DOMINGO XVI DO TEMPO COMUM
L 1 Jer 23, 1-6; Sal 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6L2 Ef 2, 13-18
Ev Mc 6, 30-34
Este domingo foca o seu olhar na imagem do bom pastor. Este é um tema que atravessa a Sagrada Escritura, sendo constante a nota de que Deus é Pastor do Seu Povo, o qual escolhe para colocar à frente do rebanho homens com a missão de cuidar do Povo. O drama, conta Jeremias, é que tantas vezes aqueles que tinham a missão de "apascentar o rebanho", ou seja ensinar e levar o Povo a encontrar a felicidade não o fazem e deixam que o Povo se perca.
A comparação do Povo de Deus a um rebanho é extremamente sugestiva. A ovelha é um animal que facilmente permanece unida a um rebanho; todavia quando se separa desse rebanho facilmente se perde, mesmo na melhor das condições, e facilmente fica alvo de predadores. A sua segurança está no permanecer unida ao rebanho, guiado pelo pastor. Esta situação é uma metáfora da condição humana; quando perde o sentido de Deus, da sua fonte e se deixa guiar por caminhos ilusórios, facilmente se perde e necessita de ser resgatada; por outro lado, é na permanência num grupo que procura a verdade que cada um pode criar o espaço interior para construir firmemente a sua vida. Cada um por si não pode encontrar a salvação.
A semelhança dos responsáveis a pastores não é menos significativa. O pastor é aquele que tem a missão de guiar um rebanho, mas sobretudo criar as condições para este possa florescer. Como tal, o pastor conhece as ovelhas, guia para os melhores locais de alimentação, protege e luta pelo rebanho e ao limite, conta a sagrada Escritura dá a vida pelo rebanho. Atrás dos bons e belos pastores, as ovelhas seguem sempre sem hesitar
É nesta moldura que vemos a acção de Jesus, que entrega a sua vida pelas multidões, sempre incontáveis e que sempre pedem tanto d'Ele. E o que vale para Jesus, vale para os discípulos, ao ponto de "nem terem tempo para comer". E vemos aqui uma bela profecia da Igreja, que vendo o Mestre a afastar-se, percebe para onde vai e acorre ao local onde Ele agora está. É neste local que Jesus, se compadecendo das multidões, por serem como "ovelhas sem pastor" se demora a ensinar, a distinguir "a direita da esquerda".
No centro da liturgia está Jesus Cristo: é a Ele que acorrem os discípulos, tudo partilhando e entregando da sua experiência missionária; é a Ele que acorrem as multidões para serem ensinadas. É a Ele que também eu e tu somos chamados a procurar, indiferentemente do Povo a que pertençamos.

Olá Padre João. Muito obrigada pelas reflexões. Abço
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