DOMINGO VI DO TEMPO COMUM
L1: Jer 17, 5-8; Sal 1, 1-2. 3. 4 e 6
L2: 1 Cor 15, 12. 16-20
Ev: Lc 6, 17. 20-26
Ao longo de toda a escritura deparamo-nos sempre com a pergunta feita ao leitor a partir das narrativas bíblicas: "Em quem confiamos?" - "na força dos homens ou no poder de Deus?". Israel é salvo e constituído como Povo em virtude da acção de Deus, o qual envia profetas e mensageiros em seu nome para operar a libertação. E do mesmo modo, profetas denunciam outras tantas vezes a infidelidade do Povo que passou a confiar nas suas conquistas e na "força do seus cavalos". Hoje, numa era de apogeu de técnica com o homem no centro do universo, nunca o nosso mundo esteve tão em risco, perante a ameaça de recursos desenvolvidos pelo homem, capazes de aniquilar grande parte da vida no planeta. Assim, somos colocados que só a confiança em Deus faz germinar vida e dar frutos.
É na confiança em Deus que encontramos uma chave de leitura das bem-aventuranças. Longe de serem um manual de depressão, as bem-aventuranças (=felizes) traduzem uma consciência a não nos habituarmos ao mal, mas a esperarmos "os novos céus e a nova terra" em que habitará a justiça, o que nos implica como agentes de testemunho e nos faz, por vezes, tocar o sofrimento; também nos fazem lembrar que sem a disposição de renúncia a algo por um bem maior, a vida pode ficar estagnada em lógicas de bem-estar e horizontes curtos.
Mas mais importante é mesmo a confiança que as bem-aventuranças nos trazem que o sofrimento pode ser transformado, na lógica do mistério pascal de Cristo, em paz e repouso em Deus. É por isso, que a ressurreição é central na fé cristã: da entrega de Cristo gera-se vida nova, à qual somos vinculados pelo baptismo. Não nos deixemos atolar em espaços estéreis de bem-estar, mas desinstalemo-nos para encontrar o rosto de Cristo em tantos que nos rodeiam.

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