Saturday, 8 April 2023

Ver a Cristo Crucificado

 



DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

L1: At 10, 34a. 37-43; Sal 117 (118), 1-2. 16ab-17. 22-23
L2: Col 3, 1-4 ou 1 Cor 5, 6b-8
Ev: Jo 20, 1-9


Celebramos o Domingo de Páscoa do Senhor, da vitória do amor de Deus sobre a morte e a injustiça. Em Jesus Cristo vemos cumprir-se a realização da profecia de Isaías do Servo de Iavé; Ele que assumiu os nossos pecados e iniquidades, agora faz-nos participar da sua vida como Filhos de Deus. É diante da ressurreição de Cristo que os nossos olhos podem ver o que nunca viram. 
O Evangelho que escutamos hoje refere-se por variadas vezes aos olhares que se cruzam com o sepulcro e que, a certo modo, retratam a nossa forma de ver a Deus, ou seja, a nossa experiência do Mistério de Deus. 
Em primeiro lugar surge Maria Madalena, que vai ao sepulcro, e vê (Blepo), ainda no escuro, a pedra removida; este é um ver de fora, sem tentar compreender o que ali se passou. 
Surgem depois os discípulos, em que Pedro segue o discípulo predilecto, que tinha estado junto à cruz. O ver de Pedro (theoreo), é um ver que reconhece sinais admiráveis e formula o que pode ter acontecido, que se questiona diante do enigma, mas que ainda não entra no Mistério que pede a sua vida. Já o discípulo predilecto vê (idein) os sinais do crucificado e começa a acreditar, ou seja, a entrar na alegria do Senhor que venceu a morte e o mal. 
Mas este relato é um relato que tem por objectivo levar-nos a entrar no mistério de Cristo. É por isso que voltamos a Maria Madalena que na tristeza em que se encontrava, Cristo vem ao seu encontro e a trata pelo nome e a torna como a primeira mulher a anunciar aos apóstolos a boa nova. Fá-lo com a alegria de ter visto com o coração (horao) a presença de Cristo que agora a acompanha dentro de si e a leva a comunicar aos outros o acontecimento sempre novo da ressurreição de Cristo. 

É este anúncio que nasce da boca dos apóstolos e da Tradição da Igreja. Cristo morreu e ressuscitou por nós, para que acreditássemos nele e pudéssemos fazer a experiência de uma renovada forma de vida. É aqui que se enraíza a alegria cristã, como dinamismo que se do ponto de vista apenas psicológico nos faz comunicar a nossa identidade, com muito mais razão, com o espírito de Cristo somos nutridos para podermos envolver-nos com amor na entrega da vida pelo outros. 


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