Sunday, 8 November 2020

Sabiamente atentos




DOMINGO XXXII DO TEMPO COMUM


L 1 Sab 6, 12-16; Sal 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 7-8
L 2 1 Tes 4, 13-18 ou 1 Tes 4, 13-14
Ev Mt 25, 1-13 

A esperança é a virtude que nos põe a olhar para uma meta. Já sabemos que quem quer os fins, tem de querer os meios necessários. Senão não alcança o que diz querer. No caso da esperança cristã, esta faz levantar o olhar para o final, para o grande encontro com Deus. Não se trata de nos tirar do sítio onde estamos; muito pelo contrário, faz-nos pelo amor já percebido deste encontro, despertar em nós todas as energias e capacidades que temos para orientar a vida para aí. 

É neste grande quadro que gostaria de olhar para as leituras que nos são dadas escutar neste domingo. As quais nos ajudam a sublinhar a lógica do dom. O dom recebido da sabedoria e da esperança para ajudar a vida a fazer-se dom. E só assim a vida se manifesta na sua beleza. 

Vejamos. A sabedoria «deixa-se ver facilmente àqueles que a amam e faz-se encontrar aos que a procuram» (Sab 6, 12). É sempre primeiro necessário receber e tomar consciência dos horizontes da vida. Saber que é necessário procurar e aprender é já sinal de sabedoria que nos abre ao Mistério que a vida é. E pela sabedoria orientar a vida rumo a um bem maior, actuando em cada dia de acordo com esse Bem. É o caso das virgens prudentes, que sabiam que nas limitações da vida e dos atrasos, mais vale ter azeite de reserva para poder manter a lâmpada da procissão nupcial acesa. Aí está: pelo encontro desejado, acautelar e procurar. 

A sabedoria e a esperança são duas realidades inseparáveis. A esperança orienta a nossa vida para um fim, para um bem maior; a sabedoria alimenta essa esperança no hoje de cada dia. Este dinamismo e mútua relação é a base da vocação. A vocação cristã é a resposta de cada um ao chamamento de Deus para viver a vida em comunhão com Ele pela entrega de vida. É querer experimentar a alegria de Deus em cada passo, mesmo no meio de dificuldades. A vocação vive da esperança da acção de Deus no nosso mundo pela sábia vida de cada um. 

O nosso tempo esta marcado por uma falta de esperança maior. A vida actual é extremamente sábia do ponto de vista técnico, mas carece tantas vezes da capacidade de raciocinar sobre os grandes existenciais da vida: vida-morte, amor-ódio. Tantas vezes fica esta capacidade limitada ao emotivo, ao momento presente, ao que é a nossa circunstância. A esperança faz levantar o olhar para ver a vida como um todo que se orienta para um fim, que se orienta para um amor. 

É importante para hoje na Igreja dar testemunho da esperança cristã, da esperança do grande encontro com o esposo, com Cristo, que se entrega por nós. O risco é de ele passar e depois já não nos conhecer. Alimentar esta esperança hoje é possível por Cristo na celebração da eucaristia. Aí, em cada celebração, é renovada e atualizada a entrega que Ele fez por nós. No fundo, a Eucaristia é o reconhecimento de que foi Ele que nos escolheu e que deseja que a nossa vida dê todo o fruto que pode dar (cf. Jo 15, 16). 

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