Wednesday, 29 May 2024

A vida de Cristo que nos é dada




SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO


L 1 Ex 24, 3-8; Sl 115, 12-13. 15 e 16bc. 17-18
L 2 Heb 9, 11-15
Ev Mc 14, 12-16. 22-26

A Igreja celebra a solenidade do Sagrado Corpo e Sangue de Cristo. A eucaristia é a meta e cume da vida da Igreja, lugar para onde tende e de onde emana a comunidade cristã. Celebramos Eucaristia porque nela se celebra a entrega de Jesus Cristo por nós, acontecimento central da nossa forma de vida, da nossa fé, onde emerge a nova aliança de Cristo connosco. 

Na fé, é sempre Deus quem toma a iniciativa da aliança com a humanidade. Vemo-lo suceder no Antigo Testamento. No trecho que nos é dado escutar nesta celebração, Moisés comunica todas as palavras de Deus e convida toda a comunidade - novos e anciãos - a se unirem nos sacrifícios realizados, e a colocar metade do sangue sobre o altar - sinal de Deus - e outra metade sobre o Povo, como sinal de vida que comunga no essencial. Notemos que é o sangue, na cultura semita, é o sinal mais forte da vida. 

A Carta aos Hebreus apresenta todavia que nesta dinâmica de aliança, o sangue dos animais é substituído pelo Sangue de Jesus. Ele é o Cordeiro imolado, vítima entregue para consumar a nossa comunhão com Deus e nos fazer viver da vida eterna. Por isso, o sangue de Jesus, a sua morte e ressurreição, tem o poder de nos fazer reviver, de nos perdoar e voltar à vida. A sua morte assume as nossas mortes para com Ele ressuscitarmos. 

De facto, a Eucaristia torna presente, atualiza, todas as vezes que é celebrada, a morte e ressurreição de Jesus. Não é um mero ritual religioso. É a memória vivida hoje de que o pão e o vinho feitos Corpo e Sangue de Jesus nos continuam a sustentar hoje na nossa vida, como dom de Cristo que nos vivifica. É à volta desta entrega que a Igreja se constitui e nos apela a vivermos em comunidade, marcados e purificados pelo sinal do amor de Deus. 

Também por isso, a Eucaristia percorre [hoje] as nossas ruas, os lugares que costumamos percorrer, de modo a nos sinalizar que os nossos caminhos diários nunca podem estar alheados da vida da fé. Em todos os nossos caminhos pedimos a bênção de Deus e recordamos que o melhor testemunho que podemos dar d'Ele é a caridade no nosso trabalho, na nossa família, no meio dos nossos convívios sociais. 

Por fim, devemos sublinhar que a Eucaristia, mais do que um dever ao qual somos chamados a cumprir como preceito semanal, esta é origem de uma vida que nos renova e faz despertar em nós o amor divino que o nosso coração tanto anseia, algo que São João da Cruz descrevia como a "eterna fonte que está escondida, neste vivo pão a dar-nos vida, embora seja [de] noite". Não nos deixemos fechar ao dom do amor de Deus que nos é dado em cada celebração.  

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