Friday, 19 May 2023

Um Deus que se afasta e se faz ainda mais próximo.




DOMINGO VII DA PÁSCOA

ASCENSÃO DO SENHOR – SOLENIDADE

L 1 At 1, 1-11; Sl 46 (47), 2-3. 6-7. 8-9
L 2 Ef 1, 17-23
Ev Mt 28, 16-20

Celebramos neste domingo a solenidade da Ascensão do Senhor ao Céu, acontecimento teológico central da nossa fé, pela qual acreditamos que a vida humana entrou em plena comunhão na vida divina, na pessoa de Jesus Cristo. Com este sinal, acreditamos que a nossa humanidade participa por graça da vida divina e nos torna capazes de conhecer a Deus. 

Toda a liturgia centra-se no afastamento físico de Jesus da humanidade, ao mesmo tempo que constitui os seus discípulos como anunciadores da sua vida. A primeira leitura do livro dos Actos dos Apóstolos, coloca a comunidade cristã na expectativa do Espírito Santo, a promessa do Pai, cuja força haveriam de receber, e se tornariam testemunhas em espaços cada vez maiores e distantes: Jerusalém, Judeia, Samaria e os toda a terra! Esta comunidade não pode ficar estática a olhar o céu, mas deve é orientada por anjos [outros anunciadores] para a missão. Como isto também nos permite retratar a vida da Igreja, em que do anúncio que recebemos, também nos tornamos anunciadores. 

O Evangelho, segundo Mateus, apresenta a missão dos discípulos apoiada na autoridade de Jesus, a qual não exige admiração, mas convoca movimento e partida: Jesus não é um ídolo estático, é a encarnação de Deus que ama e dá a vida. E esta é a nota da missão dos discípulos: ir, disciular [ou seja, fazer discípulos], baptizar e ensinar a cumprir o que receberam de Jesus. A missão e o protagonista nunca é anunciador, mas sim Jesus, que se apresenta como a referência e autor de toda a missão na força do Espírito Santo. 

O anúncio recebido - e também feito - tem necessariamente de tocar a vida, e não fica apenas na ordem das ideias. É assim que, como recorda a Carta aos Efésios, que os olhos do nosso coração podem conhecer o Pai e compreender a esperança, o tesouro que nos aguarda e o poder que Ele tem para nos dar a verdadeira vida. Trata-se de uma profunda comunicação que nos interpela e muda e nada pode ficar exactamente igual.  

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