Friday, 21 August 2020

Sempre ligados

 

DOMINGO XXI DO TEMPO COMUM


L 1 Is 22, 19-23; Sal 137 (138), 1-2a. 2bc-3. 6 e 8bc
L 2 Rom 11, 33-36
Ev Mt 16, 13-20


Um dos aspectos que mais caracteriza a nossa sociedade hoje é o nosso grau elevado de informação e ligação virtual. Conseguimos estar sempre ligados, mas ainda assim, não é esta a ligação que nos sacia. São vários os autores que já refletiram sobre esta permanente ligação, a qual não consegue satisfazer a necessidade humana de comunhão e intimidade. 

A liturgia deste domingo coloca-nos diante de uma ligação, a qual não tem iniciativa humana, mas divina. Assim o vemos no livro do profeta Isaías, em que Deus chama Eliacim, para lhe dar o poder de governo, ou seja de cuidar do povo como um pai cuida de um filho, possuindo as chaves para abrir e fechar. E claro, as chaves são símbolo do poder, que só se torna real quando faz emergir e criar condições para a vida florescer; quando tudo controla, tudo esteriliza. 

É no grande quadro do amor divino, grande fonte e meta da nossa vida, que se pode entender o evangelho que é proposto. 

Jesus chama os discípulos, no meio de uma cidade circundada por pagãos, ou seja, não-judeus, e lhes pergunta sobre o que dizem de quem é Ele. É claro, os discípulos indicam que as multidões recorrem-se à imagética do passado para descrever a novidade, sendo Jesus novo Elias ou novo Jeremias. Mas é Pedro, sempre ele o primeiro, que coloca Jesus como Messias. Resposta certa de Pedro, revelada por Deus e que traduz uma missão específica: cuidar da Igreja de Cristo. Jesus alegra-se ao ver que o Pai trabalha e revela em Pedro a intimidade da vida divina, ainda que o próprio Pedro, não saiba e julgue mal o alcance daquilo que professa: ao Messias da força, Jesus vai-se colocar como servo e sofredor, para levar até ao fim o sinal do amor divino. Também na nossa vida: a nossa incapacidade não é obstáculo para Deus. 

A Igreja recebe deste chamamento a Pedro daqui também a sua identidade. Em primeiro lugar, há alguém que tem a missão de confirmar na fé os irmãos, isto é, apontar e revelar o amor de Deus pela humanidade; a Igreja é realidade pessoal, só depois institucional e hierárquica. Em segundo lugar, é claro que a Igreja tem a missão de ser local de acolhimento como realidade testemunhal, em que todos podem ter o seu lugar; é a Igreja que tem a missão, de em nome de Deus, voltar a ligar a humanidade com o Pai, o qual acontece apenas na pessoa de Jesus.

Mas a pergunta de Jesus permanece como uma das mais marcantes, agora também no nosso tempo sempre ligado, e que nos tem a missão de alargar os horizontes: "E vós, quem dizeis que eu sou?"

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