Saturday, 3 September 2022

No caminho, senta-te como Jesus




DOMINGO XXIII DO TEMPO COMUM


L1: Sab 9, 13-19 (gr. 13-18b); Sal 89 (90), 3-4. 5-6. 12-13. 14 e 17
L2: Flm 9b-10. 12-17
Ev: Lc 14, 25-33 

Foi no caminho para Jerusalém que os discípulos de Jesus ouviram as palavras que nos são dadas ouvir neste domingo, no caminho da nossa vida. São palavras que nos chamam a decidir e a escolher o caminho de Jesus, vivido de acordo com o Seu Espírito e não outro qualquer. 

É assim que a primeira leitura nos fala de uma sabedoria. Não de qualquer uma, mas da sabedoria de Deus. De facto, se já a sabedoria das coisas do mundo é difícil de alcançar, só por dom de Deus, que se revela a si mesmo por amor, nos pode ser dado conhece-lo. Esta sabedoria torna-se, para quem a procura, dinamismo fundamental não só para a relação com Deus, mas para uma feliz relação para com tudo: os outros, o uso das coisas, levando a uma vida virtuosa. 

É esta sabedoria de trato simples que nutre o discurso que ouvimos a São Paulo. Num bilhete dirigido a Filemon, Paulo usa de toda a delicadeza do seu coração para suscitar no seu amigo a compaixão e misericórdia para com um escravo que lhe havia fugido e que, sem imposição de palavras, o convida a reconhecer em Onésimo um irmão na fé. Mais de uma estratégia retórica, está um coração transbordante de amor que nasce de uma forte experiência do amor de Deus. 

No Evangelho Jesus fala-nos de uma sabedoria que nasce do seu seguimento. São Bento termina a sua regra a apelar a que nada se anteponha ao amor de Cristo. É neste sentido que interpretamos este preferir de todas as outras relações, pois só em Deus estas são verdadeiramente possíveis e libertadoras. Jesus não nos chama a não amar, mas a entregar a nossa vida de uma maneira total e definitiva, tal como ele o fez por nós na cruz. Assim, não encontramos aqui qualquer desculpa para ser indiferente para com os outros a partir de argumentos religiosos, mas de uma radicalidade maior, levar a amar o outro mais ao jeito de Deus. Não raras vezes o nosso amor, pobre e frágil, deixa-se condicionar pelo reconhecimento e agradecimento do outro. 

Na raiz desta forma de amar não está o moralismo solitário, mas antes o cuidado da relação fundamental com Deus: sentar-se e meditar, atitude do Filho de Deus na relação com o Pai, à qual também nós somos chamados. 

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