Friday, 13 October 2023

Um Deus que quer a mesa cheia





DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM


L 1 Is 25, 6-10a; Sl 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6
L 2 Flp 4, 12-14. 19-20
Ev Mt 22, 1-14 ou Mt 22, 1-10 


Talvez de forma estranha ao nosso tempo e cultura ocidental, que tendeu a fazer de Deus uma ideia abstrata, a Sagrada Escritura recorre por muitas vezes à imagem do banquete e da partilha da refeição para descrever a relação de Deus com a humanidade. É isso que vemos no texto de Isaías, um Deus que nos abre a porta da esperança, da comunhão com ele, para todos os povos! A grande virtualidade de Isaías é precisamente o seu universalismo, que aponta um futuro de comunhão com todos. 

O evangelho retoma esta imagem do banquete, do rei que prepara o casamento do filho, uma paráfrase de um Deus que prepara as bodas do seu Filho com a humanidade. A temática continua por isso a lógica da semana passada, da recusa da vinda de Deus, em que vemos como os servos enviados ao longo dos tempos são rejeitados e mal-tratados; ao fazê-lo, rejeitam aquele que os enviou. 

Esta situação é tão mais dramática, quando se compreende que os que recusam são as elites religiosas do tempo de Jesus e a destruição narrada é relativa à destruição de Jerusalém no ano 70, pelo império romano. 

Mas mais do que história e exegese do texto, importa colher dele a compreensão de um Deus que nunca deixa de querer encher a sua mesa e o seu banquete. E assim, são os últimos, os "bons e os maus" que, revestidos da veste nupcial dada pelo rei, preenchem a sala. Esta é a imagem de todos aqueles que recebem o chamamento e guardam a fé, como consciência de uma nova forma de vida em Jesus Cristo, renovados interiormente para participarem da alegria de Deus e serem suas testemunhas no mundo. 

Aquele último "amigo" que surge sem a veste nupcial é imagem de todos os que não guardam a sua fé, como interpretavam os Padres da Igreja ; de facto, é estranho neste contexto ver alguém sem a veste nupcial, uma vez que ela tinha sido dada gratuitamente a todos os que tinham entrado. Lembrança para nós: a vida é um tesouro que deve ser vivido e cuidado na fé, recebido como dom, de quem reconhece, como Paulo, que "tudo pode naquele que o sustenta", mas com perseverança. Já dizia Santo Agostinho: «o Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti». 


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