Friday, 14 August 2020

Mistério da lua


ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA


L 1 Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sal 44 (45), 10. 11. 12. 16
L 2 1 Cor 15, 20-27
Ev Lc 1, 39-56


A lua é o nosso satélite natural cuja luz não lhe é própria, mas reflecte a que recebe do sol. Esta imagem foi na tradição da Igreja muitas vezes escolhida para se olhar para a vida da Virgem Maria. Ela é apenas humana, mas a sua vida é reflexo da vida divina, ou seja, sinal para nós do que significa a comunhão com Deus. E que também daqui se percebeu o mistério da Igreja, como refere o Concílio Vaticano II. 

A celebração desta solenidade coloca-nos diante do cumprimento na nossa humanidade da salvação prometida. Maria, Mãe de Deus, acolhe a palavra e confia, melhor, confia-se totalmente. Ela entende a sua vida na profunda comunhão com a sua origem e coloca a sua esperança na história de salvação que Deus constrói com a humanidade. É por isso que ela tantas vezes designada como Arca da Aliança, Porta do Templo, e demais alusões a ser a entrada para a comunhão com o Seu Filho Jesus. Por isso, a Virgem Maria pôrtico para a vida da fé. 

Nela vemos a caridade jubilosa, que atravessa os montes, como o mensageiro da paz que caminha sobre os montes; nela vemos, a alegria realista de quem vive na comunhão com Deus e que reconhece que a sua soberania está em todos os avessos da história; nela percebemos que a verdade, o bem e a beleza serão sempre mais fortes. O seu anúncio, sempre discreto, é feito com a vida na caridade partilhada e activa. 

Neste dia celebramos também a esperança a que somos chamados. Marcados com a morte de Cristo pelo Baptismo, somos todos chamados à ressurreição em Cristo, realidade total da nossa existência. Se Cristo nos abre o caminho, Maria, assim acreditamos, pelo seu especial lugar como mãe de Deus, também já participa totalmente da vida divina. Mas isto não significa que se fugiu do mundo; muito antes pelo contrário; agora é a nossa humanidade que já participa também da plenitude de Deus, presença e comunhão a que todos somos chamados, lugar de amor sem limites e de entrega. 

É este o reflexo de Maria: Ela só nos pode mostrar o Seu Filho Jesus, na vida vivida até ao fim em comunhão.  



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