Friday, 17 March 2023

Iluminados por Cristo



DOMINGO IV DA QUARESMA


L 1 1Sm 16, 1b. 6-7. 10-13a; Sl 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6
L 2 Ef 5, 8-14
Ev Jo 9, 1-41 ou Jo 9, 1. 6-9. 13-17. 34-38 

Continua o percurso quaresmal, neste ciclo do Ano A, onde nos é dado viver os grandes textos da preparação baptismal dos catecúmenos, sendo que agora nos centramos no dado da luz e da visão que Jesus traz à vida. 

A liturgia da palavra apresenta-nos em primeiro lugar o chamamento de David, filho de Jessé, figura que contraria a primeira impressão do profeta. Mais do que o aspeto exterior, Deus olha o coração e conhece a identidade profunda de cada um. Trata-se de uma vocação inesperada, em que um guardador de rebanhos  de "belos olhos" é tornado Rei de Israel. É na simplicidade desarmante que Deus se manifesta. 

É este chamamento inesperado que acontece no evangelho. Jesus encontra no "seu" caminho um cego de nascença, imagem com que o evangelho descreve a humanidade, quando reconhece que ainda precisa de ver. De facto, são aqueles que acham que já vendo tudo, que de facto já nada vêem. Por um lado Jesus afasta a mentalidade de que a doença seja castigo de Deus, mas ocasião por onde Deus se pode manifestar. Assim, a  nossa fragilidade é muitas vezes o local mais procurado por Deus em nós, para em nós se poder manifestar o seu poder. 

Mas o núcleo deste texto evangélico está na nova criação - desde o cuspir e voltar a modelar o barro da terra e assim recriar a visão de cada um para ser capaz, como vemos no final de professar a fé em Jesus Cristo! Este caminho que não é mágico precisa da colaboração humana - partir em obediência ao chamamento de Jesus, como manifestação da correspondência ao chamamento de Deus; lavar-se nas águas de Siloé, do enviado, ou seja revestir de Cristo e aí ver, sinal de uma nova forma de ser. 

Reparemos que a mudança de vida deste homem traz uma perturbação ao poder vigente. Uns reconhecem-no, outros, mais ou menos, mas são os fariseus que mais contradizem o autor da obra realizada, por "não saberem de onde ele vinha", tema comum ao evangelho joanino desde o início - "de onde vinha o vinho". O cego não dá respostas apressadas ou que ainda não ouviu; apenas conta a sua experiência, como o tinha feito a samaritana. No meio deste caminho ainda compreendemos como este homem agora curado e chamado a testemunhar Jesus não deixa de afirmar que "Deus escuta aqueles o adoram e fazem a sua vontade". 

O caminho é percorrido até que no final, depois da provação, o cego testemunha que Jesus é o Filho de Deus e nele professa a sua fé, ou seja, reconhece nele a sua total confiança. É assim que este homem, como aponta a carta aos Efésios, se torna luz em Cristo, pois tudo na nossa vida é chamado a ser vivido à face da luz da bondade, justiça e verdade. Possamos também nós corresponder ao amor que nos chama. 



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