Friday, 24 April 2026

Em Cristo Pastor, encontramos descanso e missão




DOMINGO IV DA PÁSCOA


L 1 At 2, 14a. 36-41; Sl 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6
L 2 1Pd 2, 20b-25
Ev Jo 10, 1-10 

Celebramos este domingo, dito do Bom Pastor, ao escutar a Palavra de Deus que nos orienta e fortalece.

Jesus Cristo apresenta-Se Ele mesmo como o bom pastor, como Aquele que vem para servir, guiando e sendo a porta para a nossa vida. Ele vem para que tenhamos vida e vida em abundância, pela proximidade e conhecimento de cada um de nós. E todos fazemos parte do rebanho de Deus, membros de um Povo e nunca isolados uns dos outros. 

O texto do Evangelho apresenta-nos que Jesus Cristo é a porta pela qual entramos e saímos; é por Ele que encontramos descanso íntimo e sentido para a missão. Já o ladrão vem pela janela, procura caminhos curtos, centra-se unicamente no próprio interesse e na vantagem que consegue ganhar.

Esta Palavra pode-nos ajudar a redescobrir tanto o sentido da missão na saída das ovelhas, onde descobrimos alimento, como a importância de uma contínua conversão de vida. Dar testemunho e participar da vida da Igreja alimenta a fé e faz-nos descobrir sentido, mas também nos ajuda a deixar que aconteça a nossa conversão de vida: o Papa João Paulo II dizia que a perda de consciência de pecado tinha a sua origem na perda de consciência do amor de Deus. Quanto mais reconhecemos o amor de Deus, mais a conversão pode acontecer na nossa vida, por compreendermos as vezes que não lhe respondemos com amor a Ele e aos irmãos. 

Que o amor de Deus nos ajude sempre a encontrarmos em Cristo a nossa porta, por quem encontramos vida e onde a conversão nos vai purificando, para que em cada dia Ele possa ser cada vez mais a nossa luz. 

Saturday, 18 April 2026

"Não nos ardia o coração?!"




DOMINGO III DA PÁSCOA


L 1 At 2, 14. 22-33; Sl 15 (16), 1-2a e 5. 7-8. 9-10. 11
L 2 1Pd 1, 17-21
Ev Lc 24, 13-35 

O Evangelho deste domingo continua a lógica pascal das manifestações de Jesus Ressuscitado aos Seus discípulos. O Evangelho deste domingo apresenta-nos novamente a tarde do dia da Ressurreição e a separação de dois discípulos da restante comunidade. Estão em separação dos restantes, mas também eles vão discutindo entre si, sinal de uma divisão que existe entre eles e até podíamos dizer dentro deles. Mas é destes dois em divisão que Jesus Se aproxima e caminha com eles, interrogando-os a partir das suas questões, das suas interpretações e ideias, para depois lhes alargar o sentido com a própria Escritura, lida com a chave do amor de Deus.

É na chave do amor de Deus que Jesus vai apontando o sentido ao sofrimento de tudo o que havia passado com Ele. E é pelo caminho que Jesus faz com eles — e que vai fazendo connosco — que nos vai chamando a transformar a nossa própria mentalidade. Esta transformação é fundamental: os discípulos sentem arder o coração e vão fazendo a experiência de Jesus Cristo que, com a Sua Palavra, ilumina a condição humana e lhe aponta um sentido.

É deste caminho de Jesus Cristo, que transforma e ilumina o coração humano (que ardia com a experiência de Deus e a explicação da Palavra), que a fração do pão acontece. Trata-se de um sinal da Eucaristia, onde os seus olhos, antes fechados, agora se abrem. Nas trevas da vida, a Ressurreição ilumina como um farol novo. Estes discípulos voltam, enfrentando agora a noite, mas levando dentro a luz que os ilumina. E este caminho faz gerar algo novo: a comunhão de volta com a comunidade.

A Eucaristia não é, por isso, apenas mais uma devoção. É um gesto religioso de acolhimento de um Deus que Se manifesta nas nossas dúvidas e inquietações para as transformar, quando aceitamos dialogar com Ele. É o sinal que constrói a comunidade e nos une, mesmo nas nossas diferenças, porque nos congrega à volta do mesmo altar. É o dom da presença de Deus no meio de nós.

Precisamos da Eucaristia, da celebração da Missa, não apenas como um marco semanal (em que por vezes é trocada por outras coisas), mas de descobrir nela o centro da vida e da transformação: a da manifestação da presença de um Deus que caminha connosco e nos convida a crescer na comunhão com os irmãos.