Saturday, 12 June 2021

Crescer com Cristo para o bem dos outros



DOMINGO XI DO TEMPO COMUM


L 1 Ez 17, 22-24; Sal 91 (92), 2-3. 13-14. 15-16
L2 2 Cor 5, 6-10
Ev Mc 4, 26-34 

As leituras deste Domingo fazem-nos entrar na lógica do Reino de Deus, olhando para isso para o crescimento da pequena semente lançada no nosso caminho. Esta semente é sempre a Palavra de Deus, que é cheia de vida e capaz de gerar vida. Esta semente, pequena e humilde, mostra-se capaz que quando acolhida e cudada, lançar raízes no profundo do coração do homem e de tornar fecundo e dócil o seu coração para os outros. A semente traduz assim a lógica do dom gratuito que cresce "por si", como refere o texto e transforma os nossos critérios para nos tornar capazes de ser troncos de vida, como espaço que dá casa aos outros. 

O grande dom dado à humanidade é, pela fé, o conhecimento do amor de Cristo e por Ele entrar na lógica do Reino de Deus. Cristo é a Palavra, é a semente, que morre, é sepultado e ressuscita. Com Ele também nós ressuscitamos, fazendo de nós os ramos capazes de acolher todos aqueles que são diferentes, ligados a Cristo, alimentados na seiva da Graça divina pelos sacramentos, vivificados no Espírito Santo. 

Viver neste tronco significa guardar a humildade, de quem reconhece que a presença de Cristo é fonte de bondade que transforma o nosso coração; não se trata portanto de desistir de ser, mas pelo contrário, é humilde quem reconhece que é chamado a ser mais pois alimentado e fortalecido por Deus. 

A mesma humildade reconhece que a vida é um processo sem fim, cheio de dinamismo e só com dinamismo subsiste. Este processo leva ao fruto amadurecido que existe para o bem do outro. São João da Cruz dizia que no entardecer da vida seríamos julgados no amor; é este o grande critério que Deus nos coloca à frente: como vivemos no amor, que se faz dom para o outro? Como nos deixamos afetar pela salvação do outro? Por isso, aqui o Reino de Deus estranha-se quando somos tentados a ficar estáticos, a querer manter tudo como está. Faz parte da vida, da natureza e das relações o crescimento e a transformação; faz parte da vida cristã, a conversão diária a Jesus, o acolher e escolher a misericórdia de Deus para a nossa vida, que se traduzem posteriormente em capacidade de acolhimento, perdão, cuidado, comunhão e festa com aqueles são o meu próximo.

A vida da Igreja acontece em cada um que, ao se deparar com o amor recebido de Deus, sente a necessidade de exprimir o amor que o habita para o bem do outro. Por isso a humildade é o melhor terreno para a vida germinar e se tornar fecunda; não se trata de fazer favores a ninguém; é trabalhar para que a nossa vida alcance a dimensão a que foi chamada. E isto só acontece quando morremos com Cristo e com Ele ressuscitamos.     

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