DOMINGO II DO ADVENTO
L 1 Is 40, 1-5. 9-11; Sal 84 (85), 9ab-10. 11-12. 13-14
L 2 2 Pedro 3, 8-14
Ev Mc 1, 1-8
As leituras deste Domingo voltam o nosso olhar para a figura do Precursor, de João Baptista, que se apresenta como aquele que clama no deserto para se prepararem os caminhos do Senhor. Deserto, bem o sabemos na linguagem bíblica, é sempre sinal de purificação, de retornar ao essencial, de reconhecer a nossa fragilidade. É também o local de nos despojarmos do que é excessivo e não faz parte de nós.
É com este fundo que entendemos a missão de João Baptista, que embora no seu exagerado ascetismo, se apresenta como sinal e meio para a purificação de vida e confissão dos pecados, a carga que mais torna pesada a vida e coração e bloqueia os sentidos para reconhecer o outro. Pecado é tudo aquilo que bloqueia o nosso coração para amar e o fecha no seu egoísmo. Os mandamentos são as indicações mais para evitar praticar o mal, mas o Senhor quer a entrega sincera da vida.
A missão de João é apenas o pôrtico do grande tesouro que Deus nos promete: João baptiza com água; o que há-de vir baptizará com o Espírito Santo; de facto, reconhecer o pecado não significa passar logo a viver na lógica de Filho. Esta é a lógica do dom, do Filho que vem comunicar o amor do Pai pelo Espírito Santo em cada um.
Assim também, o nosso olhar não se fica apenas no cumprimento de um penitência exterior, qual cumprimento de uma pena para livrar de um castigo. Não. O olhar do crente levanta-se para a comunhão relacional com Deus e com os irmãos, na expectativa do grande encontro com o Senhor Ressuscitado. É por isso, que a nossa vida só se realiza quando entra em comunhão; o nosso coração espera profundamente o amor absoluto e permanente, no qual só em Deus se realiza.
O advento é tempo de expectativa, de reconhecer que temos um salvador, que se apresenta frágil, simples e dependente. Se é certo que esperamos a sua vinda gloriosa, a sua humanidade esconde e revela este desejo de Deus de se fazer próximo de nós. É assim o nosso Deus: Ele faz-se próximo. A maior tristeza que nos poderia suceder era não nos deixarmos curar das nossas cegueiras e corações insensíveis para o reconhecer como a fonte da nossa vida e a nossa meta. Procuremos endireitar os caminhos da nossa vida. Deixemos o nosso coração receber a luz de Deus, removendo as sombras que o escurecem.

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