DOMINGO XII DO TEMPO COMUM
L1: Zac 12, 10-11; 13,1; Sal 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 8-9
L2: Gal 3, 26-29
Ev: Lc 9, 18-24
As leituras deste Domingo apresentam-nos uma imagem do Messias, a qual deve ser sempre renovada na nossa consciência. A identidade do Messias que Jesus revela é enquadrada pelo profeta Zacarias. Este profeta, cerca de 200 ou 300 anos antes de Cristo descreve, no seu tempo, a morte de um inocente, vítima de uma injustiça que causa grande perturbação na sociedade. Esta morte é porém lida pelo profeta como ocasião de renascimento do povo, o qual pode encontrar neste drama uma força para se purificar.
O tema do servo sofredor é tomado ao longo da Escritura sempre como uma leitura de que na entrega de um justo é possível encontrar a salvação, cuja vida se torna modelo e fonte de bem para os que o rodeiam.
De modo especial esta tipologia acontece em Jesus Cristo. Neste relato do evangelho, Jesus, é no dizer das multidões anónimas segundo os discípulos, um precursor de algo. A resposta de Pedro à interpelação do Mestre - "E vós, quem dizeis que Eu Sou?" - é respondida de forma exacta, mas muito distante do Messias preanunciado por Zacarias ou Isaías, mas segundo a imagem do Messias conquistador como David.
Jesus ensina os seus discípulos que a sua vida é para ser entregue por todos, não para favorecer uma elite, mas todos são chamados a uma igualdade existencial em Jesus Cristo, algo que a Igreja anunciará e fará acontecer mediante o Baptismo.
Esta igualdade de Filhos de Deus não significa igualitarismo. Cada um é filho único no único Filho de Deus. Mas Jesus apresenta as condições para viver com Ele e n'Ele:
1. Renunciar a si mesmo, sabendo dizer "não" ao foco em si mesmo, para viver como Cristo, para os outros;
2. Tomar a cruz todos os dias, ou seja, reproduzir na vida a entrega de Jesus por amor; assim, não significa por isso buscar o sofrimento em si, mas assumi-lo por causa do amor de Deus e dos outros. O inciso lucano, de todos os dias, marca esta entrega como perene;
3. seguir o Senhor, procurando transformar a sua mentalidade e abraçar a Palavra de Deus, sem se querer distanciar de Jesus.
Este caminho a que Jesus nos convida é uma via-sacra, ou seja, um caminho sagrado, a fazer acontecer na vida de todos o sinal da cruz, marcado por um amor acolhido de Deus e levado até ao fim na nossa vida, assumindo as nossas fragilidades e limitações.

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