DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM
L 1 2Rs 4, 8-11. 14-16a; Sl 88 (89), 2-3. 16-17. 18-19
L 2 Rm 6, 3-4. 8-11
Ev Mt 10, 37-42
Um Deus que nos acolhe como seus filhos e que quer ser acolhido. O desejo humano profundo de se sentir acolhido, tal como se é, património comum de todos a humanidade. Esta parece ser a tónica de fundo da liturgia da Palavra.
Assim o vemos na primeira leitura, que nos fala do profeta Eliseu que é acolhido num espaço para ele se sentir repousado. Notemos que Eliseu já era bem tratado nesta casa, mas a radicalidade desta mulher de Sunam é diferente. Ela acolhe-o com um cuidado extremo, por ele ser sinal de Deus. É neste cuidado que esta mulher vê emergir o dom de Deus, da sua maternidade, da vida que dada e cuidada, cresce. Trata-se de facto, de acolher na casa e no coração.
O evangelho retoma o cuidado do acolhimento aos mensageiros de Jesus; aqui porém, os mensageiros têm por missão tornar Cristo presente, assim como Cristo, torna Deus presente para nós. É por causa da sua acção, que Deus não pode nunca deixar de recompensar aqueles que acolhem,seja com os seus dons, mas sobretudo com os seus corações, os seus mensageiros.
Todavia, ao mensageiro não basta falar de Jesus. É preciso que o coração dos que anunciam também vibre nesta mesma tónica. Eles, ou melhor, cada um nós, é chamado a reconhecer a centralidade do amor de Deus no coração - não se trata de desprezar os irmãos, pois ninguém ama a Deus que não vê, se não ama os irmãos que vê (cf. 1 Jo 4, 20) -, mas reconhecer que Deus é a própria fonte do amor, da verdade e da beleza; quem tem esta consciência não diviniza o que é próprio do humano, seja para o bem, que é sempre limitado, seja nas dificuldades, pois o nosso amor humano é isso mesmo: embora tesouro imenso, é sempre limitado. Só Deus ama sem limites, como recorda São Agostinho quando descreve como o nosso coração humano apenas repousa em Deus. De facto, quanto mais formos de Deus, mais seremos da humanidade, sendo que a alternativa é tantas vezes idolatrar aqueles que caminham ao nosso lado.
Assim, todas as nossas escolhas são limitadas e precisamos de, para o fazer, ter de renunciar. Quem a nada renuncia, nada escolhe. Com efeito, escolher, decidir e comprometer-se por Deus são atitudes que abrem a nossa liberdade a horizontes novos de amar e de nos darmos no tempo e local da nossa vida.





