
DOMINGO XXIII DO TEMPO COMUM
L1: Sab 9, 13-19 (gr. 13-18b); Sal 89 (90), 3-4. 5-6. 12-13. 14 e 17
L2: Flm 9b-10. 12-17
Ev: Lc 14, 25-33
1. Querer ser discípulo
As leituras deste domingo colocam-nos a caminho com Jesus Cristo, rumo a Jerusalém. É neste contexto que Ele apresenta as condições para ser Seu discípulo, isto é, para aprender d’Ele e viver com Ele. Estas duas atitudes — aprender e viver em comunhão com o Mestre — são as marcas fundamentais de quem O quer seguir.
Jesus vem ensinar-nos e transmitir-nos, no Seu amor, a sabedoria de Deus, como caminho que sustenta a vida; vem libertar-nos e orientar-nos num caminho que passa pela cruz e conduz ao amor.
2. O caminho da sabedoria
O caminho da sabedoria, como já recordava a primeira leitura, é o caminho para agradar a Deus, ajudando-nos a distinguir o bem do mal. Mas adquirir esta forma de vida exige decisão e prioridades.
Jesus mostra-nos que devemos colocá-Lo no centro da nossa vida, sem reservas, e orientar as nossas escolhas por e com Ele. Isso significa não fazer dos outros, sejam ou não nossos familiares, das suas ideias, dos bens que possuímos ou de qualquer outra realidade, os nossos “deuses”. O verdadeiro discípulo deixa-se instruir pelo caminho que luz do Evangelho.
Na verdade, a fé em Deus não é apenas algo para ocupar os tempos livres ou para nos dar um simples conforto religioso. A fé vive-se sobretudo quando tudo o resto falha e apenas Deus permanece: quando os outros falham, por si ou pela sua saúde, quando os bens se perdem, quando até a própria saúde nos falta. No limite da nossa fragilidade de criaturas, permanece sempre o amor fiel de Deus que nos acompanha.
3. Uma sabedoria de serviço
Isto não significa que devamos ser indiferentes aos outros. Pelo contrário, Jesus vem para servir e para nos colocar em comunhão uns com os outros. Ele deve estar no centro da nossa vida, mas esse centro abre-nos ao cuidado dos irmãos e até da criação, como recordamos neste mês de setembro.
Na segunda leitura, Paulo convida Filemón a acolher com misericórdia Onésimo, o escravo que lhe tinha fugido e agora, batizado, se tornara irmão na fé. A fé leva Paulo a uma atitude de grande delicadeza: é claro e exigente, mas não se impõe pela força. Este é o estilo cristão: firme no essencial, mas marcado pela misericórdia e pelo serviço.
4. Nada antepor ao amor de Cristo
Já São Bento, no século VI, concluía a sua Regra monástica com um apelo simples e radical: “Nada antepor ao amor de Cristo”. É nesse caminho — tantas vezes incerto, frágil e marcado pelo pecado — que a nossa vida pode encontrar firmeza, realização e sentido.
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