DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM
L 1 Sb 1, 13-15: 2, 23-24; Sl 29 (30), 2 e 4. 5-6. 11-12a e 13b
L 2 2Cor 8, 7. 9. 13-15
Ev Mc 5, 21-43 ou Mc 5, 21-24. 35b-43
A liturgia da palavra do próximo domingo apresenta-nos Jesus como aquele que renova todas as coisas (cf. Ap. 21, 5). A consciência bíblica da bondade da Criação é um dos elementos mais importantes de toda a Sagrada Escritura, sendo que o mal entra nesta sempre como uma perturbação da ordem existente, por "inveja", ou seja, por não aceitar o bem alheio.
Jesus nunca dá explicações sobre a origem do mal. Assume a nossa humanidade e fragilidade e caminha no meio da multidão, que espera escutar a sua palavra. É desta multidão, onde também nós nos incluímos, que surge o pedido dramático do chefe da sinagoga, cuja filha está em risco de vida. É novamente, tal como ouvíamos na semana passada, um pedido de clamor no meio de uma situação limite, de vida ou de morte.
A história desta mulher que sofria de um fluxo de sangue, conhecida por hemorrísa, surge como o núcleo explicador de todo o evangelho que escutamos. Ela, que deveria, em virtude da impureza ritual de perder sangue, estar privada de todo o contacto físico, tem a ousadia de quebrar a lei mosaica para tocar em Jesus. Do ponto de vista da lei do Antigo Testamento, Jesus também ficaria em impureza ritual. Mas, a esta limitação, vemos a fé daquela mulher que toca em Jesus e o poder transformador do Mestre que toca a sua fragilidade e motivo de exclusão. Bela parábola da misericórdia divina!
Notemos também que a reação final desta mulher é o medo e o tremor por ter sido curada, com o convite de Jesus a não temer e a confiar. O centro do Evangelho é precisamente o convite à fé: "Não temas; basta que tenhas fé", diz Jesus ao chefe da sinagoga, diante da notícia da morte da filha e para deixar de estar com Jesus.
O evangelho contrapõe ainda a atitude da hemorrísa com a das pessoas que estavam na casa do chefe da sinagoga, que se riram de Jesus e que, por isso, ficaram privadas de ver o milagre acontecer. Só a fé permite ver acontecer os milagres de Deus no meio das dificuldades que tocamos. Novamente, Jesus manda levantar a menina, voltando esta a integrar a comunidade.
Notemos que, para além do óbvio amor paternal, podemos ler aqui a imagem de uma comunidade que se envolve com os seus membros, que reza por eles, e que nos convida a passar de membros anónimos da multidão para fazer a experiência de Povo de Deus.
Paulo é especialmente veemente nesta consciência comunitária, no apelo que faz à vida partilhada, mediante o exemplo de Cristo que vem para nos enriquecer com a sua pobreza; já cada um é chamado a partilhar os seus dons, sejam eles quais forem, com os demais para benefício dos outros. A fé dispõe-nos a acreditar em Deus, a ousar a fraternidade no meio das dificuldades e a construir comunidades novas e renovadas.


