DOMINGO XXII DO TEMPO COMUM
L 1 Sir 3, 19-21. 30-31 (gr. 17-18.20.28-29); Sl 67 (68), 4-5ac. 6-7ab. 10-11
L 2 Heb 12, 18-19. 22-24a
Ev Lc 14, 1. 7-14
A liturgia da Palavra deste domingo coloca diante de nós a humildade como um caminho de vida. Assim ouvimos no livro da Sabedoria e também no Evangelho. A primeira leitura falava-nos precisamente da humildade como uma das virtudes mais importantes na vida de uma pessoa. Importa, no entanto, recordar: humildade não significa anular-se ou achar-se sem valor.
A humildade é o espaço interior que cada um tem para se reconhecer e para acolher o outro. E é aí que podemos ver as capacidades que o livro da Sabedoria liga à virtude da humildade:
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a estima pelos outros, própria de quem não se faz o centro do mundo;
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a capacidade de compreender a sabedoria, pois está aberto e não fechado na ilusão de que já sabe tudo;
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a capacidade de alegria e de louvor a Deus, pois reconhece o amor que lhe é dado.
É desta humildade — com as nossas fragilidades e capacidades — que nasce e cresce a vida, deixando-nos a consciência de que ela é um dom precioso. O contrário da humildade é o orgulho e a autossuficiência, que geram divisões, ressentimentos e indiferença para com os que caminham ao nosso lado.
No Evangelho, Jesus mostra-nos como a humildade é essencial. O texto fala-nos de uma refeição, provavelmente após o culto na sinagoga, para a qual se costumava convidar várias pessoas, até mesmo as que estavam de passagem. Ao observar a corrida pelos lugares mais importantes, Jesus apresenta a lógica do Reino de Deus: aqui não são os que procuram a honra e o primeiro lugar que contam, mas os que se apresentam com simplicidade e não se consideram superiores aos outros.
De igual modo, Jesus alerta para o risco de vivermos apenas na lógica de dar para depois receber. Quem convida só para ser retribuído perde algo essencial do Reino: a gratuidade e a generosidade. No Reino de Deus, partilha-se sem esperar nada em troca — não para perder, mas para multiplicar o bem.
O Evangelho convida-nos, assim, a crescer na humildade: a reconhecer a nossa verdade, a dar espaço aos irmãos sem nos sobrepormos, a aprender a escutar e a acolher quem está nas margens. A humildade abre-nos à generosidade e torna-nos atentos a quem mais precisa.
Que a nossa vida tenha sempre esta humildade que faz crescer o amor por Deus e pelos irmãos.

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