Saturday, 15 August 2020

Deus sem classes

 

DOMINGO XX DO TEMPO COMUM


L 1 Is 56, 1. 6-7; Sal 66 (67), 2-3. 5. 6 e 8
L 2 Rom 11, 13-15. 29-32
Ev Mt 15, 21-28

O nosso Deus não faz classes entre a humanidade. Todos somos criados à Sua imagem e semelhança e por isso iguais em dignidade. Por isso, Nele também a retórica da classe cai por terra. 

As leituras deste domingo permitem-nos compreender isto melhor. O universalismo do profeta Isaías  pretende mostrar que Deus, no seu templo, tem lugar para todos e todos o podem conhecer e amar. Todos têm espaço nesta casa, pois todos caminhamos para o encontro definitivo com Deus. Esta consciência foi e é fundamental no reconhecimento dos direitos naturais de todos os homens e mulheres, indepedentemente da sua origem, crença ou estado. Esta consciência fundamental permite afirmar que todos temos dignidade, acima de todas as capacidades e acções. Mas isto, como é óbvio, não anula, como também se pode depreender da leitura do profeta Isaías, que o carácter e a responsabilidade dependem das escolhas e acções do indivíduo. 

A fé não é uma questão de classe, mas de graça. Nasce da consciência de que somos escolhidos e chamados por Deus. A fé é por isso abertura e confiança na força da Verdade e do Bem mesmo no meio das contrariedades que surgem diante de nós. Concretiza-se na força do amor que deseja o bem para com aqueles que se amam. Assim nos mostra o Evangelho deste domingo, em que Jesus, regra geral sempre misericordioso para com os mais pobres e sofredores, parece rejeitar a mulher cananeia. Esta torna-se ocasião de revelar a força da fé que nasce de um amor maior e confiança de que Deus não abandona aqueles que Dele se aproximam. De facto, o baptismo dos cristãos tem a missão de os capacitar para serem testemunhas e servidores da dignidade humana.

Deus não diferencia a humanidade que Ele criou. Nós é que precisamos de escolher o verdadeiro Deus na nossa vida.   

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