DOMINGO VI DO TEMPO COMUM
L 1 Lev 13, 1-2. 44-46; Sal 31 (32), 1-2. 5. 7 e 11
L 2 1 Cor 10, 31– 11, 1
Ev Mc 1, 40-45
O Evangelho deste Domingo coloca diante de nós um cenário de como o povo semita lidaria com as doenças contagiosas. Pelo bem de todos, os infectados com lepra, e por isso com o risco de a poderem transmitir ao resto da comunidade, deveriam ser postos fora da comunidade e visivelmente identificados para não se aproximarem de ninguém, nem ninguém se aproximar deles.
É a atitude de exclusão que nasce da primeira leitura, e que nos dias de hoje, continuamos com a mesma estratégia de para o bem de todos, separar os mais doentes. Mas a lógica do cristianismo é revolucionária neste sentido.
O relato do Evangelho é admirável em vários aspectos. Primeiro somos convidados a olhar a ousadia, nascida da confiança do leproso que o leva a aproximar-se de Jesus. Ele, sabendo da sua total limitação, não teme vir ter com aquele que sabe até ao momento executou tantas curas, para se dispor a ser curado. Lição de fé para todos nós, ao não se deixar vencer pelo desânimo, mas a ousar tudo entregar. Por outro lado, Jesus, cheio de compaixão, é claro na sua vontade de querer curar aquele homem, que violava a Lei do livro do Levítivo. Sinal para nós de que Jesus leva a Lei mais longe para guardar o primado da pessoa humana: a partir daqui este homem pode voltar a viver em comunidade e em sociedade, em servir aqueles que também precisarão dele.
O estilo de Jesus, de se deixar fazer próximo dos que sofrem, vai marcar a Igreja nascente. Rodney Stark, no livro The Triumph of Christianity, defende que o motivo pelo qual o cristianismo se afirmou como a religião de Roma, foi pela caridade dos cristãos. No tempo em que Roma foi assolada pela peste durante o reinado de Marco Aurélio, os cristãos permaneceram na cidade a cuidar dos doentes, animados pela fé, enquanto os pagãos fugiam para fora. A verdade é que muitos cristãos acabaram por morrer contagiados, mas a mortalidade total estima-se ter sido diminuída em dois terços. (cf. Rodney Stark, The Triumph of Christianity: How the Jesus Movement Became the World’s Largest Religion (New York: HarperOne, 2011), 114-119.).
A interpelação à nossa vida leva-nos a perceber que o tesouro da fé não nos reduz a apenas praticantes religiosos. Dá-nos a certeza de que a nossa vida já está nas mãos de Deus. Por isso, é entregue em serviço.

No comments:
Post a Comment