DOMINGO XVI DO TEMPO COMUM
L 1 Sb 12, 13. 16-19; Sl 85 (86), 5-6. 9-10. 15-16a
L 2 Rm 8, 26-27
Ev Mt 13, 24-43 ou Mt 13, 24-30
O nosso Deus é um Deus de vida. Consciência fundamental no testemunho bíblico. Nele tudo cresce e se afirma, nele tudo é sustentado, pelo que o seu poder se traduz em cuidado pelas criaturas. Esta é uma consciência muito diferente de outros credos, que viam o mundo como um lugar inóspito, em que a humanidade teria sido criada por um castigo divino.
Em Deus vemos existir justiça e misericórdia: uma justiça, não fria, mas capaz de separar o bem do mal e paciente; e misericórdia, como espaço para dar à fragilidade humana tempo para mudar e voltar a falar de arrependimento.
Um Deus que habita em nós, assim nos ensina São Paulo, pelo Espírito que no nosso íntimo, move o nosso coração, a nossa inteligência a rezar em nós com simplicidade e com sentimento de filhos.
Um Deus que é descrito em três parábolas: na sementeira do trigo e do joio, na semente da mostarda e no fermento.
Na primeira vemos a paciência retratada, de uma semente boa e uma semente má, mas que se deixam crescer e germinar; o trigo capaz de alimentar, o joio, tóxico para o homem, não vem de Deus. Crescem juntos, num sinal de um tempo como o nosso em que é difícil tantas vezes distinguir o bem e o mal, mas sempre com o olhar fixo no final dos tempos, da meta final, em que a bondade sempre permanecerá. Aliás, quando submetido a altas temperaturas o joio perde a sua toxicidade. Assim, a nossa vida é chamada a viver na paciência, para no esforço de transformar o mal, não arranquemos o bem.
A segunda parábola apresenta-nos como uma espécie quase infestante como o mostarda, e por isso desprezível, que se torna lugar de habitação e festa para os que nela encontram refúgio.
A terceira descrição fala-nos de um fermento, massa cheia de leveduras, e quase pão estragado e símbolo da impureza entre os judeus (oposição com os pães ázimos sem fermento) que são capazes de levedar e transformar toda a realidade e fazer chegar alimento a muito mais gente.
A lógica do Reino é de fazer sempre a de Deus chegar-se a mais gente, algo feito com paciência, muitas vezes a partir dos últimos e com sinal de festa. Deixa-te tocar por este Deus que tudo cuida.

No comments:
Post a Comment