DOMINGO XIV DO TEMPO COMUM
L 1 Ez 2, 2-5; Sal 122 (123), 1-2a. 2bcd. 3-4
L2 2 Cor 12, 7-10
Ev Mc 6, 1-6
As leituras deste Domingo implicam-nos a compreender a abertura que damos a Deus.
Deus toma sempre a iniciativa. Ele é a fonte, Ele é salvador e vem ao nosso encontro, mediante a Sua Palavra. Assim ouvimos no livro do profeta Isaías que é enviado ao Povo com a missão de anunciar e ser sinal para este da presença de Deus. O drama está na "cabeça dura e coração obstinado", ou seja uma indiferença à presença de Deus, que julga poder viver bem a vida sem acolher a palavra de Deus ou mudar de vida. É diante desta dificuldade que o profeta é enviado.
Jesus sente no Evangelho esta mesma dificuldade. Ao se deslocar pela primeira vez à sua terra, encontra um Povo fechado por aquilo que este já acha saber. É esta a verdadeira falta de fé; não acolhem a Palavra, não podem acreditar e a sua vida fica por transformar, fechada no mesmo horizonte de sempre. Neste caso concreto, a indiferença vem do facto de se conhecer já a família antes do início da missão pública de Jesus.
Uma nota explicativa dos "irmãos de Jesus". O texto grego emprega o "adelfos", que significa "irmãos" e não "anepsios", ou seja "primos"; todavia, nunca o texto se refere aos familiares de Jesus como "filhos de Maria", sendo que no ambiente semita, o termo familiares era de utilização mais ampla que actualmente. Como tal, nada nos permite concluir que Jesus não fosse o filho único de Maria.
A fé permite reconhecer Jesus como o enviado de Deus, que liberta cada um do peso do pecado que fecha a vida para a abrir à força do amor de Deus e nos enviar como testemunhas da verdade. Ainda que nos envie com toda a nossa fragilidade, como se denota nos textos de São Paulo, que escreve a sua fragilidade, que tanto gostaria de mudar; mas, ontem, tal como hoje, o anúncio do Evangelho é feito com a força de Deus e não apenas com os nossos jeitos ou dons.
Este texto é particularmente importante nos nossos dias. Mostra-nos que Deus vem sempre ao nosso encontro e nos que nos deseja receptivos à Sua Palavra. A tentação de nos fecharmos nos nossos critérios habituais - mesmo para aqueles que não são de facto cristãos - faz-nos alhear do dom da vida que Deus nos traz, e envelhece a nossa mente, coração, olhos e mãos. Quem confia no Senhor, diz o Salmo 125, 1, «são como o Monte Sião; permanecem para sempre».

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