DOMINGO III DA QUARESMA
L 1 Ex 17, 3-7; Sl 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9
L 2 Rm 5, 1-2. 5-8
Ev Jo 4, 5-42
Um das experiências mais duras que toca a nossa condição contingente é a sede. Esta sede, que expressa uma carência de água, é entendida muitas vezes de forma literal, tomando as proporções dramáticas de falta de água em tantos pontos do nosso planeta. Todavia, é também, não raras vezes, usada para expressar simbolicamente uma carência afetiva, psicológica ou espiritual.
É este contexto de fundo que a liturgia da palavra apresenta neste domingo, onde ouvíamos o episódio da altercação do Povo Hebreu com Moisés no deserto. Mas a sede é tema que retorna com toda a força no evangelho.
Jesus toma o caminho para norte, forçando passar pela zona montanhosa da Samaria, algo não comum. Assim, o plano de Deus apresenta-se como o desejo de suscitar um encontro, o qual acontece junto à fonte, sinal de uma esponsalidade que marca a história do Povo judeu.
Esta mulher, que não conhecemos o nome, o que indica o seu carácter tipológico, ou seja, permite a possibilidade de cada um de rever na sua figura. Todo o relato evangélico expressa um caminho de Jesus para a conduzir para fazer reconhecer nela a sede que a habita e que não pode ser saciada numa água fugaz; mais, este sede parece ser algo que extravasa apenas uma etnia, mas diz respeito a toda a humanidade. Ela mesma é interrogada, vai reconhecendo o seu desejo, a partir das suas condições, para depois compreender um dom imenso que ela apenas consegue sentir vibrar, embora não o consiga expressar, entendendo-o apenas do entendimento da sua história. É neste caminho que percebe a radicalidade da conversão desde dentro, o que a mobiliza para ser testemunha (e não apenas palradora) de uma salvação, em que entra pela fé, e que contagia os restantes.
Este texto evangélico é de uma importância central na tradição da Igreja. Ele era usado para a caminhada baptismal dos catecúmenos, na proximidade do seu baptismo, sendo usado como introdutório ao símbolo da água usado no baptismo. É sempre importante recordar a singularidade do nosso baptismo para a vida da fé, dom pelo qual somos participantes da vida dada pelo Espírito Santo. E ao dom e ao amor responde-se com gratidão e generosidade.

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