Saturday, 20 February 2021

Reflorescer no deserto

Flores que brotam no deserto do Neguev depois das torrentes. Foto de Dan Zelazo



DOMINGO I DA QUARESMA


L 1 Gen 9, 8-15; Sal 24 (25), 4bc-5ab. 6-7bc. 8-9
L 2 1 Pedro 3, 18-22
Ev Mc 1, 12-15

Estamos em quaresma, caminho de quarenta dias, em caminha para a Páscoa, para passarmos com Jesus para a vida eterna. Tempo de nos deixarmos impregnar da vida de Jesus, do seu amor, da mudança da nossa mentalidade para vermos o mundo como Deus o vê. 

O primeiro passo e a primeira marca que levamos está em nós pelo baptismo, pelo qual já fomos revestidos de Cristo, onde fomos mergulhados na água para passar da morte à vida. Todavia, o caminho da fé não se resolve de uma vez, mas como a própria vida, é vivida um dia de cada vez. 

Na fé, a iniciativa pertence sempre a Deus. É Ele, que por Jesus, nos ensina com a sua palavra o caminho pascal que percorremos. E assim o retrata o Evangelho que escutamos neste domingo. Jesus vai para o deserto, lugar onde esteve por quarenta anos o Povo Hebreu, em caminho do Egipto para a terra prometida. Para o Povo Hebreu, o deserto foi o lugar da aliança, de infidelidade, de misericórdia, de lutas, de amor, de alegrias e de tristezas. É imagem de um espaço onde o Povo experimenta a vida na sua dureza e por onde foi guiado por Deus. 

Pois é para este mesmo lugar que Jesus é conduzido pelo Espírito Santo. Dizia S. Gregório Nazianzeno que «O que não foi assumido pelo Verbo não foi redimido» (Ep. 101, 32). Aí vemos Jesus a percorrer o mesmo caminho da humanidade, a ser tentado pelas mesmas fragilidades. É Deus a assumir a nossa história, para nos chamar à conversão. Conversão que significa passar a ser mais como Jesus, a deixar que Deus nos guie e nos assemelhe mais a Jesus, na relação consigo mesmo, com os outros e com Deus. Mesmo a relação com a natureza é transfigurada ao vermos como Jesus, como Adão antes da queda, é capaz de viver em harmonia com os animais selvagens. 

Tal como o deserto, a nossa sociedade, e a nossa vida tem sede desta presença de Jesus capaz de renovar todas as nossas relações e anseios mais profundos. Que a vida nossa possa ser reflorescer como as torrentes do Neguev:


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