DOMINGO dentro da Oitava do Natal
Sagrada Família de Jesus, Maria e José – FESTA
L 1 Sir 3, 3-7. 14-17a (gr. 2-6. 12-14); Sal 127 (128), 1-2. 3. 4-5
L 2 Col 3, 12-21
Ev Lc 2, 22-40 ou Lc 2, 22. 39-40
Celebrar o mistério do Natal é celebrar o facto de que o nosso Deus assume toda a nossa humanidade em todos os seus aspectos para a elevar e redimir. Assim o vemos na vida da Sagrada Família.
Jesus cresce numa família, a qual é sempre configuradora da pessoa humana pelo amor vivido e partilhado. Mas no centro da Sagrada Família está a acção de Deus. É neste contexto que vemos a consagração de Jesus a Deus, como era todo o primogénito varão em Israel. Mas logo se percebe nesta celebração ritual nada haveria de habitual. Ambos Simeão e Ana se alegram com este menino, pois Ele é o sinal de que Deus não desiste da humanidade e leva a sua misericórdia até ao fim. Um olhar de fé sempre vê em Jesus um sinal de esperança para a nossa humanidade.
Tal como a Sagrada família, as nossas famílias vivem na sintonia da misericórdia divina quando o são à semelhança da Santíssima Trindade. As leituras deste domingo ajudam a identificar alguns destes pontos:
1. O amor partilhado nos esposos que se entregam totalmente um ao outro para constituírem uma só carne, ou seja, uma forma de vida única, marcada pela comunhão e entrega de vida. Bem sabemos que no nosso mundo que o matrimónio está em crise, numa sociedade em correria constante, com lares desfeitos e tentativas de equiparar outras formas de vida à família tradicional. Todavia a a fé mostra-nos que é do amor fecundo entre homem e mulher que a sociedade cresce e participa do poder criador de Deus. Celebrar o Matrimónio não significa apenas estabelecer um pacto ou assinar um papel, mas criar uma relação abençoada por Deus que une os esposos para partilharem juntos a vida. E onde se acolhe a benção de Deus, a vida multiplica-se.
2. O livro da Sabedoria falava em honrar pai e mãe. Fazê-lo é sinal de uma geração que transmite e acolhe os acontecimentos mais importantes da nossa identidade. É reconhecer que a missão da educação é tarefa que pertence em primeiro lugar à família, que é ela que tem a missão de fazer crescer em graça cada filho. Educar não é impor; educar e formar é ajudar a emergir e dar forma ao bem que Deus coloca em cada um, mediante uma relação de amor. Só no amor se pode educar, como só no amor se pode verdadeiramente obedecer.
3. O cuidado é também sinal essencial em cada família. Esta é espaço onde o amor se concretiza em cuidado pelos demais, sobretudo nos momentos mais frágeis da vida, onde o cuidar, sendo tantas vezes difícil, é também fecundo de um amor que se leva até ao fim.
4. A família é escola de amor, mediante os valores da «bondade, humildade, mansidão e paciência» como nos diz S. Paulo. O amor reveste-nos destes dinamismos, que são fundamentais para que todos possam ter o seu espaço, onde cada um se pode partilhar e revelar. Sem estes será extramente difícil que o suporte mútuo e o perdão sejam uma realidade. Quem assim vive tem sempre espaço para os demais, aceitando muitas vezes morrer para o mais imediato por amor do outro. Nestes valores, o amor floresce e encontra sempre um caminho.
O amor faz emergir o melhor em nós e nos outros e cria-nos a consciência que de facto nos pertencemos uns aos outros. É por isso que nos identificamos num grande corpo, em primeiro lugar na família, mas depois em Igreja. A Igreja é de facto "família de famílias", pois pertencemos ao grande corpo de Cristo, como nos diz São Paulo.
Numa Igreja viva devemos conseguir identificar os mesmos sinais que veríamos numa família e vice-versa, no comunhão, no serviço mútuo, na partilha de vida. Se por um lado somos chamados a distinguir o que se quer colocar como igual ao modelo de família no Matrimónio, a nossa missão em Igreja leva-nos a acolher e a dar a conhecer a todos a vida da Sagrada família, a qual responde à missão de ser rosto de Deus, mesmo no meio das dificuldades que atravessou. A fecundidade, a partilha, a complementaridade, o cuidado, o perdão e entrega de vida são sinais essenciais da presença de Deus, do Espírito Santo, "Senhor que dá a vida".
Não tenhamos dúvida que a misericórdia de Deus pode converter os nossos corações, purificando-nos da nossa dureza e fazendo emergir a verdadeira alegria. Se as nossas famílias têm falhas e dificuldades, têm também quando procuram responder ao amor de Deus, a possibilidade de ser pequenas Igreja Domésticas.

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