência constante da Igreja. O anúncio do Evangelho — com palavras e com a vida — deve ser transparência do rosto misericordioso de Deus e apelo à adesão a Jesus Cristo, para "todos, todos, todos". Ele traduz um aspecto essencial da libertação que Jesus nos oferece: a libertação das correntes que impedem o amor. Trata-se, pois, de fazer crescer no nosso mundo as forças já presentes do Reino de Deus e de promover a difusão da fé em Jesus Cristo — razão pela qual celebramos hoje o Dia Mundial dos Meios de Comunicação Social.
Por outro lado, este tempo leva-nos a olhar para o Evangelho, para a bênção que Jesus dirige aos discípulos ao enviá-los a anunciar a conversão a todos os povos, até ao Seu regresso. A Igreja vive, assim, na expectativa do retorno de Jesus Cristo — como juiz e salvador, como o desejado dos nossos corações — e proclama esta esperança em cada Eucaristia.
Por fim, os discípulos aguardam a vinda do Espírito Santo, a força pessoal de Deus, Aquele que nos reveste da Sua presença para anunciarmos o Evangelho. Não o fazemos sozinhos, mas acompanhados por Deus. Outro aspeto importante é a ligação desta celebração à tradicional Festa da Espiga, que simboliza a abundância de pão, de sustento, de tudo o que é necessário para a vida florescer.
Fiquemos, pois, de olhos no Céu — para onde a vida de Deus nos orienta — e com os pés na terra, testemunhando o amor de Deus entre aqueles a quem somos enviados.




