DOMINGO XXVII DO TEMPO COMUM
L 1 Is 5, 1-7; Sal 79 (80), 9 e 12. 13-14. 15-16. 19-20
L 2 Filip 4, 6-9
Ev Mt 21, 33-43
As leituras deste domingo continuam a manter-nos na vinha, lugar de preparação para a festa, "pelo fruto da videira e do trabalho do homem". Mas as leituras fazem-nos voltar o olhar e re-conhecer o trabalho de Deus, na sua aliança com um Povo específico. Sinal de um amor maior, desproprocionado, mas desejoso da correspondência. Bento XVI salientava em 2006 que o amor de Deus incluía tanto uma dimensão de entrega - agape - como de desejo de reconhecimento - eros. De facto, «O eros de Deus pelo homem é ao mesmo tempo totalmente agape» (Bento XVI, Deus caritas est, 10).
É com este cenário de Deus que dá tudo que nos deparamos com a essência do que é o pecado: não querer corresponder com a vida ao amor com que fomos criados, querendo apropriar-se daquilo a que é chamado a viver como dom. E sendo as ramificações disto tão complexas, o amor de Deus continua a ser o caminho para viver na lógica do dom.
É daqui que se entende a lógica dos frutos: não se trata de fazer muitas coisas, mas querer viver com amor, com entrega, com desejo por um bem maior do que apenas o próprio; melhor, é viver para o bem do outro, caminho sempre necessário para quem quer ser verdadeiramente feliz.
Recorrendo à imagética agrícola, uma árvore para dar fruto tem de ser podada, cuidada, resguardada. Assim age em nós o Senhor, cuidando-nos pela força do seu amor nos seus sacramentos: somos enxertados em Cristo pelo Baptismo, elevados à dignidade de verdadeiros filhos de Deus na unção crismal, alimentados pelo Pão da Vida, lavados pelo perdão purificador de toda a fragilidade. Mas precisamos de guardar como um tesouro mais precioso o dom do chamamento primeiro de Deus, como experiência mais profunda de um amor recebido; para isto, desejemos a fidelidade, a qual passa pela vontade de querer viver a vocação que Deus faz a cada um para toda a vida.
Quando vivemos a vida assim, colocando tudo na comunhão com Deus, então «tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude» vai encontrando espaço na nossa vida. E tem espaço por estar centrada em Deus. Só o amor purificado torna a nossa vida fecunda.

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