Saturday, 10 October 2020

Condição para ser chamado: estar disponível




DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM


L 1 Is 25, 6-10a; Sal 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6
L 2 Filip 4, 12-14. 19-20
Ev Mt 22, 1-14 ou Mt 22, 1-10

O texto deste domingo coloca diante de nós a cena de um banquete. A Sagrada Escritura é atravessada pelo tema do banquete e do acolhimento: Melquisedec acolheu Abraão com pão e vinho, Abraão recebeu os três visitantes com esmerado cuidado, a preparação da Páscoa no Egipto faz-se numa ceia, Jesus celebra a sua Páscoa na Ceia Final como meio memorial da sua Paixão, Morte e Ressurreição, e o Apocalipse coloca o destino da humanidade na comunhão com Deus mediante as Bodas do Cordeiro.  Neste grande cenário, Isaías profetiza a plenitude do encontro com Deus como um esplêndido banquete que o próprio Deus organiza. Assim o profeta focaliza a esperança da fé num encontro feliz e reconciliado com a humanidade. 

Esta esperança é fundamental para poder viver a fé; por um lado, mostra que o Amor de Deus supera as nossas limitações; por outro, faz-nos ser proactivos e diligentes na procura da caridade de modo a poder tornar presente já aqui a realidade prometida da paz. Como o nosso hoje precisa da esperança cristã no meio das dificuldades que atravessamos!

O Evangelho deste domingo deixa-nos estarrecidos. Para os judeus, a expectativa da vinda do Messias era realidade fundamental, pelo que colocar a escusa do convite recebido pelo Rei parece estranho. Um judeu piedoso deveria esperar o Messias. 

Mas este é o texto que nos lê hoje também. Por um lado, pode a nossa vida ao receber o convite do grande Rei mostrar-se demasiado ocupada, perfeitamente instalada e por isso indisponível para acolher o grande chamamento a participar da festa de Deus. Provavelmente por não saber sequer a alegria desta festa e ficar por valores menores e entretida em coisinhas que não saciam a humana sede e desejo fundamental de infinito. 

Mas a promessa do Reino alarga-se a toda a humanidade: a todos os que estão na encruzilhada dos caminhos, a todos os que se perguntam pelo verdadeiro sentido da vida, preparados para partir. E são estes que acolhem o convite na disponibilidade para poderem participar "de um processo que dura a vida inteira" de comunhão com a acção que Deus realiza na humanidade.

No final do Evangelho algo nos deixa perplexos. O Rei chama de "amigo", alguém que está sem o manto nupcial e na ausência da sua resposta coloca-o fora. O processo é estranho para nós. Todavia, na entrada dos banquetes no oriente era o promotor da festa quem convidada e oferecia os presentes a quem chegava, até se fosse o caso, do manto nupcial. Por isso, se alguém não o tem vestido, é porque o recusou (cf. António Couto, Quando Ele nos abre as escrituras, p. 266). Estamos aqui diante de uma continuação da do que vinha de trás: Este rei pede a nossa disponibilidade, humildade e totalidade de vida para acolher todas as suas maravilhas. Só assim as relações são autênticas. Por isso, a condição para ser chamado é estar disponível. E nesta disponibilidade Deus não tardará a manifestar-se.


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