DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR
L 1 Is 50, 4-7; Sal 21 (22), 8-9. 17-18a. 19-20. 23-24
L 2 Filip 2, 6-11
Ev Mc 14, 1 – 15, 47 ou Mc 15, 1-39
Estamos a iniciar uma semana santa, na qual se adensa o Mistério do amor do nosso Deus. Longe de ser uma semana que olhe a cruz como um acontecimento triste e acidental, proclamamos com S. Paulo «Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo».
As leituras de hoje permitem-nos mostrar que a cruz está no caminho de Cristo com toda a tensão existente de luta interior, mas na certeza de uma entrega sem violências, que carrega, como recorda Isaías, todos os nossos pecados, para nos fazer passar com Ele para uma nova forma de vida. Uma forma de vida em que aceitamos que Deus caminhe connosco na nossa fragilidade.
Pelo caminho de Cristo até à cruz passam uma série de pessoas: a mulher que trazia o perfume, os discípulos, Judas Iscariotes, os príncipes dos sacerdotes, o homem da casa, a multidão com varapaus, o jovem só com o lençol, os guardas do templo, a criada do sumo sacerdote, Pilatos, a multidão, os soldados romanos, Simão de Cirene, os salteadores crucificados, o Centurião romano, as mulheres de Jerusalém, José de Arimateia, Maria Madalena e Maria, mãe de José.
A cruz do Senhor descobre diante de todos as intenções de coração, revelando as que são ilusórias bondades, como as de Pedro, e as de fé, como a do centurião romano. Pedro nega Jesus, e com as suas três negações, nega o Mestre, nega os companheiros e nega a sua identidade. Ponto de verdade para o próprio, que reconciliado com todos posteriormente, será referência para a fé dos irmãos; o centurião, por outro lado, ao ver Cristo na cruz, e ao vê-lo entregar o Espírito daquela maneira, confessa que Jesus é o Filho de Deus, e convida-nos a fazer a mesma profissão de fé.
A cruz para os cristãos é sempre sinal da fé, marca a nossa vida, descobre as nossas fundações, para nos fixar e levantar para o alto com o Senhor. Diante da cruz o nosso mundo ferido pode sempre encontrar esperança, pode sempre reconhecer que a nossa fragilidade é chamada a passar com Cristo em espaço de abertura ao amor.

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