Friday, 4 June 2021

Ser discípulo: sentar, ouvir, e cumprir.



DOMINGO X DO TEMPO COMUM


L 1 Gen 3, 9-15; Sal 129 (130), 1-2. 3-4ab. 4c-6. 7-8
L2 2 Cor 4, 13 – 5, 1
Ev Mc 3, 20-35

A nossa vida depara-se sempre entre duas realidades: o bem e o mal. Se por vezes, é tão fácil distinguir um do outro, muitas outras vezes, a complexidade da vida dificulta tal distinção, sobretudo quando somos rodeados pelo sofrimento. 

A Sagrada Escritura tem consciência desta realidade, mas coloca sempre que o mal não tem origem em Deus, mas é despontada por acção do tentador e acontece quando a liberdade humana é afectada e o aceita. Evidentemente, o mal aqui referido é o mal moral e não mal físico, embora algumas interpretações coloquem este mal como origem de todos os outros, enquanto outros referem que apenas o mal moral é o único mal. Não me querendo alongar nesta reflexão, que nos faria enredar na discussão, o certo é que em Deus, o bem é sempre mais forte do que mal, como o testemunha a ressurreição de Cristo. 

É à luz deste acontecimento que vemos o Senhor, cuja acção se traduz em cura e alívio do sofrimento de tantos. A acção do Senhor sem medida, diz-nos o Evangelho, é até vista como exagerada e até tresloucada! Diante das multidões que acorrem, o Senhor e seus discípulos não se resguardam e dão de si. 

O excesso de bondade gratuita atrai a inveja dos escribas que preconizam que o bem que Jesus pratica tem origem no "pai da mentira"; Aqui está o drama do coração empedernido e manipulador: diante do bem, não entra na alegria do Senhor, mas permanece de fora, sem se deixar curar por dentro. Jesus recorda que esta atitude constitui um pecado contra o Espírito Santo. A Igreja resumiu estes pecados em seis: 1. Desesperação da salvação; 2. Presunção da salvação; 3. Contradizer conscientemente a verdade revelada para poder pecar com maior liberdade; 4. Ter inveja das graças que Deus dá a outra pessoa; 5. Obstinar-se no pecado – quem peca por malícia e deseja permanecer no pecado; 6. Impenitência final – é o caso de alguém que não se arrepende do mal praticado.

Interessante é a imagem da verdadeira família de Deus: enquanto os parentes de sangue ficam fora e chamam por Jesus, a multidão sentada em volta de Jesus, atitude que revela confiança e desejo de querer aprender, ouve a exortação que confiar e cumprir a vontade de Deus é o caminho para viver como Filho de Deus. Podemos mesmo sublinhar estas três atitudes: Sentar, Ouvir, e Cumprir. Esta pode bem ser uma chave para a vida de todos os dias. 

No comments:

Post a Comment