Saturday, 17 September 2022

Dinheiro e espiritualidade: união pelo bem de todos






DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM


L1: Am 8, 4-7; Sal 112 (113), 1-2. 4-6. 7-8
L2: 1 Tim 2, 1-8
Ev: Lc 16, 1-13 ou Lc 16, 10-13

A liturgia deste Domingo coloca-nos a meditar no uso que fazemos do dinheiro e a íntima ligação que existe com a vida espiritual, como elemento que define a nossa postura e sentido de vida. 

O primeiro texto, do profeta Amós, escrito no século VIII a.C., descreve um ambiente de corrupção moral e de grande assimetria social. Esta era uma sociedade em que ao lado de grandes e luxuosas casas existiam casas muito pobres como atestam as escavações de Tell-el-Farah, referentes a este período. Nesta sociedade predomina o amor por um lucro desenfreado e pela acumulação de dinheiro, oprimindo o pobre e sem cuidar dele. Na raiz deste mal existia uma atitude de indiferença com Deus, retratada na superficialidade da vivência do sábado, dia santo, desejando que este passasse depressa para retomar o afã de enriquecer, sinal de que os poderosos do Povo de Israel desligavam a fé professada da vida vivida todos os dias. 

É este mesmo espírito que Jesus denuncia no evangelho, alertando os seus discípulos que não se pode adorar a Deus e adorar o dinheiro, não se pode viver na lógica do amor e estar centrado em si. Assim, o mal nasce do coração do homem, sede e lugar onde este se encontra com Deus e onde decide a sua vida, onde começa cada um a viver a justiça e a fidelidade de todos os dias. 

Mas Jesus aprofunda a reflexão, contando a história do administrador desonesto. Este é elogiado, não por administrar mal, mas agindo com celeridade e renunciando ao próprio lucro, cria amizade com os devedores. Mas este elogio questiona-nos: somos nós também solícitos para o verdadeiro bem?

Estas leituras não podem deixar de nos interrogar em dois aspectos fundamentais da vida: como usamos o dinheiro e como cuidamos dos mais pobres? Estamos convencidos que aquele que caminho ao meu lado é também meu irmão? 

Na raiz desta grande solidariedade e fraternidade está a espiritualidade, que tem por missão congregar-nos em comunhão com Deus e com os irmãos. Assim o sublinhava São Paulo, que nos chamava a rezar uns pelos outros e pelos nossos governantes, para que todos possam viver no maior bem possível.   

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