Friday, 19 June 2020

A verdade padece, mas não perece (Teresa de Ávila)



L 1 Jer 20, 10-13

L 2 Rom 5, 12-15
Ev Mt 10, 26-33


Joseph Fuchs considerava que a imagem que cada um tem de Deus gerava uma auto-imagem . Estes textos bíblicos que nos são colocados permitem-nos intuir que o Deus de Israel é um Deus que responde ao profundo anseio humano de verdade e justiça. Tantas vezes o sofrimento humano nasce da perseguição àqueles que lutam e anunciam a verdade. S. Teresa dizia que a verdade padece, mas não perece. Contudo a verdade que aqui temos não se prende apenas com um atitude moralista ou de denúncia. A verdade bíblica liga-se intimamente à fidelidade. 

O Evangelho coloca-nos que a verdade, na sua força, nada deixa oculto. De facto, aquilo que existe mais cedo ou mais tarde acaba por se revelar, e se não explicitamente, pelo menos traduzir-se-á de forma implícita, em realidades concretos de vida, que aludem para essas realidades. E isto manifesta-se quer no bem, quer no mal. 

Todavia enfrentar as dificuldades permanece tarefa diária. Haverá sempre que se dispor a querer sair de si para se colocar na lógica do dom e da entrega. Manter a paz, manter-se animado (anima como alma, em oposição ao ficar sem alma, desanimado), com vida, não se dá apenas pela força própria. Dá-se pela força da verdade que não abandona e se revela como amor que sustenta a vida na entrega. 

A verdade não é por isso a lei, que mesmo na forma de mandamentos, são apenas limites à acção humana. São úteis, mas acabam por ser apenas limites. A verdade é dom gratuito de Cristo, e por isso permanece mesmo para lá do mal. 

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