DOMINGO III DA PÁSCOA
L 1 At 2, 14. 22-33; Sl 15 (16), 1-2a e 5. 7-8. 9-10. 11
L 2 1Pd 1, 17-21
Ev Lc 24, 13-35
O Evangelho deste domingo continua a lógica pascal das manifestações de Jesus Ressuscitado aos Seus discípulos. O Evangelho deste domingo apresenta-nos novamente a tarde do dia da Ressurreição e a separação de dois discípulos da restante comunidade. Estão em separação dos restantes, mas também eles vão discutindo entre si, sinal de uma divisão que existe entre eles e até podíamos dizer dentro deles. Mas é destes dois em divisão que Jesus Se aproxima e caminha com eles, interrogando-os a partir das suas questões, das suas interpretações e ideias, para depois lhes alargar o sentido com a própria Escritura, lida com a chave do amor de Deus.
É na chave do amor de Deus que Jesus vai apontando o sentido ao sofrimento de tudo o que havia passado com Ele. E é pelo caminho que Jesus faz com eles — e que vai fazendo connosco — que nos vai chamando a transformar a nossa própria mentalidade. Esta transformação é fundamental: os discípulos sentem arder o coração e vão fazendo a experiência de Jesus Cristo que, com a Sua Palavra, ilumina a condição humana e lhe aponta um sentido.
É deste caminho de Jesus Cristo, que transforma e ilumina o coração humano (que ardia com a experiência de Deus e a explicação da Palavra), que a fração do pão acontece. Trata-se de um sinal da Eucaristia, onde os seus olhos, antes fechados, agora se abrem. Nas trevas da vida, a Ressurreição ilumina como um farol novo. Estes discípulos voltam, enfrentando agora a noite, mas levando dentro a luz que os ilumina. E este caminho faz gerar algo novo: a comunhão de volta com a comunidade.
A Eucaristia não é, por isso, apenas mais uma devoção. É um gesto religioso de acolhimento de um Deus que Se manifesta nas nossas dúvidas e inquietações para as transformar, quando aceitamos dialogar com Ele. É o sinal que constrói a comunidade e nos une, mesmo nas nossas diferenças, porque nos congrega à volta do mesmo altar. É o dom da presença de Deus no meio de nós.
Precisamos da Eucaristia, da celebração da Missa, não apenas como um marco semanal (em que por vezes é trocada por outras coisas), mas de descobrir nela o centro da vida e da transformação: a da manifestação da presença de um Deus que caminha connosco e nos convida a crescer na comunhão com os irmãos.

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