Saturday, 23 December 2023

Maria, modelo dos crentes.

 

                                                   Image by Dorothée QUENNESSON from Pixabay 


DOMINGO IV DO ADVENTO


L 1 2 Sam 7, 1-5. 8b-12. 14a. 16; Sal 88 (89), 2-3. 4-5. 27 e 29
L 2 Rom 16, 25-27
Ev Lc 1, 26-38 

As leituras propostas fazem-nos olhar hoje de maneira mais especial para a figura da Virgem Maria no grande acontecimento da Anunciação. Vemos aqui toda a pedagogia divina para com Maria e como o Senhor leva ao cumprimento das promessas feitas a David, da promessa feita por Deus como resposta ao seu desejo de habitar no meio de nós. Deus habita no meio de nós, não pelos grandes edifícios que fazemos, mas ao assumir a nossa humanidade. É d'Ele sempre toda a iniciativa que nos convoca a nós para lhe respondermos. 

O domingo que celebramos hoje é mais um passo certo no caminho do mistério do Natal, do mistério de Deus que nos vem revelar a nossa vocação para vivermos em verdade como seus filhos. No centro deste acontecimento, está a figura da Virgem Maria, modelo dos crentes. 

É dela que se aproxima o anjo, o mensageiro, que vem em nome de Deus para dirigir a Palavra, a ela escolhida e "cheia de graça", já santificada por Deus para iniciar uma nova aliança. Maria acolhe e  escuta o chamamento de Deus para bem de toda a humanidade. No seu sim, o Verbo de Deus faz-se carne por meio de Maria e assume a nossa humanidade. E isto acontece por graça do Espírito Santo, que é "o Senhor que dá a vida" e sempre que é acolhido produz maravilhas. Mas para isto foi preciso Maria ter-se feito dom, ter entregado a sua vida no seu acolhimento e ter confiado totalmente na bondade de Deus. Quanto mais confiamos e aproximamos de Deus, mais a nossa vida ganha sentido e proximidade para com aqueles que nos rodeiam. 

Se na antiga Eva se levantou a dúvida sobre Deus, em Maria a sua confiança abre para todos nós a porta da vida nova, da vida que supera a desconfiança e medo de Deus. Em Maria podemos aprender a responder sim a Deus, com a entrega da nossa vida, deixando-nos purificar do egoísmo e dos horizontes estreitos. Reparemos no amor com que Deus trata Maria, pela figura do anjo. Toda a relação é marcada pelo conhecimento profundo da identidade de Nossa Senhora. Foi assim com Maria, é assim connosco. Acreditamos num Deus que nos conhece e que quer se relacionar connosco, e que assim nos torna únicos. É também por isso que a nosso coração tanto anseia descansar e conhecer o Mistério de Deus; e aqui encontramos a raiz da nossa vocação humana. 

Se queremos compreender a nossa vocação, realidade que percorre toda a nossa vida, olhemos para a atitude de Maria. Deus criou-nos para o conhecer e vivermos à sua imagem. Acolher a sua Palavra e viver a "obediência da fé" como refere São Paulo, significa que nos dispomos a entrar em comunhão de vida de amor. Amor que é a origem da criação, amor que supera a nossa capacidade e que revela a nossa vida. É só pelo amor, que Maria acolhe, que Deus nos chama a todos e nos faz participantes desta relação. Amor que por ser verdadeiro não passa nem nos ultrapassa, mas que nos acompanha e nos espera. 

A vocação cristã tem sempre qualquer coisa do sim de Maria. Maria entrega-se e abandona-se a Deus por toda a humanidade; a nossa vocação, enquanto caminha na sua purificação, também é entrega pela mesma humanidade. E na entrega que faz, sintoniza a mesma frequência de Deus. Como Maria, deixemos o olhar amoroso de Deus entrar em nós e despertar-nos para vivermos o sonho e a vida a que somos chamados. 

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