SANTA MARIA, MÃE DE DEUS – SOLENIDADE
L 1 Nm 6, 22-27; Sl 66 (67), 2-3. 5- 6 e 8
L 2 Gl 4, 4-7
Ev Lc 2, 16-21
Neste dia de Ano Novo, celebramos a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Olhar para a Virgem Maria neste dia é contemplar a disponibilidade daquela que disse "sim" ao amor de Deus, e que, por isso, nos dá acesso a Jesus Cristo. Ela é sinal da graça e meio da bênção de Deus para nós.
A nossa humanidade limitada tem uma necessidade absoluta da bênção de Deus. A bênção de Deus, como ouvimos na primeira leitura, não é apenas uma superstição que procuramos para atrair boa sorte na vida. Este texto bíblico, encontrado entre os registos mais antigos das Sagradas Escrituras, desde o século VI a.C., expressa o anseio do coração humano que deseja que a vida se multiplique. Nestes anseios, vemos a esperança pela proteção, pelo amor, pelo desejo de ser reconhecido pelo outro para não cair na solidão, e pelo dom da paz, entendida não apenas como ausência de violência, mas como uma forma de vida fundamentada no amor dado e recebido.
Jesus Cristo representa para nós a paz de Deus, como Filho de Deus, que vem trazer-nos um sinal de esperança. Por Ele, somos feitos filhos de Deus e somos chamados a deixar que o Seu amor transforme e renove os nossos corações, para vivermos na Sua paz. Esta não é uma paz amorfa, sem vida ou estática. A paz de Deus é sempre uma paz de caminho, como vemos na atitude dos pastores, que partiram, encontraram o Menino e regressaram louvando a Deus, expressando gratidão e louvor por aquilo que ouviram e viram. É importante sermos capazes de gratidão diante da ação de Deus, reconhecendo a bênção que Ele nos concede, mesmo no meio das dificuldades. Para isso, precisamos de nos dispor e não absolutizar as dificuldades. Sem gratidão, sem reconhecer a bondade que existe na vida, corremos o risco de não perceber a bênção nem o valor do próximo.
Neste dia, celebramos também o Dia Mundial da Paz, no início deste Ano Jubilar da Esperança. A esperança é fundamental na nossa vida. Sem ela, não há projeto que se inicie, nem realidade que avance. Acreditar na paz é reconhecer a força da esperança de que a vida pode transformar-se. O Papa Francisco, na mensagem que nos dirige para este dia, fala-nos da necessidade de desarmar o coração para alcançar a paz, algo que se traduz nos pequenos gestos do quotidiano e que a constrói dia após dia, como a capacidade dar um sorriso, um gesto de amizade, um olhar fraterno, uma escuta sincera, um serviço gratuito. São tantas as coisas pequenas que podemos fazer para trazer grandeza à vida.
Na sua mensagem, o Papa apresenta desafios à humanidade. Um deles é a lembrança de que a paz precisa também de justiça, sendo necessário pôr fim às lógicas de exploração. Por isso, exortava os líderes mundiais ao perdão da dívida externa e sugeria que o dinheiro gasto em armamento fosse utilizado para promover a educação nos países pobres e mitigar as alterações climáticas. Outro desafio é mais direto ao nosso dia-a-dia. Francisco apela ao respeito pela dignidade da vida humana, desde a sua conceção até à morte natural, e convida os jovens a cultivarem a esperança, para que também eles estejam disponíveis para o dom da vida. Assim, afirmou: «Com efeito, sem esperança na vida, é difícil que surja no coração dos jovens o desejo de gerar outras vidas. Particularmente neste sentido, gostaria de convidar, uma vez mais, para um gesto concreto que possa favorecer a cultura da vida. Refiro-me à eliminação da pena de morte em todas as nações. Em realidade, esta punição, além de comprometer a inviolabilidade da vida, aniquila toda a esperança humana de perdão e de renovação». Como é importante recordar a importância de parar lógicas de violência e suscitar o perdão para um mundo mais fraterno.
Que o Senhor Jesus, por intercessão da Virgem Maria, seja sempre para nós sinal de paz. Que a Sua vida de entrega, desarmando os corações do ódio e convidando-nos ao amor fraterno, nos faça caminhar para uma maior comunhão e torne a nossa vida quotidiana num sinal simples, mas belo, da paz que Deus nos quer oferecer.
