Friday, 4 February 2022

Também nós precisamos de ser purificados




DOMINGO V DO TEMPO COMUM


L1: Is 6, 1-2a. 3-8; Sal 137 (138), 1-2a. 2bc-3. 4-5. 7c-8
L2: 1 Cor 15, 1-11 
Ev: Lc 5, 1-11 


A liturgia deste Domingo tem uma tónica especialmente vocacional. Ouvimos o relato da vocação de Isaías e de dos primeiros discípulos. Mas também a primeira carta aos coríntios que escutamos dirige-se a todos nós e interpela a nossa comum vocação. 

A primeira leitura coloca-nos com o olhar de Isaías, a quem é dado contemplar a visão de Deus sentado, ou seja em posição de autoridade e ensino, cujas vozes de louvor se fazem ouvir dos querubins. É diante deste mistério tremendo que Isaías reconhece a sua fragilidade como "homem de lábios impuros", como tantos de nós, cujas palavras tão poucas vezes edificam. Mas apesar do vislumbre do seu pecado, Deus purifica e envia Isaías para ser anunciador da Palavra de Deus, para corrigir e dar esperança ao seu Povo. 

É à luz deste chamamento que vemos acontecer o evangelho deste Domingo. Jesus anuncia a Palavra  de Deus como o enviado do Pai; diante da dificuldade de ser escutado, afasta-se na barca de Pedro para  poder alcançar mais pessoas; depois novamente volta a afastar-se, para convidar à pesca confiado, não na sabedoria própria, mas da Palavra, a de Jesus, o Verbo de Deus, Palavra criadora desde o Princípio, pois nele "todas as coisas foram feitas" (Col 1, 16). Diante da abundância, Pedro compreende o mistério que o ultrapassa e rende-se diante de Jesus como homem pecador. Aqui, não existem brasas para apagar o pecado, mas o "não temas", apelo profundo à confiança e à entrega de vida sem reservas. E Pedro afasta-se da multidão para seguir Jesus. 

É desde a brutidão inicial de Pedro, que este inicia o seu caminho como pescador de homens, imagem que ilustra a missão apostólica que lhe é entregue de resgatar e iniciar no caminho de vida por meio da acção do Espírito Santo. Como sabemos este caminho foi pouco linear, mas conclui com a rendição de Pedro a Cristo. Esta nova missão não é apenas um trabalho; é uma nova identidade, um novo sentido de vida, que abrange todos as aspectos da vida. 

O capítulo 15 da primeira carta aos Coríntios é um dos textos mais antigos do Novo Testamento. Apresenta de forma condensada o credo que todos os cristãos professam: a morte e ressurreição de Cristo é-nos transmitido por meio do testemunho dos apóstolos até aos dias de hoje. Todos podem receber este chamamento, como aconteceu a Paulo, que de perseguidor se tornou incansável anunciador. Mas em todos a experiência fundamental é a da salvação, a de ser purificado e redescobrir o horizonte vasto da missão de testemunhar que "Jesus Cristo é o Senhor". 

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